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Dólar hoje: moeda abre semana estável, mas já aponta para cima; inflação fica no radar de investidores

Na última sexta-feira (5), o dólar fechou o pregão sendo negociado a R$ 5,462, uma baixa de 0,44%

Por Murilo Melo

08/07/2024 | 10:20 Atualização: 08/07/2024 | 10:20

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O dólar hoje mostra estabilidade frente ao real nas primeiras transações do dia. Às 9h30 desta segunda-feira (8), a moeda americana à vista avançava 0,1%, sendo negociada a R$ 5,4683. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento registrava alta de 0,11%, a R$ 5,4810. Logo depois, porém, a cotação começou a apontar para cima e, por volta das 10h15, já estava cotada a R$ 5,4807, o que representa alta de 0,38%.

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Nesta semana, os investidores estão focados em dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, buscando pistas sobre o futuro da política monetária de ambos os países. Além disso, quanto ao cenário doméstico, o Banco Central (BC) diz que vai realizar, nesta sessão, um leilão de até 12 mil contratos de swap cambial tradicional (troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros) para o vencimento de 2 de setembro de 2024.

Na sexta-feira (5), o dólar fechou o pregão sendo negociado a R$ 5,462, uma baixa de 0,44% quando comparado ao dia anterior. O fechamento registrou a terceira queda consecutiva da moeda americana, que no último 1.º de julho chegou a custar R$ 5,70, a maior alta do ano.

Agenda econômica pode mexer no dólar

A semana inicia com a publicação do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Boletim Focus do Banco Central nesta segunda-feira. O destaque será a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na quarta-feira (10), mesma data em que será divulgada a confiança do consumidor.

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A expectativa é que a inflação ultrapasse 4% no acumulado dos últimos doze meses, refletindo mais claramente os impactos das chuvas no Rio Grande do Sul. As atenções estarão voltadas para os dados de vendas no varejo na quinta-feira (11) e para o crescimento do setor de serviços na sexta-feira (12), ambos elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No panorama externo, a China deve divulgar a inflação ao consumidor e ao produtor na noite de terça-feira (9), enquanto os Estados Unidos devem revelar os dados de vendas no atacado e estoques de petróleo bruto na quarta-feira (10). O foco estará na quinta-feira (11), com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), balança comercial e produção industrial do Reino Unido, além da inflação ao consumidor e pedidos de seguro-desemprego nos EUA.

Os investidores estão atentos a sinais de desaceleração da inflação em doze meses, o que pode aumentar as chances de cortes nos juros ainda este ano. As projeções de consenso indicam um aumento mensal de 0,1%, após estabilidade em maio, levando o indicador a 3,1% em doze meses. Para o núcleo, que exclui preços voláteis como alimentos e energia, os analistas estimam um acréscimo de 0,2% mês a mês, igual à leitura anterior, mantendo o indicador em 3,4%.

Encerrando a semana, na sexta-feira (12), os destaques serão a produção industrial japonesa, preços ao consumidor americanos e a balança comercial chinesa.

O que deixa o dólar estável?

De quarta a sexta-feira da semana passada, a moeda sofreu uma queda acentuada, impulsionada pelos comentários do presidente sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. As declarações de Lula ocorreram após várias críticas ao presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, que fizeram o dólar chegar a R$ 5,70 no início da semana.

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No Brasil, o cenário fiscal permaneceu em destaque após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciar um corte de R$ 25,9 bilhões para 2025, o que também contribuiu para a expressiva queda do dólar na última sessão. Segundo Haddad, o governo controlará as despesas ainda este ano para alcançar a meta fiscal e respeitar o teto de gastos. As contenções devem ser oficializadas em 22 de julho, com a divulgação do próximo relatório de avaliação do Orçamento.

“A primeira coisa que o presidente determinou é: cumpra-se o arcabouço fiscal. Não há discussão a esse respeito”, afirmou Haddad em uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Ele explicou que a orientação de Lula é garantir que o arcabouço seja preservado a todo custo. Isso implica que o governo vai conter despesas já em 2024 para alcançar a meta fiscal e respeitar o limite de gastos. As contenções devem ser formalizadas no próximo dia 22 de julho, quando será divulgado o próximo relatório de avaliação do Orçamento deste ano.

O diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, diz que o mercado aguarda a apresentação do relatório bimestral de despesas e receita, na penúltima semana deste mês, para verificar se alguma dessas medidas já serão detalhadas. “Com a liquidez reduzida, qualquer ruído político hoje poderá fazer preço. Estaremos atentos a todos os desdobramentos”, observa.

Já o head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, aposta que essas mudanças prometidas pelo governo devem fazer a cotação do dólar se consolidar em torno de R$ 5,30. Ele reflete também que no cenário exterior há perspectiva de queda da taxa de juros, prevista para o final do ano. Para que o dólar volte ao patamar de R$ 5 ou abaixo disso, Weigt explica, é preciso ter ações concretas do Executivo. “Observamos a intenção de implementar essas medidas, e à medida que percebermos a transição da intenção para a prática, o dólar pode facilmente atingir os R$ 5. Se houver ações concretas para reduzir os gastos, isso contribui para a valorização do real”, diz.

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