Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento do dólar hoje foi marcado principalmente por um ajuste técnico. “Adicionalmente, o mercado adota postura mais cautelosa diante da divulgação de dados importantes nos Estados Unidos nesta semana, como o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) e o payroll, o que tem levado investidores a evitarem apostas direcionais mais firmes no câmbio”, afirma.
O relatório oficial de emprego, o payroll, será divulgado na quarta-feira (11), já o CPI sairá na sexta-feira (13). “O payroll é um número muito importante para a definição de política monetária e a tomada de decisões sobre juros, ainda mais agora com a saída já estabelecida de Jerome Powell e com entrada de um novo presidente do Federal Reserve (Fed), que ainda será sabatinado”, diz Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.
Nesta terça-feira, o mercado repercutiu as vendas no varejo dos Estados Unidos, que ficaram estáveis em dezembro ante novembro, segundo dados com ajustes sazonais divulgados pelo Departamento do Comércio do país. O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta de 0,4% no período.
IPCA vem pouco acima da mediana das projeções
No Brasil, o destaque da agenda foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 0,33% em janeiro. Em sentidos opostos, a gasolina, com alta de 2,06%, e a luz elétrica residencial, com queda de 2,73% nos preços, foram as principais influências para o índice em janeiro. Com isso, o acumulado em 12 meses ficou em 4,44%.
O resultado do IPCA no último mês veio um pouco acima da mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de avanço de 0,32%, com intervalo entre altas de 0,26% e 0,38%.
Na avaliação de Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), para a política monetária, o resultado não impede o início do ciclo de cortes da Selic, mas reduz o grau de conforto do Banco Central. “O cenário-base segue apontando para um corte de 0,25 ponto percentual em março, enquanto a probabilidade de um corte de 0,50 ponto percentual diminui caso os núcleos sigam pressionados”, destaca.
*Com informações do Broadcast