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Dólar hoje: moeda dispara quase 2% e fecha a R$ 5,59 com exterior e falas de Galípolo

O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, finalizou a sessão em alta de 0,46%

Por Beatriz Rocha

22/08/2024 | 18:00 Atualização: 22/08/2024 | 18:09

Notas de dólar (Foto: Envato Elements)
Notas de dólar (Foto: Envato Elements)

O dólar hoje voltou a subir no mercado doméstico de câmbio, após encerrar em leve queda de 0,02% na véspera. Nesta quinta-feira (22), a moeda americana fechou em alta de 1,98% cotada a R$ 5,5904, depois de oscilar entre máxima a R$ 5,5955 e mínima a R$ 5,4813. A cotação foi insuflada pelo fortalecimento global da moeda americana e pelo avanço das taxas dos Treasuries, além de certo desconforto com a comunicação do Banco Central brasileiro.

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Já o índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, finalizou a sessão em alta de 0,46%, a 101,508 pontos, após ter atingido na quarta-feira (21) o menor nível desde dezembro do ano passado. Dessa forma, a alta da divisa americana neste pregão representou um comportamento global, enquanto os investidores mantêm o foco na trajetória das taxas de juros e nos indicadores econômicos dos Estados Unidos.

Os pedidos de auxílio-desemprego no país aumentaram para 232 mil na semana encerrada em 17 de agosto, frente à expectativa de 230 mil, segundo analistas consultados pela Reuters. Na semana anterior, o número de pedidos foi de 228 mil. O resultado reforça a percepção de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, após uma revisão no dia anterior mostrar que os Estados Unidos criaram 818 mil empregos a menos do que o informado inicialmente nos 12 meses até março.

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Dados da economia americana e declarações mais cautelosas de dirigentes do Federal Reserve, na véspera do discurso do presidente da instituição, Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole, esfriaram apostas em corte mais agressivo de juros nos EUA neste ano. “O mercado veio nas últimas semanas bem animado com um ciclo de cortes relevante e hoje, com o discurso de dirigentes do Fed, houve uma moderação. As moedas emergentes sentiram o peso da recuperação do dólar lá fora e do aumento de prêmio na curva de juros americana”, afirma a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Agora as atenções se voltam para o Simpósio de Jackson Hole, que reúne banqueiros centrais de todo o mundo. As expectativas estão concentradas especialmente no discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, na sexta-feira (23). “O mercado já está convicto de que haverá um corte de juros em setembro. A dúvida agora é se será um corte de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, então os investidores estão de olho no discurso de Powell para ver se ele dará alguma pista sobre a condução da política monetária pelo FOMC, o Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos”, afirma Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.

“Tivemos um pouco de aversão ao risco hoje por conta do exterior que se refletiu no nosso câmbio. Houve dados divergentes de atividade nos EUA que trouxeram dúvidas sobre os próximos passos do Fed, aumentando a volatilidade”, diz a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.

Ao componente de cautela externo somaram-se sinais de que há dissenso dentro do Banco Central (BC) brasileiro sobre o rumo da taxa Selic. Na terça-feira (20), o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que é preciso cautela em relação às expectativas de alta de juros, alimentadas em grande parte por declarações recentes do diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo.

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Pela manhã, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, afirmou que o “excesso de ênfase” no balanço de risco para inflação “como instrumento de guidance” sobre a condução da política monetária causava “um pouco mais de desconforto”. Ele ressaltou, contudo, que o comunicado e a ata do Copom refletem uma visão coesa dos diretores do BC.

As máximas do dólar vieram à tarde em meio a declarações de Galípolo. Embora tenha dito que “reafirma todas as suas falas nos últimos dias”, vistas pelos investidores como um sinal de alta iminente da Selic, ele disse que o “balanço de riscos assimétrico” para a inflação não está “relacionado a um guidance” para os próximos passos do Copom.

Galípolo afirmou que “discorda que suas frases recentes colocaram o BC no corner”, ou seja, obrigado a subir os juros em setembro. Ele também negou que suas declarações representem “dissonância” com as de outros diretores do BC ou com as avaliações contidas na ata do Copom.

Parte da apreciação recente do real foi atribuída por analistas justamente ao tom mais duro de Galípolo, que ampliou as apostas tanto de investidores quanto de uma ala de economistas em alta da taxa Selic ainda em setembro. Era corrente também a avaliação de que a postura coesa do Copom aumentava a credibilidade da política monetária e afastava os temores de um BC leniente com a inflação a partir de 2025, quando Campos Neto será substituído por alguém indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo Galípolo o nome mais cotado.

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Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, as declarações recentes de Campos Neto e dos diretores do BC não combinam com percepção anterior de que o Copom estava unido na avaliação sobre a condução da política monetária. “Parece que tentaram engrossar o discurso para derrubar o dólar e ficaram assustados com a reação do mercado de colocar alta da Selic na curva de juros”, diz Borsoi. “O comitê parece agora não ter uma mensagem harmônica. Essa mudança é ruim e adiciona mais volatilidade”. No fim da tarde, Galípolo buscou esclarecer falas eventualmente lidas como dovish, afirmando que deu impressão equivocada ao comentar sobre ‘ganhar graus de liberdade’ e reiterou que “o BC não vai hesitar em subir juro se necessário”.

*Com informações do Broadcast

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