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Dólar hoje: moeda fecha em alta, a R$ 5,74, em dia de caos nos mercados, com temor por recessão nos EUA

Dia foi marcado por "pânico generalizado" com queda nos mercados globais e aversão ao risco. Moeda chegou a ser cotada a R$ 5,86

Por Beatriz Rocha

05/08/2024 | 17:20 Atualização: 05/08/2024 | 17:33

Dólar (Foto: Adobe Stock)
Dólar (Foto: Adobe Stock)

O dólar hoje fechou em alta, em uma sessão marcada por forte aversão ao risco nos mercados globais. A moeda americana encerrou esta segunda-feira (5) em valorização de 0,56% a R$ 5,7414. Pela manhã, chegou a alcançar máxima a R$ 5,864, mas reduziu o ímpeto de ganhos ao longo da tarde após a publicação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços dos Estados Unidos.

Leia mais:
  • Os fatores que abalaram os mercados globais e levaram o dólar a quase R$ 5,90
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Os investidores começaram o dia sob pressão após a Bolsa do Japão terminar o pregão em queda de 12,40%, registrando seu pior desempenho em um único dia em 37 anos. Em determinado momento, a queda nas ações do país acionou o mecanismo de “disjuntor” — o circuit breaker — que interrompe as negociações para permitir que os mercados digiram grandes flutuações.

Na Europa, os índices acionários também fecharam em forte queda, pressionados pelo temor de uma recessão nos Estados Unidos. O clima de cautela teve início após o payroll (relatório oficial de empregos americano), divulgado na sexta-feira (2), indicar a criação de 114 mil vagas de trabalho em julho, em termos líquidos. O resultado ficou abaixo do piso das expectativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que variavam de 135 mil a 225 mil vagas, com mediana de 180 mil.

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Um sinal do medo que abala o mercado é a forte valorização do VIX (Volatility Index em inglês), mais conhecido como “índice do medo” de Wall Street. O indicador, que leva em conta o preço de opções do S&P 500 para 30 dias, chegou a disparar mais de 115% pela manhã, alcançando o maior patamar desde março de 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19.

O humor dos mercados, porém, conseguiu observar uma melhora com a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI). Conforme informou o Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), o indicador subiu de 48,8 em junho a 51,4 em julho, ficando acima das expectativas de analistas ouvidos pela FactSet, que previam um aumento menor, a 51.

Os dados serviram como um contraponto para a narrativa de que os Estados Unidos está entrando em recessão. “Em resumo, os dados divulgados hoje mostram um crescimento elevado da atividade econômica, contrariando as expectativas de recessão. A atividade econômica permanece forte, especialmente no setor de serviços, que está passando por mudanças estruturais significativas, gerando uma demanda consistente e uma inflação mais elevada”, afirma Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital.

Risco de recessão nos EUA é real?

Quanto ao temor de uma recessão nos Estados Unidos, analistas ouvidos nesta matéria ponderam que a reação do mercado parece “excessiva” e muito relacionada à desalavancagem técnica de posições. “Não há evidências de que a economia dos EUA esteja entrando em recessão, embora os riscos tenham aumentado. Por isso, é importante manter a tranquilidade e aguardar a depuração deste processo, que deve ocorrer até o final do mês”, diz Alexandre Mathias, estrategista-chefe da Monte Bravo, em relatório.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, segue a mesma linha de raciocínio. “Uma andorinha não faz verão”, diz, referindo-se que este é o primeiro dado realmente negativo do mercado de trabalho americano neste ciclo de política monetária do Federal Reserve (Fed).

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“Nossa avaliação é que o conjunto dos dados da economia americana continua a mostrar uma atividade e um mercado de trabalho ainda fortes. Na melhor das hipóteses, os riscos de mais inflação ou mais emprego estão equilibrados, o que exige perseverança e paciência nas próximas decisões de política monetária”, destaca Camargo.

Quem parece compartilhar da mesma opinião é o CEO do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha, que classificou a reação do mercado asiático a uma possível recessão econômica nos Estados Unidos como “exagerada”. Em coletiva de imprensa com jornalistas na manhã desta segunda-feira, o executivo pontuou que o mercado deve cair em cadeia nos próximos dias, mas enxerga o movimento como algo “extremado”.

Operações de carry trade também afetam o dólar

Além de ser afetado pelo sentimento de aversão a risco global, o mercado doméstico de câmbio também foi impactado pelo desmonte das operações de carry trade. Essa estratégia de investimento ocorre quando uma pessoa toma emprestado dinheiro em uma moeda com uma taxa de juros baixa e o investe em uma moeda não tão depreciada em uma economia com taxa de juros mais alta. A ideia, dessa forma, é  lucrar com a diferença nos juros.

Antes do Banco do Japão (BoJ) apertar a política monetária no país, a estratégia de carry trade financiada em iene era uma das mais populares entre os investidores, já que o país ficou por muito tempo com juros negativos ou baixos. Contudo, na última semana, o BoJ decidiu elevar os juros no país em 15 pontos-base. Com isso, as taxas de depósitos de curto prazo passaram para a faixa entre 0,15% e 0,25%, o que marcou o fim do período de dinheiro barato.

Conforme explicamos nesta matéria, os investidores agora devem ajustar suas posições para se alinhar com o novo cenário econômico japonês, o que pode gerar volatilidade no dólar no curto prazo. A reversão das operações de carry trade mexe especialmente com as moedas de países emergentes, que costumam ser alvo de estratégias de investimentos como essas.

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