Nos Estados Unidos, o Fed cortou os juros em 25 pontos-base, para a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme esperado. No cenário doméstico, projeta-se a manutenção da Selic em 15% ao ano.
Esta foi a terceira vez que o Fed reduziu os juros neste ano, após flexibilizar a política monetária em setembro e outubro. A medida não foi unânime. O diretor Stephen Miran votou para reduzir as taxas em 50 pontos base. Já Austan D. Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, e Jeffrey R. Schmid, presidente do Fed de Kansas, votaram para manter os juros estáveis.
Enquanto o dólar ampliou perdas no exterior após a decisão, o real caiu em relação à divisa americana. “A moeda brasileira segue pressionada pela busca de posições cambiais defensivas após o aumento das incertezas políticas com a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. A volatilidade dos ativos domésticos, somada à curva de juros local ainda relutante em devolver prêmios, reforça o ambiente de aversão ao risco e mantém o dólar pressionado frente ao real”, avalia Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
IPCA de novembro vem dentro do esperado
No Brasil, o mercado ainda acompanhou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou novembro com alta de 0,18%, ante uma elevação de 0,09% em outubro. O resultado veio idêntico à mediana das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast. O intervalo das projeções oscilava entre avanços de 0,16% e 0,26%.
O principal impacto de alta no índice veio do subitem passagem aérea, que subiu 11,9%, com peso de 0,07 ponto percentual. Outras influências foram a energia elétrica residencial, que avançou 1,27%, puxada por reajustes tarifários em algumas concessionárias, e hospedagem, no grupo Despesas Pessoais.
“No geral, foi um número sem novidades relevantes na composição, reforçando a continuidade do processo de desinflação gradual, mas com pontos de atenção, como o elevado patamar da inflação de serviços intensivos em mão de obra”, afirma Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos.
Já André Valério, economista sênior do Inter, avalia que o resultado de novembro confirma um quadro benigno para a inflação, com núcleos cedendo e mostrando maior acomodação. “Nesse contexto, aumentam as chances de o IPCA encerrar 2025 dentro da meta, e vemos condições favoráveis para que o Copom inicie o ciclo de cortes já na reunião de janeiro. Esperamos que a comunicação da decisão de hoje traga sinais nessa direção”, destaca.
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