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Dólar hoje renova máxima e fecha a R$ 5,73, maior nível desde 2021

Alta da moeda reflete uma série de dinâmicas que incluem a política monetária global, as condições fiscais no Brasil e as tensões geopolíticas

Por Beatriz Rocha e Murilo Melo

01/08/2024 | 16:48 Atualização: 01/08/2024 | 20:20

Notas de dólar (Foto: Envato Elements)
Notas de dólar (Foto: Envato Elements)

Correção: O dólar fechou a R$ 5,73 nesta quinta (1º), e não a R$ 5,70 como estava no título. O texto continha a informação correta. O título foi corrigido.

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O dólar hoje fechou o pregão cotado a R$ 5,7349, alta de 1,43%. É o maior nível desde 21 de dezembro de 2021, e o maior patamar da moeda americana registrado em todo o governo Lula, iniciado no primeiro dia de 2023.

Na tarde desta quinta-feira (1º), o câmbio avançava 1,44%, cotado a R$ 5,737, após alcançar máxima a R$ 5,743. O real e outras moedas latinas têm sofrido com a onda de aversão global ao risco deflagrada pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

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Autoridades iranianas se reúnem com representantes de seus aliados regionais do Líbano, Iraque e Iêmen para discutir possíveis retaliações contra Israel após o assassinato do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Teerã. A reunião ocorre em um momento de crescente tensão na região, com o risco de um conflito ampliado entre Israel, Irã e seus aliados, segundo informações da agência de notícias Reuters.

Além das tensões geopolíticas, também entram no radar dos investidores dados econômicos dos Estados Unidos. O índice de gerentes de compras (PMI) da indústria americana medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM) caiu para 46,8 em julho, ante 48,5 em junho. O resultado contrariou a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam avanço do PMI a 48,9. “Resultados econômicos fracos no país fortalecem o dólar como ativo de refúgio”, afirma Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike.

O mercado ainda digere as decisões monetárias da Super Quarta. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) optou por manter a taxa de juros na faixa entre 5,25% e 5,50% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. Depois da decisão, no entanto, o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, afirmou que um corte de juros pode estar em análise na reunião do Fed em setembro, caso a inflação continue a recuar conforme as projeções.

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) conservou a Selic no patamar de 10,5% ao ano, conforme esperado pelos investidores. A decisão foi unânime. “A  principal característica do comunicado está no balanço de riscos, que foi modificado. Antes simétrico, com dois vetores de baixa e dois de alta inflacionária, agora conta com três vetores de alta e dois de baixa inflacionária”, pontua Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital.

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Apesar da alteração no balanço de riscos, o texto não trouxe sinais claros para uma alta de juros em setembro. “O comunicado mantém uma margem de dúvida tanto para aqueles que esperam uma alta quanto para os que preveem manutenção. Com o tempo, as entrevistas do Banco Central e de seus dirigentes, incluindo o presidente Roberto Campos Neto, devem esclarecer suas intenções”, reforça Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

O que aconteceu para o dólar alcançar esse patamar?

A alta da moeda americana reflete uma série de dinâmicas complexas que incluem a política monetária global, as condições fiscais no Brasil e as tensões geopolíticas, segundo os especialistas.

O chefe-estrategista do grupo Laatus, Jefferson Laatus, aponta que a atual valorização do dólar está ligada à saída de divisas do Brasil e ao desmonte de posições no iene japonês, resultado de uma política monetária mais frouxa no Japão. Laatus ressalta que a falta de medidas fiscais mais rígidas por parte do governo brasileiro também contribui para a pressão sobre o real. A queda nos preços das commodities, das quais o Brasil é um dos maiores exportadores, acentua ainda mais o impacto na moeda brasileira.

Na mesma linha, Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, acredita que a valorização do iene está gerando uma saída de capital de outras moedas, incluindo o real. A queda do real abaixo de R$ 5,70, afirma ela, aciona vendas automáticas de ativos, enquanto dados econômicos fracos dos EUA e a manutenção de juros baixos pelo Copom tornam o real menos atraente para investidores. A necessidade de resultados fiscais e monetários concretos para restaurar a confiança também pesa sobre a moeda brasileira, conforme a líder.

Mas José Alfaix, economista da Rio Bravo, observa que a recente elevação do dólar é um reflexo da deterioração na percepção de risco do mercado. Para ele, o mercado esperava uma postura mais rigorosa do Copom, e a interpretação de que a taxa de juros permaneceria baixa adicionou ceticismo sobre o cumprimento das metas fiscais, pressionando o real.

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A alta do dólar é atribuída por André Colares, CEO da Smart House Investments, a uma “tempestade perfeita” de fatores, incluindo a instabilidade fiscal no Brasil e o potencial alastramento do conflito no Oriente Médio após eventos recentes. Esses elementos combinados, diz ele, contribuem para a valorização do dólar em relação a várias moedas emergentes.

Em outro ângulo, Alex Andrade, CEO da Swiss Capital Invest, observa que a estabilidade nas taxas de juros nos EUA e a expectativa de cortes futuros estão incentivando a fuga de capital do Brasil. Investidores estão observando oportunidades mais atraentes nos Estados Unidos, resultando em uma menor presença de capital estrangeiro no Brasil.

Em contrapartida, Fábio Murad, sócio da Ipê Avaliações, não acredita em um só culpado. Ele resume que a alta do dólar para R$ 5,70 é o resultado de tensões geopolíticas no Oriente Médio, incertezas quanto à política monetária dos EUA e a percepção de risco fiscal no Brasil. A decisão do Copom de manter a taxa de juros inalterada e a falta de uma política de ajuste fiscal eficaz também contribuíram para a desvalorização do real, reforçando a busca por ativos seguros como o dólar.

*Com informações do Broadcast

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