

As ações da Eletrobras (ELET3;ELET6) disparam no Ibovespa nesta sexta-feira (28) após a empresa informar que concluiu acordo com a União sobre a disputa relacionada aos direitos de voto na companhia. Às 13h51, os papéis ELET3 disparam 4,19% a R$ 38,81, enquanto os ELET6 sobem 3,59% a R$ 42,75, entre as maiores altas do índice da B3.
Após as negociações, foi mantida a limitação de 10% no poder de voto para qualquer acionista. O governo federal terá o direito de indicar três dos dez membros do conselho de administração, desde que cumpram os requisitos de elegibilidade estabelecidos no estatuto da companhia. Esse direito será mantido enquanto o governo detiver mais de 30% das ações com direito a voto.
Por outro lado, a Eletrobras deixará de ter a obrigação de aportar recursos para a construção da usina nuclear de Angra 3. As partes interessadas solicitarão ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que estruture uma nova modelagem para o projeto de conclusão do empreendimento.
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O governo brasileiro também se comprometeu a apoiar a Eletrobras em um possível processo de desinvestimento de sua participação na Eletronuclear, buscando um potencial comprador. O acordo de investimentos com a ENBPar, estatal controladora da Eletronuclear e de Itaipu binacional, ficará suspenso a partir da assinatura do termo de conciliação.
De acordo com a Eletrobras, o termo será posteriormente submetido à deliberação da assembleia geral da companhia e à homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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Analistas do mercado viram o anúncio de forma positiva. Para o Itaú BBA, o “carnaval chegou mais cedo” para a companhia. “Consideramos os termos do acordo muito positivos para a Eletrobras, pois eliminam a obrigação de capitalizar a Eletronuclear caso o governo decida seguir adiante com a construção de Angra 3, além de manter o limite de 10% no direito de voto para qualquer acionista”, ressalta a equipe liderada pelo analista Marcelo Sá.
O banco reiterou sua recomendação outperform (equivalente à compra) para a ação, ressaltando que o papel deve reagir muito positivamente à notícia. O BBA tem preço-alvo de R$ 54,93 para o ativo ELET3, o que representa um potencial de valorização de 47,46% frente ao último fechamento.
O Goldman Sachs foi outra casa de análise que apreciou o acordo. “Nas conversas com investidores, a revisão do compromisso da Eletrobras com a conclusão do projeto de Angra 3 tem sido um dos principais fatores de influência para o mercado. Assim, consideramos a notícia de hoje como positiva”, afirma.
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Olhando adiante, o banco acredita que o foco do mercado estará na perspectiva de pagamentos de dividendos – que, em sua visão, dificilmente aumentarão de forma significativa no curto prazo –, na capacidade da empresa de alocar capital com retornos atrativos (especialmente na melhoria da rede de transmissão existente), na venda adicional de ativos e no avanço de sua agenda de eficiência operacional.
O Goldman mantém recomendação de compra para a Eletrobras, destacando que a empresa negocia com a maior Taxa Interna de Retorno (IRR) real – em torno de 14,5% – do setor de utilities (energia elétrica e saneamento básico), dentre as companhias de sua cobertura. O seu preço-alvo para ELET3 é de R$ 48 e para ELET6 é de R$ 53.
A Ativa Investimentos, por sua vez, acredita que o tão aguardado acordo até pode pressionar um pouco o fluxo de caixa livre da Eletrobras no curto prazo, mas entende que a companhia tem saúde financeira para sustentar a subscrição proposta. A corretora também enxerga que a empresa não observará grande impacto na sua alavancagem e ganhará tempo para seguir discutindo com o governo os próximos passos envolvendo a Eletronuclear.
Sobre o ponto de a participação do governo no conselho de administração da empresa aumentar de dois para três membros (de um total de dez cadeiras), a Ativa vê um impacto neutro. “Movimento era esperado e o importante para Eletrobras é que isto não mudará o seu status quo de companhia de capital disperso, com seus acionistas podendo dispor de, no máximo, 10% de poder de voto em assembleias de acionistas”, pontua a corretora, que tem recomendação de compra para ELET6 e ELET3, com preços-alvo de R$ 59 e R$ 54, respectivamente.
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Para Bernardo Viero, analista da Suno, o acordo elimina incertezas e impulsiona a empresa a se tornar uma “grande pagadora de dividendos”, dado que a gestão de caixa deve se tornar mais flexível com a diminuição na perspectiva de investimentos.
“Em suma, entendemos que o acordo é positivo, pois, dando em troca cargos de conselho sem poder real nos negócios (voto vencido), a Eletrobras preservou seu principal mecanismo de proteção contra uma possível retomada do controle ou influência relevante na empresa por parte da União, também se desvinculando de investimentos onerosos e com retornos dúbios em Angra 3, obra que estimamos necessitar de um montante próximo de R$ 20 bilhões para ser concluída”, diz Viero.