ETFs atrelados a índices da B3 acumularam altas de até 63% em 2025. (Imagem: Adobe Stock)
A renda variável voltou a entregar retorno relevante em 2025 e os números da B3 mostram o caminho percorrido. Entre os fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês) negociados em Bolsa, as altas chegaram a 63% no ano, com destaque para setores tradicionais, estratégias de diversificação e produtos que permitem acesso direto a teses bem definidas. O dado ajuda a entender por que os ETFs ganharam espaço nas carteiras e o papel desse tipo de alocação em 2026.
O melhor desempenho ficou com o índice de Utilidade Pública, que reúne ações de empresas de energia elétrica, saneamento básico e gás natural. O indicador avançou 63,16% em 2025 e pode ser acessado pelo ETF UTLL11. Trata-se de um grupo de companhias com receitas reguladas e fluxo de caixa previsível, combinação que atraiu o investidor ao longo do ano. A seguir, confira o ranking completo.
Posição
Rentabilidade dos índices mais rentáveis da B3 em 2025 que contam com ETFs
Ticker dos ETFs de renda variável que seguem os índices B3
Índices B3
Código
Retorno %
1
Utilidade Pública
UTIL
63,16
UTLL11
2
Ibov. BR+ Cap 5%
IBBC
49,02
CAPE11
3
Financeiro
IFNC
46,21
FIND11
4
Ibov. Empresas Privadas
IBEP
42,9
SPVT11
5
Ibov. Smart Low Vol
IBLV
40,89
LVOL11
6
Ibov. BR+ EW
IBBE
40,74
EWBZ11
7
Carbono Eficiente
ICO2
40,59
ECOO11
8
ISE – Sustentabilidade Empresarial
ISEE
35,41
ISUS11
9
Ibovespa
IBOV
33,95
BBOV11, BOVA11, BOVB11, BOVS11, BOVV11, BOVX11, IBOB11 e XBOV11
10
IGC Trade
IGCT
33,7
GOVE11
11
IBRX Brasil
IBXX
33,45
BRAX11
12
IBRX 50
IBXL
32,11
PIBB11
13
Ibov. Smart Dividendos
IBSD
31,45
NDIV11 e NSDV11
14
Small Cap
SMLL
30,7
SMAB11, SMAC11 e SMAL11
15
Ibovespa B3 BR+
IBBR
30,45
B3BR11, BRAZ11 e NBOV11
16
Dividendos B3
IDIV
29,99
DIVO11 e DIVD11
17
IDiversa B3
IDVR
28,85
DVER11
18
Ibov. High Beta
IBHB
24,25
HIGH11
19
IFIX Liquidez
IFIL
20,46
XFIX11
20
Materiais Básicos
IMAT
11,61
MATB11
Na sequência aparece o Ibovespa BR+ Cap 5%, com valorização de 49,02%. O índice combina ações negociadas no Brasil e Brazilian Depositary Receipts, os BDRs, que são recibos de ações de companhias brasileiras listadas no exterior. A metodologia limita o peso de cada empresa a 5% da carteira, reduzindo concentração e distorções. A exposição ocorre via ETF CAPE11. Em terceiro lugar está o índice Financeiro, que subiu 46,21%, refletindo o desempenho de bancos, seguradoras e intermediários financeiros, movimento acompanhado pelo ETF FIND11.
Completam o grupo dos cinco mais rentáveis o Ibovespa Empresas Privadas, que mede o desempenho de companhias de capital privado com maior liquidez e avançou 42,90%, e o Ibovespa Smart Low Vol, estratégia que seleciona ações com menor volatilidade histórica e rendeu 40,89% em 2025. Juntos, os dados mostram que o mercado premiou tanto setores essenciais quanto carteiras desenhadas para reduzir oscilações, uma espécie de “volatilidade com cinto de segurança”.
Os ETFs funcionam como fundos de investimento negociados em bolsa que replicam o desempenho de um índice de referência. Na prática, o investidor compra uma cota e passa a ter exposição automática a uma carteira diversificada de ações, negociando no pregão como se fosse uma ação individual. Para Hênio Schedit, gerente de Índices da B3, a combinação de simplicidade e flexibilidade explica a expansão do produto.
“Os ETFs se destacam por combinar diversificação, simplicidade operacional e custos reduzidos. A negociação ocorre ao longo do pregão e os produtos podem ser usados tanto em estratégias de longo prazo quanto em alocações táticas, acompanhando setores, fatores ou temas representados pelos índices”, afirma Schedit.
Em 2026, a renda variável volta ao centro das carteiras e os números de 2025 mostram que os ETFs ganharam espaço como instrumento direto de exposição à Bolsa, com liquidez, diversificação e acesso aos índices que concentraram os maiores retornos do ano.