

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta segunda-feira (24) em forte alta, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pode conceder “várias pausas em tarifas para diversos países”, reforçando as expectativas do mercado de uma certa flexibilidade do governo americano em suas política comercial. Trump, entretanto, informou que anunciará mais tarifas “em breve” sobre carros, aço, alumínio e fármacos. Os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries), o dólar e o bitcoin também subiram hoje.
O índice Dow Jones fechou em alta de 1,42%, aos 42583,32 pontos; o S&P 500 subiu 1,76%, aos 5767,57 pontos e o Nasdaq avançou 2,27%, ao 18188,59 pontos. Os dados são preliminares.
Destaque do dia, as ações da Tesla subiram quase 12%, depois que circulou no mercado a informação de que a empresa está prestes a lançar na China seu sistema de assistência ao motorista de nível mais alto, chamado de Full Self Driving (FSD). Nos últimos dias, membros do governo Trump, inclusive o próprio presidente, incentivaram as compras de ações da companhia de Elon Musk.
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Hoje, a BYD informou que superou em 2024 a Tesla em receita. As ações da Nvidia subiram 3,15%, impulsionadas por relatos do Wall Street Journal de que a imposição de tarifas sobre chips importados para os EUA não deverão ser anunciadas na próxima semana. A MicroStrategy subiu 7,2%, após a empresa anunciar uma nova rodada de compra de bitcoins.
Já a Lockheed Martin caiu mais de 1%, ampliando as perdas de sexta-feira, quando as ações do contratante de defesa caíram quase 6%, após a empresa perder para a Boeing o contrato do próximo caça da Força Aérea dos EUA. As ações da Boeing subiram 1,57%.
Juros dos EUA sobem
Os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos chegaram ao fim desta tarde em alta, em linha com as bolsas de Nova York, após a melhora do ambiente ao risco com informações de que a administração do presidente Donald Trump estaria fazendo concessões em sua abordagem em relação às tarifas que entrarão em vigor em 2 de abril.
Neste fim de tarde desta segunda-feira, o juro da T-note de 2 anos aumentava para 4,038%. O rendimento do título de 10 anos subia para 4,335%, enquanto a taxa do T-bond de 30 anos avançava para 4,660%.
Trump afirmou que pode conceder “várias pausas em tarifas para diversos países”, reforçando as expectativas do mercado de uma certa flexibilidade do governo americano em suas política comercial. Trump, entretanto, informou que anunciará mais tarifas “em breve” sobre carros, aço, alumínio e fármacos.
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De acordo com Ian Lyngen, do BMO Capital Markets, “os investidores estão compreensivelmente cautelosos com cada manchete que possa remodelar o debate sobre tarifas”. “Um dos pontos mais relevantes desse processo é que o único tema unificador tem sido a incerteza”, afirma. Mesmo que toda a agenda tarifária de Trump fosse conhecida, explica o estrategista de renda fixa, o mercado não tem confiança de que não haverá mais tarifas ao longo dos próximos quatro anos e de que não existe possibilidade de um conjunto de novas tarifas ser revertido ou eliminado.
“Essas incertezas são especialmente preocupantes para os investidores, e a estratégia resultante tem sido adiar decisões até que haja mais informações disponíveis”, diz Lyngen. Pela manhã, os juros dos Treasuries aceleraram o movimento de alta após a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços da S&P Global, que avançou para 54,3 na medição preliminar deste mês, superando as expectativas dos investidores.
Moedas Globais: dólar sobe
O dólar opera em alta, impulsionado pela postura mais cautelosa do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação às tarifas comerciais. A moeda se apreciou após a divulgação do PMI americano preliminar, que indicou sinais de resiliência na economia, reforçando as expectativas de que a desaceleração econômica prevista possa ser mais gradual do que temido.
O índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançou 0,17%, para 104,262 pontos. O dólar se valorizava a 150,57 ienes, enquanto o euro caía para US$ 1,0809, e a libra esterlina avançava para US$ 1,2925.
Na sexta-feira, Trump sugeriu que poderia haver flexibilidade nas tarifas recíprocas planejadas para entrar em vigor em 2 de abril. Hoje, ele afirmou que nem todas as tarifas começarão nesse dia e que poderia conceder várias pausas nas tarifas para diversos países.
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No cenário econômico, o PMI de março mostrou o maior nível do índice em três meses, refletindo um avanço inesperado no setor de serviços, o que reforçou a confiança na economia dos EUA.
Na Europa, o euro perdeu parte de seus ganhos após o PMI de serviços e manufatura da zona do euro ficar abaixo das expectativas. Já a libra esterlina teve um pequeno aumento após dados de serviços do Reino Unido superarem as projeções, o que oferece boas perspectivas para o governo britânico antes da apresentação do orçamento na quarta-feira, segundo o economista da S&P, Chris William. No entanto, ele alertou que um único PMI positivo não é indicativo de uma recuperação definitiva.
Além disso, o chefe de Comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, se reunirá amanhã com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e com o representante americano, Jamieson Greer, para discutir as tarifas. O ING aponta que, caso as negociações fracassem, a imposição de tarifas recíprocas pode reduzir o crescimento do PIB da UE em 0,3% no curto prazo.
Bitcoin sobe mais de 4%
O bitcoin segue em alta, impulsionado pelo crescente apetite por risco após sinalizações de que as tarifas recíprocas podem ser menos agressivas do que o mercado temia. Na sexta-feira, o presidente Donald Trump indicou que poderia haver “flexibilidade” nas tarifas planejadas para 2 de abril e, hoje, disse que poderá conceder “várias pausas em tarifas para diversos países”.
Por volta das 16h (horário de Brasília), o bitcoin avançava 4,07%, cotado a US$ 88.423,27, enquanto o Ethereum subia 4,93%, a US$ 2.085,07, segundo dados da Binance.
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Patrick Munnelly, do Tickmill Group, diz que o mercado está confiante nas sinalizações de que as tarifas serão mais direcionadas, ao invés de uma abordagem global – o que alimentou o apetite por risco no mercado. Apesar disso, traders chamam a atenção para pontos de cautela, com autoridades da China e da Austrália alertando para os potenciais efeitos negativos nas economias globais devido às políticas comerciais dos EUA, segundo Munnelly.
Dados da CoinShares apontam uma reversão positiva no mercado, com entradas de US$ 644 milhões na semana passada, após cinco semanas de saídas. O bitcoin liderou a reversão com entradas de US$ 724 milhões, após saídas acumuladas de US$ 5,4 bilhões nos cinco períodos anteriores.
Em um movimento estratégico, a empresa Strategy anunciou nova aquisição, de mais 6.911 bitcoins por cerca de US$ 584 milhões, ou aproximadamente US$ 84.529 por unidade. Com isso, a empresa agora detém 506.173 bitcoins, avaliados em mais de US$ 44 bilhões.
No cenário geopolítico, investidores seguem atentos às negociações entre representantes americanos e russos na Arábia Saudita, que buscam um acordo de cessar-fogo para o conflito na Europa Oriental, enquanto a tensão no Oriente Médio continua a ser monitorada.
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*Com informações da Dow Jones Newswires