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As bolsas de Nova York fecharam em sinais divergentes nesta quarta-feira (26), após o presidente dos EUA, Donald Trump, indicar tarifas sobre a União Europeia e a reafirmação da política tarifária contra o Canadá e o México. Investidores também continuam atentos às negociações de paz na Ucrânia e à exploração de minérios no país pelos americanos, além de aguardarem os dados econômicos dos EUA, previstos para amanhã. A Nvidia se recuperou e subiu 3,67% antes de divulgar balanço após o fechamento. O dólar também operou sem sinal único, enquanto os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) e o bitcoin recuaram.
O índice Dow Jones caiu 0,43%, a 43,434,29 pontos e o S&P 500 teve leve alta de 0,01%, a 5.956,12 pontos. Já o índice Nasdaq conseguiu se recuperar e avançou 0,26%, a 19.075,26 pontos. O índice de volatilidade VIX, conhecido como o “termômetro do medo de Wall Street”, chegou a cair mais de 8% na sessão.
Mais cedo, Trump indicou que pretende impor tarifas de 25% sobre importações da União Europeia, como automóveis, e antecipou que o bloco pode adotar retaliações contra os EUA. Segundo o BMO Capital Markets, a aversão ao risco e as incertezas sobre as políticas de Trump pode ter impulsionado a busca por segurança nos mercados. Amanhã, o Departamento de Trabalho dos EUA divulga dados sobre pedidos de auxílio-desemprego, e o Departamento do Comércio apresenta a revisão do PIB e do PCE. A Super Micro Computer subiu 12,23% após apresentar relatórios financeiros atrasados e manter sua listagem na Nasdaq. A Amazon anunciou uma atualização de IA para a Alexa, com suas ações fechando em alta de 0,68%, após registrar uma alta de mais de 2% durante o dia.
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A Tesla estendeu a queda de ontem e cedeu 3,96% após reportar queda nas vendas na Europa, enquanto a General Motors subiu 3,75% com o anúncio de recompra de ações. Após o anúncio de cortes de 10% no quadro de funcionários, a Flyware despencou 37,36%, e rumores sobre a Alphabet, controladora da Google, também reduzir seu pessoal levaram as ações a cair 1,53%. O setor aéreo foi impulsionado pela elevação da recomendação da American Airlines (+0,33%) por um analista. A Southwest (+1,45%) e a United (+0,85%) também fecharam o dia em alta.
Juros dos EUA operam em queda
Os rendimentos dos Treasuries operaram em queda no fim da tarde, pela sexta sessão consecutiva, com fuga de ativos de risco, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas sobre a União Europeia e reafirmar a política tarifária contra Canadá e México. Investidores também seguem atentos às negociações de paz e à exploração de minérios na Ucrânia, além de aguardarem dados econômicos dos EUA previstos para amanhã.
Neste fim de tarde, o retorno da T-note de 2 anos recuava a 4,074%, o rendimento de 10 anos tinha queda a 4,251% e o juro do T-bond de 30 anos caía a 4,511%.
Mais cedo, Trump anunciou que pretende aplicar tarifas de 25% sobre importações da União Europeia, como automóveis e outros produtos. O presidente republicano também declarou que espera que o bloco econômico retalie com tarifas contra os Estados Unidos e reiterou que aplicará tarifas em 2 de abril, sem especificar quais tarifas serão impostas na data.
O BMO Capital Markets ressalta que “o clima de aversão ao risco e as incertezas sobre os impactos das políticas de Trump criam um cenário favorável para a demanda pelos Treasuries”. A instituição também aponta que há espaço para uma “nova queda nos rendimentos no curto prazo”, já que os dados de “pedidos de auxílio-desemprego de amanhã representam um risco chave para os Treasuries, com a recente alta nos pedidos e o crescente número de demissões ligadas aos esforços do Doge”.
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Ontem, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que, com a implementação das políticas de Trump, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos “devem naturalmente cair”, e que o governo está focado em “aumentar a atratividade” dos títulos.
Durante a tarde, um leilão do Departamento do Tesouro de US$ 44 bilhões em T-notes de 7 anos, com rendimento de 4,194% e demanda ligeiramente abaixo da média, contribuiu para a pressão sobre os rendimentos, acentuando o movimento de queda nos Treasuries.
Moedas Globais: dólar opera misto
O dólar operou com sinais divergentes em relação a outras moedas fortes, com o mercado focado na política tarifária dos EUA, após a promessa de Trump de impor tarifas de 25% à União Europeia. A moeda americana foi levemente sustentada pelo anúncio de investigações sobre o cobre, que podem resultar em anúncio de tarifas sobre o metal, e pela aprovação de um plano orçamentário pela Câmara dos EUA. Investidores também acompanham a possível assinatura de um acordo sobre a exploração de minérios pelos EUA na Ucrânia, como parte das negociações para encerrar o conflito com a Rússia.
O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, fechou em alta de 0,10%, a 106,416 pontos, com a moeda americana recuando a 148,98 ienes. O euro, por sua vez, caía a US$ 1,0490, e a libra operava em alta a US$ 1,2681. O dólar americano recuou a 20,4266 pesos mexicanos e avançou a 1,4339 dólares canadenses.
Trump anunciou a intenção de impor tarifas de 25% sobre importações da União Europeia, como automóveis, e afirmou esperar retaliações, com a aplicação das tarifas prevista para 2 de abril, sem detalhes sobre os produtos a serem afetados. Ontem, o Partido Republicano aprovou uma proposta orçamentária na Câmara dos EUA, com US$ 4,5 trilhões em cortes de impostos e US$ 2 trilhões em redução de gastos. No mesmo dia, Trump assinou uma ordem executiva para investigar tarifas sobre o cobre.
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O ING observou que o dólar teve alívio temporário com o anúncio sobre o cobre e após a aprovação do plano orçamentário, afirmando que “o foco na política fiscal pode dar um fôlego ao dólar e desviar a atenção da desaceleração da atividade do consumidor até que as tarifas voltem ao centro das atenções na próxima semana”. A Casa Branca espera a assinatura do acordo de minerais com a Ucrânia até sexta-feira, com Trump se reunindo com Zelensky. Trump, porém, negou que oferecerá garantias de segurança à Ucrânia e disse que precisa conversar com a Rússia antes de aliviar sanções. Hoje, Swati Dhingra, do BoE, disse que o impacto das tarifas dos EUA no Reino Unido depende de como as empresas repassarão os custos, enquanto Tom Barkin, do Fed, repetiu o mesmo discurso de ontem.
Bitcoin prolonga queda
O preço do bitcoin voltou a ceder, em um mercado que carece de novos catalisadores para retomada de alta após o ímpeto com as perspectivas de um ambiente mais favorável sob o governo de Donald Trump. Os investidores avaliam uma série de dados econômicos e as perspectivas de tensões comerciais com anúncio de tarifas da Casa Branca, o que motiva a retração de posições em ações de tecnologia com preços elevados e outros ativos mais arriscados como criptomoedas.
Nas 24 horas até as 17h04 (de Brasília), o bitcoin caía 4,03%, a US$ 83.911,57,20, e o ethereum perdia 6,5%, a US$ 2.4309,45, de acordo com a Binance.
Mesmo com o recuo, o bitcoin segue acima do patamar de US$ 68 mil visto no dia 4 de novembro, antes da eleição de Trump. Desde que assumiu, o presidente tem lidado com diversos temas, sobretudo, com anúncios de tarifas, vistas por alguns analistas como ferramentas para negociação de acordos comerciais ou como medidas que devem ser efetivamente implementadas para estimular as indústrias americanas pressionadas por produtos importados.
Nos mercados acionários, os investidores aguardam o balanço da Nvidia, cujas ações ensaiam uma recuperação antes do resultado previsto para após o fechamento da sessão de Nova York.
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*Com informações da Dow Jones Newswires