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Tempo Real

Veja o fechamento das Bolsas de NY, juros dos EUA e dólar hoje na véspera do payroll

Investidores esperam que relatório mostre um mercado de trabalho menos aquecido nos EUA

Por Patricia Lara, Matheus Andrade e Thais Porsch

02/07/2025 | 17:26 Atualização: 02/07/2025 | 17:28

Wall Street (Foto: Adobe Stock)
Wall Street (Foto: Adobe Stock)

As bolsas de Nova York voltaram a fechar com desempenhos divergentes nesta quarta-feira (2), na véspera da divulgação do relatório payroll. Circundado pela expectativa de enfraquecimento, o relatório do mercado de trabalho pode mexer com a expectativa de alívio monetário nos Estados Unidos. O Dow Jones ficou travado após o salto de 400 pontos ontem. O S&P 500 e Nasdaq retomaram os ganhos, o que fez com que os índices renovassem máximas históricas no fechamento. Ações de empresas com grandes centros de produção no Vietnã subiram após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar acordo comercial com o país. Os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries), por sua vez, subiram, enquanto o dólar recuou.

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O Dow Jones fechou em baixa de 0,04%, aos 44.484,42 pontos. O S&P 500 ganhou 0,47%, aos 6.227,42 pontos e o Nasdaq fechou com avanço de 0,94%, aos 20.393,13 pontos, com ambos em máximas históricas.

A expectativa para o relatório do mercado de trabalho americano de junho é de criação de 110 mil postos no mês, de acordo com o Projeções Broadcast. O dado sai amanhã e o mercado absorveu hoje sem sobressaltos uma contração inesperada no relatório de emprego privado ADP diante da baixa correlação positiva dos indicadores. “Suspeito que as empresas estejam se tornando significativamente mais cautelosas”, escreveu Stephen Stanley, economista-chefe para os EUA do Santander, que tem o piso das projeções compiladas pelo Broadcast: 70 mil.

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A agenda tarifária de Trump moveu hoje com ações de empresas expostas ao Vietnã após acordo. A Nike disparou 4% e a On Holding ganhou 2,7%. Cerca de 90% dos tênis da On são fabricados no Vietnã, de acordo com a informações da companhia.

A Tesla terminou em alta de 4,97%, após a unidade na China conseguir vender 71.599 veículos no atacado em junho, revertendo oito meses consecutivos de queda anual. O dado amenizou o impacto do tombo das vendas globais no segundo trimestre.

Os bancos também foram destaque entre as altas, em meio a uma onda de anúncios de elevação de dividendos na esteira de um teste de estresse conduzido pelo Federal Reserve (Fed). No setor, o JPMorgan subiu 0,55%, o Morgan Stanley, 1,27% e o Wells Fargo, 1,07%. O Bank of America ganhou 1,16%.

As ações de seguros de saúde foram duramente atingidas, puxadas por uma queda de 40% na Centene, após a empresa retirar sua previsão para 2025, citando tendências do mercado de seguros que diferiam de suas suposições.

Juros dos EUA avançam

Os juros dos Treasuries operaram em alta hoje, na véspera da divulgação do payroll de junho, quando é esperado que o número de criação de vagas nos Estados Unidos ofereça sinais para os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) em sua trajetória. Além da divulgação do relatório de empregos privados ADP, que impactou no mercado ainda que analistas rechacem sua ligação com a principal folha da pagamentos, o dia contou com o anúncio de um acordo comercial com o Vietnã pelo presidente Donald Trump.

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Por volta das 17h (horário de Brasília), o juro da T-note de 2 anos subia a 3,782%. O rendimento da T-note de 10 anos avançava a 4,282%, enquanto o T-Bond de 30 anos avançava para 4,810%.

O setor privado dos Estados Unidos eliminou 33 mil empregos em junho, segundo a pesquisa ADP. Analistas consultados pela FactSet previam geração de 115 mil postos de trabalho neste mês. A Pantheon classificou como “implausível” a queda no número de empregos do setor privado reportada pela ADP em junho e afirmou que o dado “diz muito pouco” sobre o relatório oficial de emprego dos EUA. “A trajetória de previsões da ADP é desastrosa”, disse.

“O ADP é um péssimo indicador de folha de pagamento, mas ainda é amplamente monitorado. Há um mês, o ADP previu uma folha de pagamento fraca e errou. Como resultado, os rendimentos e o dólar subiram bastante. Desta vez, o ADP está ainda mais fraco, então estamos nos preparando para o mesmo tipo de coisa”, escreveu o sênior fellow do Instituto Brookings, Robin Brooks, em sua conta no X.

Amanhã, em um dos dois dados cruciais antes do Fed de julho, o relatório do mercado de trabalho americano de junho deve evidenciar uma desaceleração das vagas criadas à luz da ruidosa agenda tarifária de Trump. Analistas esperam a criação de 110 mil postos no mês, de acordo com a mediana de 25 projeções compiladas pelo Projeções Broadcast. As projeções vão de 70 mil a 160 mil. Caso se confirme, o número da mediana representará uma desaceleração, depois da criação de 139 mil postos no mês anterior.

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A Capital Economics alerta que, com o fim da trégua comercial do governo Trump marcada para 9 de julho, há risco de que “tarifas enormes” entrem em vigor para países que não firmaram acordos com os Estados Unidos. “Suspeitamos que novas concessões de última hora serão feitas para permitir extensões para a maioria dos países”, diz. “Mas alguns dos ‘piores infratores’ podem ser alvo de medidas punitivas.”

Moedas globais: dólar mantém fraqueza

O dólar se mantinha fraco a medida que investidores digeriam a sinalização de um mercado de trabalho menos aquecido nos EUA. A moeda, contudo, era negociada em alta ante o iene e próximo da estabilidade frente ao euro. A libra esterlina tinha queda com embate no governo britânico.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou em queda de 0,04%, a 96,776 pontos. Por volta das 16h50 (horário de Brasília), o dólar subia a 143,65 ienes, o euro se depreciava a US$ 1,1800 e a libra tinha baixa a US$ 1,3630.

O recuo da libra ocorre após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, não responder se a ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves permanecerá no cargo após o projeto de lei de bem-estar do Partido Trabalhista, que tinha plano de reduzir os gastos no setor, ser aprovado ontem à noite com “dramáticas alterações” para acalmar a oposição dentro do próprio partido. Reeves não ofereceu sua renúncia e “não vai a lugar nenhum”, afirmou um porta-voz de Downing Street.

Enquanto isso, o dólar perdeu força com a divulgação do relatório ADP sobre criação de empregos no setor privado dos EUA, o qual veio com uma surpreendente estimativa negativa. O mercado ainda pondera a incerteza em relação à política comercial de Washington antes de 9 de julho, data de expiração da prorrogação de 90 dias das chamadas tarifas “recíprocas” do presidente Donald Trump, e as expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) comece a cortar as taxas de juros nos próximos meses.

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A fraqueza do dólar em junho foi mais fácil de explicar do que a queda em abril e maio, uma vez que – diferentemente desses meses – foi acompanhada por uma mudança nos rendimentos dos Treasuries, o que poderia ter sido esperado para pesar sobre a divisa americana, diz a Capital Economics. Mesmo assim, ainda há muita fraqueza residual na moeda, acrescenta a consultoria.

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