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Tempo Real

Veja o fechamento das Bolsas de NY, juros dos EUA e dólar após nova retaliação da China

Mercado segue cauteloso diante das tensões comerciais e a nova resposta da gigante asiática às tarifas de Trump

Por Poliana Santos e Pedro Teixeira

11/04/2025 | 17:50 Atualização: 11/04/2025 | 17:50

Wall Street (Foto: Adobe Stock)
Wall Street (Foto: Adobe Stock)

As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta sexta-feira (11) em alta, em movimento de recuperação das perdas da véspera e com bancos em foco após resultados. O JPMorgan saltou depois de resultado acima do esperado. Apesar do alívio no curto prazo, o sentimento geral segue cauteloso diante das tensões comerciais, que trouxeram nova retaliação por parte da China. Os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) também subiram hoje, enquanto o dólar caiu pelo quarto dia seguido ante as moedas globais.

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O Dow Jones subiu 1,56%, aos 40.212,17 pontos; o S&P 500 avançou 1,81%, aos 5.363,36 pontos; e o Nasdaq teve alta de 2,06%, aos 16.724,46 pontos. Os dados são preliminares. No acumulado da semana, o saldo foi positivo: o Dow Jones ganhou quase 5%, o S&P 500 subiu 5,7% e o Nasdaq avançou (7,3)%.

No setor de tecnologia, o destaque negativo foi o segmento de semicondutores, que reagiu mal ao anúncio da China de tarifas para produtos nos EUA. Texas Instruments caiu 5,8%, pressionada pelos resultados fracos nos últimos trimestre e a Intel (-0,7%) também recuou. Já Qualcomm (+3,6%) conseguiu se descolar das perdas.

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A Apple subiu 4%, tentando se recuperar da forte queda recente. A ação, no entanto, acumula perda de 21% em 2025.

No setor financeiro, a temporada de balanços começou com o JPMorgan superando as expectativas e subindo 4%, mesmo após elevar provisões para perdas com crédito. Morgan Stanley e BlackRock divulgaram resultados mistos e também avançaram.

Já o ouro superou a marca de US$ 3.200 por onça-troy, impulsionando mineradoras como AngloGold (+10%), Harmony Gold (+6,5%) e Newmont (+7,9%).

Os dados econômicos do dia trouxeram certo alívio: o índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA caiu, contrariando a expectativa de alta. O núcleo do indicador também veio abaixo das projeções. Ainda assim, o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan caiu para 50,8, bem abaixo da previsão de 55, sinalizando fragilidade na confiança dos consumidores.

Juros dos EUA voltam a subir

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos chegaram ao fim desta sexta-feira em alta, embora tenham desacelerado em relação às máximas intradiárias. A liquidação dos Treasuries de 10 anos ganhou força com a leitura preliminar de abril do índice de sentimento do consumidor dos EUA, que caiu mais que o esperado, e veio acompanhado de piora das expectativas de inflação. O movimento levou o rendimento desses títulos a ultrapassar os 4,5% pela primeira vez desde fevereiro.

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Por volta das 17h00 (horário de Brasília), juro da T-note de 2 anos subia a 3,962%. O rendimento do título de 10 anos avançava para 4,474%, enquanto a taxa do T-bond de 30 anos recuava para 4,856%%.

Os rendimentos dos Treasuries têm subido mesmo com a queda nos mercados acionários, uma combinação incomum. Torsten Slok, economista-chefe e sócio da Apollo Global Management, escreve que uma das razões pode ser a venda de títulos do governo dos EUA por investidores estrangeiros, já que o iene, o euro e o dólar canadense estão se valorizando frente ao dólar americano.

Slok acrescenta que a volatilidade provavelmente está desencadeando “muita atividade de hedge”, de modo que os rendimentos em alta – que implicam queda nos preços dos títulos – podem significar “redução do risco por grandes gestores de ativos”.

Mike Cloherty, estrategista de juros do UBS, disse, no início da semana, que fundos de hedge e outros investidores institucionais provavelmente foram forçados a vender títulos para levantar caixa à medida que as ações despencavam ainda mais drasticamente. Esse pânico pode estar chegando ao fim, após a trégua parcial e temporária de 90 dias nas chamadas “tarifas recíprocas”.

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“No curto prazo, à medida que a liquidez melhora, alguns desses movimentos recentes devem se reverter. Você verá as taxas de longo prazo caírem como uma operação de normalização”, disse Cloherty. Dessa forma, é mais provável que o rendimento do título de 10 anos volte gradualmente para a casa dos 3% do que continue disparando acima de 5%, conclui.

Na sessão, o presidente do Federal Reserve (Fed) de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que existem ferramentas para aumentar a liquidez nos mercados americanos e oferecer colateral para os Treasuries, ressaltando que o BC americano pode acionar esses instrumentos caso necessário.

Moedas globais: dólar cai pelo quarto dia

O dólar chegou ao fim desta sexta-feira recuando pelo quarto dia consecutivo frente às principais moedas globais – incluindo uma queda acentuada em relação ao euro -, em meio a preocupações de que a escalada da guerra comercial dos Estados Unidos com a China possa descarrilar a economia americana e levá-la à estagflação.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,76%, para 100,102 pontos. A moeda americana se desvalorizava para 143,61 ienes, enquanto o euro avançava para US$ 1,1339 e a libra esterlina era negociada em alta, a US$ 1,3074. O DXY chegou a ceder abaixo de 100 pontos em meio às implicação da guerra comercial, após a Casa Branca afirmar, na quinta-feira, que as tarifas impostas à China somam 145%, e não 125%, como havia sido indicado anteriormente.

“Embora essa diferença seja insignificante em termos econômicos práticos, a reação do mercado mostrou uma sensibilidade crescente aos riscos de uma separação econômica desordenada entre as duas maiores economias do mundo”, disseram em nota os analistas do Deutsche Bank. Nesta sexta-feira, a China afirmou que não seguirá igualando os aumentos de tarifas por parte dos EUA. “Mesmo que os EUA continuem impondo tarifas mais altas, isso seria economicamente sem sentido e se tornaria uma piada na história da economia mundial”.

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O enfraquecimento do dólar se dá mesmo com o aumento do diferencial entre os rendimentos dos títulos dos governos dos EUA e da Alemanha, resultado de uma liquidação nos Treasuries. Normalmente, há uma correlação estreita entre esse diferencial e a taxa de câmbio, já que rendimentos mais altos são um fator-chave de atração de capital. Freya Beamish, da TS Lombard, afirma que o dólar pode se recuperar caso Trump recue ainda mais nas tarifas, mas “isso será uma enorme oportunidade para vender dólares”, acrescenta. Ela aponta o iene como uma alternativa ao dólar, embora a TS Lombard continue preocupada com as fragilidades financeiras do Japão.”

*Com informações da Dow Jones Newswires

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