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Comportamento

“Celular do ladrão” vira item obrigatório nas capitais; veja como se proteger de fraudes

Aparelho reserva ajuda a reduzir riscos, mas especialistas alertam que estratégia exige atenção a brechas e atualizações

Por Janize Colaço

07/06/2025 | 3:00 Atualização: 02/07/2025 | 17:46

Possuir um "celular do ladrão" pode ajudar a aumentar a segurança digital (Foto: Adobe Stock)
Possuir um "celular do ladrão" pode ajudar a aumentar a segurança digital (Foto: Adobe Stock)

O medo de assaltos e fraudes financeiras tem mudado a forma como os brasileiros circulam pelas ruas. Um em cada três prefere deixar o celular em casa quando há aplicativos de banco instalados no aparelho. O dado, levantado em 2024 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), confirma uma realidade que há tempos já faz parte do dia a dia de quem vive nas grandes capitais — como a professora de inglês Mariana dos Santos, de 32 anos.

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Moradora da cidade de São Paulo, ela conta que há cerca de quatro anos passou a usar dois celulares: um principal e outro de reserva. Mesmo sem ter sido vítima de assalto, o que motivou a mudança foi o aumento de relatos nas redes sociais de pessoas que, além de perderem os aparelhos, tiveram suas contas bancárias vasculhadas e, pior, não receberam reembolso dos bancos.

“Como os bandidos conseguem acessar os aplicativos e fazer transações, se tudo tem senha e são diferentes? Nunca entendi isso direito, então decidi me prevenir. Deixei o app do banco no celular que fica em casa”, contou ao E-Investidor.

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Para isso, Santos resgatou um aparelho antigo, já aposentado, mas ainda funcional. Agora, quando vai a eventos com grandes aglomerações, ela ainda usa o reserva como “celular do ladrão”, deixando o aparelho mais novo em casa. “Nesses casos, eu desinstalo o aplicativo do banco, mantendo somente o chip, apps de mensagens e localização.”

E a precaução da professora está longe de ser exagero. Só na cidade de São Paulo foram registrados, em média, 502 roubos ou furtos de celulares por dia em 2024. No total, 183.362 aparelhos foram levados, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). No estado inteiro, o número sobe para quase 318 mil ocorrências ao longo do ano, numa média de 869 celulares subtraídos por dia.

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Celular reserva é garantia de segurança?

Para especialistas em segurança, recorrer a dois aparelhos — sendo um deles dedicado exclusivamente a transações financeiras — ajuda a aumentar a segurança digital, sobretudo em crimes que envolvem sequestro-relâmpago ou engenharia social (técnica de manipulação que explora erros humanos para obter informações privadas), com acesso direto ao aparelho.

Ainda assim, não se trata de uma blindagem completa. “O risco persiste se o ‘celular ladrão’ tiver qualquer brecha: senhas salvas, aplicativos logados, chips vinculados a serviços bancários ou ausência de autenticação em dois fatores”, alerta Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Digital e Proteção de Dados.

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Laura Rocha Barros, vice-presidente de produtos da empresa de soluções de segurança digital EXA, segue a mesma linha e ressalta que a estratégia se torna realmente eficaz se for acompanhada de cuidados adicionais, como o uso de senhas fortes, ativação da autenticação em dois fatores, ajustes nos limites do Pix e controle do uso de cartões fora do horário comercial. “É como separar o cofre do restante da casa: você diminui a exposição das suas informações mais sensíveis, mas isso, por si só, não garante uma blindagem total”, reforça.

Protegendo-se das fraudes financeiras

A idade do aparelho também é um ponto de atenção na hora de escolher o “celular do ladrão”. Acontece que modelos antigos, embora sejam uma solução prática, ainda podem trazer riscos por conta de vulnerabilidades ligadas à falta de atualizações de segurança. Sem os recursos mais recentes de privacidade e proteção, esses dispositivos acabam afastando o usuário da proteção digital que ele justamente busca.

O aparelho antigo (à esquerda) fica protegido em casa, com aplicativos bancários instalados, enquanto o mais novo (à direita) assume como celular oficial de Mariana dos Santos. Foto: Arquivo pessoal

“Um aparelho com Android desatualizado, por exemplo, pode ser facilmente invadido mesmo com poucos dados. O ideal é que o celular reserva seja funcional, limpo e seguro — ainda que isso implique um custo adicional [na compra de um novo modelo]”, diz Coelho.

Além disso, ele orienta alguns procedimentos de segurança para reforçar a proteção dos aparelhos e aplicativos bancários em ambos os casos. Veja a seguir.

Celular reserva (guardado em casa) deve ser protegido com:

  • Autenticação em dois fatores (preferencialmente com tokens físicos ou apps autenticadores);
  • Acesso biométrico e senha forte;
  • Nenhuma conexão automática com nuvens de backup vulneráveis;
  • Mnima exposição a redes Wi-Fi públicas.

Celular do ladrão (usado nas ruas) deve ser o mais limpo possível:

  • Sem apps bancários, e-mails ou redes sociais logadas;
  • sSem chips com acesso à verificação por SMS;
  • Apenas apps essenciais para emergências (como telefone, Uber, WhatsApp com número alternativo, etc).

Quando o seguro é uma opção?

Hoje, muitos seguros de celular vão além da simples proteção contra roubo ou quebra, oferecendo planos que também cobrem golpes e fraudes financeiras. No entanto, especialistas ouvidos pelo E-Investidor alertam que essas modalidades mais completas costumam estar disponíveis apenas em pacotes robustos, e nem sempre acessíveis para todos os bolsos. Foi justamente isso o que desmotivou Mariana dos Santos a contratar o serviço, embora tenha considerado a ideia principalmente para proteger o aparelho fisicamente.

Para Barros, da EXA, o seguro tem seu papel, mas atua após o problema ter ocorrido, quando o aparelho já foi levado ou o prejuízo já está feito. O uso de um segundo celular, por outro lado, é uma estratégia preventiva. “O mais importante é entender que essas soluções não competem entre si, mas se complementam. O seguro protege o bem material, enquanto o celular extra ajuda a evitar o risco.”

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