A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,22%, de 13,23% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,99% para 11,96%. A taxa do DI para janeiro de 2027 encerrou em 11,92% – menor desde os 11,90% de 9/11/2022 -, de 11,98% ontem. A do DI para janeiro de 2029 passou de 12,38% para 12,30%.
Os indicadores de hoje nos Estados Unidos enfraqueceram ainda mais as apostas de alta de juro pelo Fed e colocaram na mesa apostas de queda já no encontro de julho, no total de 100 pontos-base até janeiro de 2024. O PMI de Serviços (51,2) de março caiu mais do que o esperado (54,3), de 55,1 em fevereiro. Os números da pesquisa ADP também decepcionaram, com abertura de 145 mil empregos no mês passado, ante previsão de 210 mil. A taxa da T-Note de dez anos, maior referência para os juros locais, estava em 3,30% no fim da tarde.
Internamente, as atenções estiveram voltadas à participação de Campos Neto em evento organizado pelo Bradesco BBI e almoço do Grupo Esfera. Ele exaltou o novo marco fiscal – segundo ele, a avaliação do BC é “superpositiva” – e pediu parcimônia do mercado nas cobranças por maior ênfase do governo no corte de despesas. “Reconhecemos o esforço. Vamos observar como vai passar o processo de aprovação no Congresso, se vai ter modificação”, acrescentou o presidente do BC. De imediato, porém, julgou que o risco de explosão da dívida saiu do radar.
Mas isso não necessariamente representou para o mercado uma sinalização de afrouxamento da política monetária, uma vez que ao mesmo tempo ele voltou a enfatizar que o custo de combater a inflação é alto no curto prazo, mas o de não fazê-lo é ainda pior. Repetiu ainda que o arcabouço não tem relação mecânica com juros e defendeu a autonomia do BC como instrumento importante contra pressões políticas.
“Embora ele tenha reforçado a necessidade de se manter a Selic em 13,75% e a importância da ancoragem das expectativas, o mercado está se posicionando de outra maneira. De que o arcabouço poderá ser suficiente para o BC começar a sinalizar o afrouxamento”, afirmou a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.
Também presente ao evento do Bradesco BBI, o ex-diretor do BC e diretor de investimentos da Ibiuna, Rodrigo Azevedo, disse que a leitura dos que apostam em cortes na Selic neste ano é a de que a reação da autoridade monetária para combater a inflação não é a mesma que Campos Neto está indicando até o momento. “O mercado tem interpretação de que o ciclo de crédito vai apertar mais e, na hora que isso ficar claro, a atividade vai afundar e o BC vai reagir cortando juros mais cedo”, explicou. “Mas existe inconsistência entre o que Roberto Campos Neto diz e o que o mercado está vendo”, emendou o ex-BC.
Na curva do DI, a precificação de Selic continua apontando manutenção para o Copom de maio e entre 35% e 40% de chance de queda para junho. “Para agosto e setembro está praticamente dado o corte de 25 pontos-base”, informou o economista da BlueLine Asset Flávio Serrano. A curva projeta taxa básica em torno de 12,25% no fim de 2023 e de 10,75% no fim de 2024.