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Horário de verão: por que as companhias aéreas são contra a medida?

Governo não vai retomar horário de verão em 2024; companhias aéreas e especialistas comentam impactos da decisão

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

16/10/2024 | 15:22 Atualização: 16/10/2024 | 15:22

Ministro diz que não terá horário de verão; veja porque as aéreas foram contra (Foto: AdobeStock)
Ministro diz que não terá horário de verão; veja porque as aéreas foram contra (Foto: AdobeStock)

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou há pouco que o governo não deve retomar o horário de verão para aliviar a pressão no sistema elétrico brasileiro em meio à seca enfrentada neste ano. “Após reunião chegamos à conclusão de que não há necessidade de decretação do horário de verão para 2024”, afirmou Silveira em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (16). Segundo o ministro, os reservatórios estão com 11% de água a mais que o mesmo período do ano anterior. A implantação do horário de verão em 2024 gerou polêmicas e conflito com as empresas do setor aéreo.

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Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), a retomada do horário de verão neste ano e sem prazo e planejamento poderia ter impactos substanciais para os passageiros e comprometer a conectividade do País. “A entrada súbita do horário de verão causará, por parte das empresas aéreas brasileiras, alterações de horários em cidades brasileiras e internacionais que não aderem à nova hora legal de Brasília. Isso mudará a hora de saída e chegada dos voos, podendo gerar a perda do embarque pelos clientes por apresentação tardia e eventual perda de conectividade”, diz a entidade.

Segundo Felipe Corleta, sócio da GTF Capital, a Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) poderiam sofrer com horário de verão sendo implementado sem um planejamento. Isso porque muitos clientes poderiam perder voos e conexões gerando uma série de pedidos de reembolsos, o que seria altamente negativa para o balanço das companhias. “Em geral, esse seria o impacto. Esse impacto não seria recorrente, mas seria negativo para o balanço de empresas que já estão sofrendo desde o fim da pandemia com uma série de prejuízos”, aponta Corleta.

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Para Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado da mesa proprietária Star Desk, a aviação segue rígidos protocolos, cada aeroporto tem sua grade de horário para pousos e decolagens milimetricamente distribuídos entre as empresas, e qualquer alteração pode causar prejuízos financeiros e operacionais. “Com o horário de verão haveria impacto nas grades horárias no Brasil e fora, sobretudo porque já temos diferentes fusos no País”, afirma.

Horário de verão deixa as ações das áreas menos atrativas?

De acordo com Flávio Riberi, coordenador de cursos de Pós-graduação da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), se o horário de verão fosse aceito já para este ano, a medida deveria ser ruim para as aéreas. No entanto, ele comenta que esse não é o único motivo que deve fazer o investidor avaliar se vai comprar as ações da Azul (AZUL4) e (GOLL4).

“O que interfere é a cotação do querosene de aviação e a taxa de câmbio. A taxa de câmbio é justamente o que pode impactar no arrendamento das aeronaves,” diz Riberi. O arrendamento das aeronaves, a grosso modo, é o aluguel do avião para a empresa operar.

Segundo Corleta, da GTF Capital, as ações do setor não são boas opções para o investidor. Segundo ele, com ou sem horário de verão, as companhias devem continuar com um endividamento elevado com o preço do petróleo pressionando a margem de lucratividade devido ao querosene de aviação, um insumo básico para essas empresas.

Felipe Sant’ Anna, da Star Desk, tem a mesma visão. Ele comenta que o setor aéreo é um dos mais complicados do Brasil, visto que a receita da empresa é em reais e os custos são em dólar. “Imagina uma pessoa que recebe seu salário em reais e vai ao supermercado comprar em dólar. Isso gera um impacto de quase 6 vezes 1. O ideal seria investir em setores que exportam, que produzem em reais e vendem ativos dolarizados, como petróleo, minério de ferro, ou mesmo os bancos, que lucram alto com nossas belas taxas de juros”, ressalta o especialista.

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