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Tempo Real

Com NY, Ibovespa inicia semana em baixa de 1,85%, no menor nível desde 4/1

Por Luís Eduardo Leal

22/02/2023 | 18:20 Atualização: 22/02/2023 | 18:46

Ibovespa 19/10/2021 REUTERS/Amanda Perobelli
Ibovespa 19/10/2021 REUTERS/Amanda Perobelli

Após a pausa para o Carnaval, o Ibovespa retomou os negócios na tarde desta quarta de cinzas em tom menor, acompanhando a cautela externa que havia prevalecido especialmente na sessão anterior, e que voltou a se acentuar, hoje, com a ata do Federal Reserve. Assim, a referência da B3 operou em baixa desde a abertura, aos 109.173,51 pontos, chegando na mínima da sessão, pós-ata, aos 106.720,17 (-2,25%), menor nível intradia desde 5 de janeiro (105.333,08 pontos). No fechamento, o índice mostrava perda de 1,85%, aos 107.152,05 pontos, com giro financeiro limitado a R$ 17,1 bilhões. No mês, o Ibovespa cai 5,54% e, no ano, 2,35%. O nível de encerramento da sessão foi o menor desde 4 de janeiro, então aos 105.334,46.

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Lá fora, a ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve apontou, nesta tarde, que os dirigentes da instituição consideram que a chance de os Estados Unidos entrarem em recessão em 2023 permanece elevada. No começo da divulgação do texto, o blue chip Dow Jones oscilou para o negativo, mas logo voltou a se realinhar ao S&P 500 e Nasdaq, em leve alta. Ao fim, contudo, as três referências de Nova York se mostravam mais fracas do que antes da divulgação do documento, e sem sinal único: Dow Jones -0,26%, S&P 500 -0,16% e Nasdaq +0,13%.

Aqui, acompanhando a oscilação vista em Nova York, o Ibovespa perdeu a linha dos 107 mil pontos durante a divulgação do documento, acentuando as perdas à casa de 2%, em sessão de baixo volume de negócios. “O comitê (Fomc, do Fed) continua comprometido em retornar a inflação à meta de 2%”, apontou a ata, na qual os dirigentes da instituição observam que “um crescimento abaixo da tendência seria necessário para reduzir a inflação”. O documento indicou também que alguns dirigentes defenderam aumento de 50 pontos-base na taxa de juros de referência.

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Assim, com a percepção de risco reforçada pelos sinais do Fed, as ações e os setores mais líquidos da B3 mantiveram sinal único em direção ao fechamento, negativo. Com o petróleo em baixa de cerca de 3% nesta quarta-feira, Petrobras ON e PN fecharam em queda, respectivamente, de 2,49% (mínima do dia no encerramento) e 2,57%. Vale ON cedeu 0,76% e as perdas entre as siderúrgicas chegaram a 2,61% (Usiminas PNA).

O segmento de utilities também foi mal na sessão, com Eletrobras ON em baixa de 3,12%. Entre os grandes bancos, destaque negativo para BB (ON -2,48%). Na ponta do Ibovespa, Via (-8,41%), Minerva (-7,92%), BRF (-6,71%) e Locaweb (-6,51%), com Cyrela (+3,12%), Petz (+2,71%), TIM (+1,89%) e Raízen (+1,65%) no lado oposto – apenas oito ações da carteira Ibovespa conseguiram fechar o dia com ganhos.

“A Bolsa abriu mais tarde, às 13h, e com volume enfraquecido neste retorno de feriado. Lá fora, o cenário esteve negativo, com expectativa também para a ata do Fed, divulgada às 16h. Ontem, em Nova York, os ADRs (de empresas brasileiras) tiveram queda de quase 2%, e hoje veio também o ajuste, na B3”, após ter ficado fechada na segunda e terça-feira, observa Piter Carvalho, economista-chefe da Valor Investimentos. “Um dia de menor volume e de ajuste do índice aqui dentro, e lá fora de atenção concentrada em sinais sobre a política monetária americana.”

“Ontem, teve um reverso forte no mercado americano, o que se refletiu aqui no volume nesta volta de feriado. Há ainda medo do Fed com relação a juros. O mercado se anima quando vêm alguns números melhores, mas quando a realidade se impõe, como nos últimos dados do CPI (inflação ao consumidor nos EUA), PPI (inflação ao produtor) e vendas do varejo, além dos de emprego, mostrando que a economia por lá ainda está forte, isso ampara a posição de que o Banco Central (americano) precisará ser ainda mais efetivo”, diz José Simão, sócio da Legend Investimentos, observando que o cenário de antecipação do momento de corte de juros foi se esvaindo.

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Aqui, com a temperatura um pouco mais baixa após o tom conciliatório do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e a redução das críticas ao BC do governo Lula, a expectativa para os juros básicos se manteve estável para o fim de 2023, 2024 e 2025, no Boletim Focus desta semana. A mediana para a taxa Selic no fim de 2023 continuou em 12,75% ao ano, enquanto para o término de 2024 seguiu em 10,00%. Há quatro semanas, as estimativas eram de 12,50% e 9,50%, nessa ordem.

“O Focus trouxe continuidade do que se tem visto: as taxas abrindo nas perspectivas para 23, 24 e 25 em relação ao IPCA, com o mercado ainda precificando uma inflação pra cima, muito por conta do prêmio de risco. Enquanto não se puder ver um novo arcabouço fiscal e não se tiver efetividade da reforma tributária, a gente tende a ficar nesse movimento de juro pressionado”, aponta Simão, da Legend.

Nesse contexto, o Citi aumentou de 3,6% para 4,0% sua projeção para o IPCA de 2024, citando o impacto da desancoragem de expectativas no cenário. O banco estima que a inflação do Brasil fique em 3,5% ao ano a partir de 2025, 0,5 ponto porcentual acima do centro da meta para o ano (3,0%).

A incerteza sobre quem estará no comando do Banco Central a partir de 2025 também contribui para a elevação das expectativas de longo prazo registrada pelo boletim Focus, avalia o economista da Garde Asset Luís Menon. “Até 2024 sabemos que será o Roberto Campos Neto, mas a partir daí o mercado começa a colocar como possibilidade um banqueiro central mais dovish, mais leniente com a inflação”, diz o economista, reporta Marianna Gualter, jornalista do Broadcast.

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