

O Ibovespa hoje fechou em alta de 0,92% a 124.698,04 pontos, depois de sofrer três quedas seguidas. A valorização do índice era contida no início da manhã devido aos receios de uma não votação do pacote fiscal e ao tom duro do Banco Central na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), mas a alta foi ganhando terreno ao longo da tarde.
O dia começou conturbado com a disparada do dólar, que chegou ao patamar dos R$ 6,20. A moeda americana encerrou o dia em leve alta de 0,04% a R$ 6,0961, renovando o seu recorde histórico de fechamento.
Já o Ibovespa ganhou tração ao longo da tarde, chegando a atingir máxima a 125.301,37 pontos. Na véspera, o índice fechou no menor nível desde junho, pressionado pelas preocupações fiscais dos investidores.
O que movimentou o Ibovespa hoje?
O mercado abriu tenso com a ata do Copom, mas se acalmou no início da tarde após o plenário da Câmara divulgar na ata de votação os projetos principais do pacote fiscal do governo Lula. Segundo informações do Broadcast, o presidente da Câmara, Artur Lira (PP), disse que um dos projetos do pacote fiscal será votado hoje e os outros dois serão votados amanhã.
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A proposta inclui medidas como o limite de 2,5% ao ano para o crescimento real do salário mínimo e alterações no Benefício de Prestação Continuada – leia mais aqui. Esses e outros assuntos impactaram o Ibovespa hoje. O governo prevê economizar cerca de R$ 70 bilhões com as modificações.
Além disso, a Câmara deve votar ainda hoje a projeto de lei que regulamenta a reforma tributária. A medida deve passar por novas modificações na Câmara: deputados querem limitar a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Ontem, em entrevista à Globonews, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), relator do projeto de regulamentação da reforma tributária na Câmara dos Deputados, anunciou que trabalha para reduzir em 0,7 ponto percentual a alíquota padrão do novo sistema tributário, ajustando mudanças introduzidas pelo Senado. Segundo ele, a medida é essencial para garantir que a carga tributária não ultrapasse o limite estipulado de 26,5%.
“Estamos trabalhando na perspectiva de apresentar ao colégio de líderes uma redução de 0,7 nas mudanças [na alíquota] que os senadores fizeram. Vamos reafirmar a trava, ou seja, garantir para a sociedade brasileira que a alíquota não será superior a 26,5%”, disse o parlamentar, em entrevista à GloboNews.
Ata do Copom
Mais cedo, o mercado operava tenso com o foco dos investidores na ata do Copom desta terça-feira, após a elevação da taxa Selic para 12,25% ao ano na última quarta-feira (11) em decisão unânime.
O Copom repetiu, na ata da sua última reunião, que o tamanho total do ciclo de aumento da taxa Selic será ditado pelo seu “firme compromisso de convergência da inflação à meta”, como já constava no comunicado da quarta-feira (11).
O colegiado espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 4,0% no acumulado de quatro trimestres até o segundo trimestre de 2026, o horizonte relevante da política monetária. A estimativa está acima do centro da meta, de 3%, e é maior do que a projeção do último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), de 3,6%.
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Além disso, o Comitê disse que houve uma deterioração adicional no cenário de inflação, como refletido nas expectativas e projeções de inflação. “Concluiu-se que os determinantes de prazo mais curto, como a taxa de câmbio e a inflação corrente, e os determinantes de médio prazo, como o hiato do produto e as expectativas de inflação, se deterioraram de forma relevante”, avaliaram os membros da cúpula do BC.
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De acordo com eles, essa piora demanda uma política monetária ainda mais contracionista, sinalizando mais dois ajustes de grande magnitude. Sobre a ata do Copom, Saadia avalia que o documento não trouxe novidades em relação ao comunicado hawkish (duro) da semana passada. “Mas é um alerta de que as condições do ambiente econômico se deterioraram ainda mais, exigindo ação imediata”, analisa.
Disparada do dólar e leilão do BC
O dólar fechou em alta e renovou o seu recorde histórico de encerramento nesta terça-feira, mesmo após intervenções do Banco Central com leilões de dólares. A moeda americana encerrou em valorização de 0,04% a R$ 6,0961. Ao longo da sessão, oscilou entre máxima a R$ 6,2073 e mínima a R$ 6,0581. Até então, o maior patamar registrado pela divisa no fechamento havia sido R$ 6,0934, marca alcançada na segunda-feira (16).
Commodities
Enquanto o minério de ferro fechou em leve alta de 0,06%, o petróleo WTI para janeiro encerrou em baixa de 0,89%, a US$ 70,08 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para fevereiro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 0,97%, a US$ 73,19 o barril. As ações da Vale (VALE3), de maior peso para o Ibovespa, subiram 0,50% hoje. Já os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) avançaram 0,95%.
*Com informações do Broadcast