

Após abrir em estabilidade, o Ibovespa hoje mirou em queda no pregão nesta sexta-feira (28). Às 12h37, o índice recua 0,55%, aos 124.115 pontos. As atenções do mercado estão em nova ofensiva comercial de Donald Trump e dados de inflação dos Estados Unidos. Por aqui, segue no foco a temporada de balanços do quarto trimestre – veja também a agenda econômica das empresas.
O desempenho do principal índice da B3 hoje neste último pregão da semana e de fevereiro pode elevar as perdas do mês, que estão em 1,06%. Com o feriado do carnaval se aproximando e a agenda esvaziada de indicadores no Brasil, o volume financeiro pode diminuir, e a volatilidade não está descartada. Os mercados brasileiros fecham na semana que vem, reabrindo somente na Quarta-Feira de Cinzas.
Por ora, o dólar ante o real e os juros em alta tendem a pressionar o Índice Bovespa para baixo, apesar da elevação vista no pré-mercado acionário em Nova York, com a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE). O dado americano é o índice de inflação dos EUA preferido do Federal Reserve (Fed, BC ameriano) para suas decisões sobre juros.
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“O mais crucial no cenário é que os impactos tarifários ainda são incertos para a leitura futura do índice, o que gera questionamentos relacionados à trajetória de desaceleração inflacionária e, consequentemente, de juros”, afirma Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.
Além disso, o tarifaço de Donald Trump continua no foco, assim como eventuais medidas do governo brasileiro para conter a escalada da inflação. Alguns outros fatores também podem seguir incomodando os investidores, como o prejuízo da Petrobras (PETR3; PETR4) informado na noite de quarta-feira (26).
“O balanço da Petrobras mais assustou do que qualquer outra coisa. Vemos um prejuízo liquido que efetivamente não aconteceu. O lucro liquido ajustado estaria acima do consenso de mercado. A meu ver, o que mais pesou foi a questão do Ebitda (lucro antes de juros, depreciação, amortização e impostos) com maior distorção”, diz Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.
O que movimenta o Ibovespa hoje?
Bolsas internacionais digerem nova ofensiva de Trump
A maioria das bolsas europeias cai nesta manhã, ampliando perdas da sessão anterior diante da ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com tarifas comerciais. As bolsas na Ásia fecharam em forte baixa.
Trump disse que as tarifas de 25% para importações do México e Canadá entram em vigor no dia 4 de março, prometeu impor mais 10% de tarifas à China (10%+10%) e ameaçou tarifar carros e outros produtos da União Europeia (UE) em 25%. Os líderes europeus, ameaçados pelas tarifas recíprocas previstas para 2 de abril, prometem retaliar. A China afirmou que tomará “todas as medidas necessárias”.
O presidente do Federal Reserve de Filadélfia, Patrick Harker, disse que a política monetária dos EUA segue “restritiva o suficiente” para conter a inflação no longo prazo. O vice-presidente do BC da Inglaterra, Dave Ramsden, defendeu uma postura “gradual” no que diz respeito a mais cortes de juros. Na Alemanha, as vendas no varejo superaram as expectativas em janeiro.
Pré-mercado em NY
Ainda entre as bolsas internacionais, os índices futuros de Nova York operam em alta moderada após o fechamento negativo de Wall Street na quinta-feira (27), enquanto investidores digerem dados mensais sobre a inflação dos EUA medida pelo PCE, assim como gastos com consumo e renda pessoal.
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Os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) operam em baixa, após o avanço dos juros de mais longo prazo na quinta-feira. O dólar hoje avança em relação a outras moedas de países desenvolvidos, ampliando fortes ganhos da véspera.
Inflação dos EUA
O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos avançou 0,3% em janeiro, na comparação com dezembro, informou há pouco o Departamento do Comércio. Na comparação anual, houve alta de 2,5%. Analistas ouvidos pela FactSet previam alta de 0,3% na taxa mensal e de 2,5% na anual.
Commodities em queda: impacto para Vale e Petrobras
O petróleo recua, revertendo parte dos ganhos de mais de 2% de quinta-feira, em meio a expectativas de um possível acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. No início da manhã desta sexta-feira, o barril do petróleo WTI para abril caía 1,05%, enquanto o do Brent para maio recuava 0,95%.
Entre as commodities hoje, o minério de ferro fechou em queda de 0,74%, cotado a 799,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 109,72 nos mercados de Dalian, na China.
Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) recuavam 0,52% no pré-mercado de Nova York, por volta das 10 horas (de Brasília). Já os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) cediam 0,37% no mesmo horário.
Expectativas para o mercado brasileiro hoje
Em meio à busca do governo federal por um aceno do agronegócio no enfrentamento da inflação de alimentos, a indústria de óleos vegetais quer propor ao governo a redução temporária do imposto de importação de óleo de soja. A proposta pode ser apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda nesta sexta-feira.
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Há expectativa no mercado financeiro hoje com o andamento da reforma ministerial após o carnaval. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que não foi procurado ainda pelo presidente Lula, mas afirmou ter “certeza absoluta” de que, em algum momento, a conversa sobre reforma ministerial irá ocorrer.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Paula Dias, Luciana Xavier e Maria Regina Silva, do Broadcast
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