

Após abrir em queda, o Ibovespa hoje inverteu o sinal e passou a subir no pregão desta quinta-feira (3). Às 11h07, o índice renovou máxima, com alta de 1,04%, aos 132.552 pontos. As atenções se voltam para o impacto mundial das novas tarifas dos EUA – veja aqui os principais assuntos do mercado financeiro hoje.
A valorização do principal índice da B3 hoje vai na contramão da queda abrupta de Nova York nesta manhã e da forte perda do petróleo. Isso porque investidores estrangeiros veem potencial em ativos fora dos EUA após o tarifaço de Trump.
“O ciclo de rotação de ativos dos índices americanos tende a continuar, pois o valuation (valor de ativo) de lá está muito esticado. Isso faz com que investidores busquem melhores oportunidades nesse momento em que o Brasil foi menos taxado”, pontua Felipe Moura, analista da Finacap. Segundo ele, a política tarifária de Donald Trump nos EUA, tende a isolar o país, enfraquecer a economia, o que pode abrir oportunidades para países emergentes como o Brasil e instigar cortes dos juros por lá.
Além disso, a queda dos juros futuros em sintonia com os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) e a forte desvalorização do dólar hoje frente ao real ajudam a impulsionar o Índice Bovespa hoje. Às 11h21, o dólar cedia 0,61%, a R$ 5,6044.
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Como o Brasil integra o grupo que terá a menor taxa sobre produtos importados pelos EUA, pode se beneficiar em relação a outros países cuja taxa é mais elevada. Para algumas nações, o porcentual passa de 40%. No caso do Brasil, a tarifa imposta será de 10%. “O Brasil sai relativamente melhor, com impactos diretos sobre o País devendo ser menores”, estima Carlos Lopes, economista do banco BV.
Para Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, ainda é cedo para precisar se a Bolsa brasileira continuará atraindo capital externo diante de um movimento de rotação de ativos dos EUA para cá, por exemplo. “Mais para frente até pode ser, mas agora teremos aversão ao risco e volatilidade. Temos de observar como os países líderes montarão suas estratégias”, diz.
- Confira aqui a agenda econômica das empresas nesta quinta-feira
Ações em destaque no Ibovespa hoje
Auren (AURE3) e mais elétricas se beneficiam de juros
As ações das empresas elétricas avançam em bloco nesta quinta-feira, com destaque para Auren, com alta de 7,98%, e Units de Energisa (+6,01%), ambas ocupando o primeiro e segundo lugar entre as maiores altas do Ibovespa.
Ainda no setor, Eletrobras sobe 2,36% (ON) e 2,57% (PN), Engie avança 2,57%, Equatorial ganha 3,6%, assim como Copel PNB (+3,41%), CPFL (+1,99%), Units de Taesa (+5,81%) e Isa Energia PN (+1,49%).
O analista e sócio da Performa Ideias, Vitor Miziara, explica que o setor se beneficia da queda nos juros futuros. O movimento está alinhado à desvalorização de mais de 1% do dólar ante o real e à queda dos rendimentos dos Treasuries, em meio aos temores de recessão nos Estados Unidos e aos impactos no mundo com a guerra comercial.
Petrolíferas sofrem com peso do petróleo e tarifas dos EUA
As empresas petroleiras recuam em bloco nesta quinta-feira, diante da queda expressiva do petróleo, que recua 6,39% no Brent e 6,94% no WTI. No setor, Petrobras cai 3,5% (PETR3) e 3,28% (PETR4), assim como Prio (-4,93%), PetroReconcavo (-5,29%) e Brava (-7,32%), esta última liderando as maiores quedas do Ibovespa.
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Para o analista da Levante Corp, João Abdouni, além do petróleo, as empresas também sofrem com as expectativas de desaceleração da economia global diante da guerra comercial iniciada pelas tarifas anunciadas ontem por Donald Trump.
Varejistas sobem com fraqueza dos juros
As ações de varejistas sobem em bloco em dia de queda nos juros futuros. Lojas Renner subia 2,78%, assim como Magazine Luiza (+0,89%), Carrefour (+0,54%), Assaí (+5,08%), Natura (+2,74%), Petz (+0,98%), Ambev (+2,05%), Vivara (+2%) e Azzas (+2,28%).
O analista e sócio da Performa Ideias, Vitor Miziara, explica que o setor é impulsionado pela queda dos juros futuros. O movimento está alinhado à desvalorização de mais de 1% do dólar ante o real e à queda dos rendimentos dos Treasuries, em meio aos temores de recessão nos Estados Unidos e aos impactos no mundo com a guerra comercial. Já o sócio-diretor da L4 Capital, Hugo Queiroz, completa que o varejo apresentou, no geral, bons resultados no último trimestre de 2024.
Mercado financeiro hoje: impactos após novas tarifas de Trump
Medidas tarifárias impostas pelos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 10% sobre as importações do Brasil, válida a partir de sábado (5). Ele também apresentou tarifas para outros países: 34% para a China, 30% para a África do Sul, 24% para o Japão e 20% para a União Europeia.
Aço e alumínio, já punidos com taxa de 25%, não terão novas taxações. No entanto, os EUA eliminarão a isenção fiscal para China e Hong Kong, passando a taxar mercadorias chinesas abaixo de US$ 800 a partir de 2 de maio. Além disso, todos os carros produzidos fora dos EUA serão taxados em 25% a partir desta quinta-feira.
Como as bolsas internacionais reagem às tarifas hoje?
O clima é de forte pessimismo global após Trump anunciar uma tarifa geral mínima de 10% às importações dos EUA a partir de sábado. Nesta manhã, os futuros de Nova York desabavam mais de 3%, e as ações da Apple (AAPL34), que fabrica a maioria de seus iPhones na China, caíam 7%. O dólar hoje se enfraquece ante a maioria das moedas. Veja aqui como está a operação das bolsas europeias e asiáticas.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, alertou que, se países decidirem retaliar, haverá uma escalada nas taxações. O Fed de Richmond avalia que as sobretaxas podem causar “interrupções generalizadas” em setores-chave dos EUA. Já a diretora do Fed, Adriana Kugler, afirmou que “há fatores que podem levar tarifas a ter efeito prolongado na economia americana”.
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A China, agora enfrentando um total de tarifas combinadas de 54%, anunciou que adotará contramedidas, assim como o Canadá. A União Europeia disse que está pronta para retaliar, mas prefere o diálogo, enquanto o Reino Unido busca um acordo.
Commodities: petróleo desaba e minério recua
O petróleo tem forte queda esta manhã após as tarifas de Donald Trump, que podem causar danos à economia global. No início da manhã, o barril do petróleo WTI para maio caía 5,14%, enquanto o do Brent para junho recuava 4,92%.
O minério de ferro fechou em queda de 0,32%, cotado a 788,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 108,48 nos mercados de Dalian, na China.
“Estamos vendo uma guerra comercial se iniciando como nunca visto antes, com taxas que não são praticadas. Os mercados estão muito estremecidos”, diz Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.
Como fica o Ibovespa hoje diante das novas tarifas dos EUA?
O real pode se beneficiar do ambiente de tensão, já que o dólar se desvaloriza ante a maioria das divisas. Os juros tendem a recuar acompanhando os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense), mas o Índice hoje pode sofrer pressão devido à fuga do risco, com as commodities em queda e o sinal negativo vindo de Nova York.
Apesar do cenário externo adverso, o impacto no Brasil pode ser mais contido. O EWZ, principal fundo de índice (ETF, fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação) do Brasil negociado em Nova York, caía 0,19% nesta manhã. Analistas avaliam que a tarifa de 10% imposta pelos EUA ao Brasil “ficou barata” para o país – veja aqui o que dizem os especialistas.
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Na véspera, a Câmara aprovou o “PL da Reciprocidade”, projeto de lei que define critérios para que o Brasil possa reagir a medidas unilaterais de países ou blocos econômicos que afetem sua competitividade internacional. O texto segue agora para sanção do presidente Lula e pode repercutir no Ibovespa hoje.
*Com informações de Vinícius Novais, do Broadcast