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Ibovespa hoje: guerra comercial entre EUA e China respinga na Bolsa em dia de ata do Copom

Ajustes nos mercados dependem da evolução das negociações sobre tarifas, que pesam sob o petróleo

Por Luciana Xavier, Silvana Rocha, Maria Regina Silva e Camilly Rosaboni

04/02/2025 | 10:30 Atualização: 04/02/2025 | 13:07

EUA e China enfrentam guerra comercial, que afeta bolsas de valores pelo mundo. (Foto: Adobe Stock)
EUA e China enfrentam guerra comercial, que afeta bolsas de valores pelo mundo. (Foto: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje opera em queda de 0,28%, aos 125.616,58 pontos nesta terça-feira (4). As atenções do mercado estão na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), além dos desdobramentos da guerra comercial dos Estados Unidos – veja aqui a agenda completa do dia.

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A cautela dos investidores em meio ao contínuo debate sobre tarifas comerciais impede o principal índice da B3 hoje de subir após o recuo na véspera. O tom é negativo nas bolsas europeias e nos índices futuros em Nova York apesar de o governo americano também ter voltado atrás em relação ao Canadá, depois do México. Agora ficam as atenções sobre a China, que já retaliou.

Conforme a MCM 4intelligence, os investidores estão temerosos quanto aos efeitos econômicos da política de comércio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O mercado também acompanha dados econômicos americanos. A abertura de postos de trabalho nos EUA caiu para 7,600 milhões em dezembro, de acordo com o relatório Jolts, publicado pelo Departamento do Trabalho do país. O resultado ficou bem abaixo da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam abertura de 8,020 milhões de vagas no período.

  • Leia também: Como os mercados devem se proteger diante da guerra comercial de Trump, segundo o Deutsche Bank

Após cravar o seu 11º pregão seguido em queda, a 5,8160 (-0,35%) – ainda nos menores valores desde fins de novembro e com desvalorização acumulada de 5,89% em 2025 -, o dólar recua 0,91% a R$ 5,7644 nesta terça-feira – confira detalhes aqui.

  • Confira também: como está o bitcoin hoje?

Confira os destaques do Ibovespa hoje

Bolsas internacionais reagem às tarifas de Trump

As bolsas europeias e os futuros de Nova York reduzem suas perdas nesta terça-feira, após os EUA anunciarem a suspensão por um mês das tarifas de 25% sobre produtos importados do Canadá e do México. Essa suspensão ocorre em troca de maior controle nas fronteiras para combater o tráfico da droga fentanil.

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O foco agora está nas conversas entre os presidentes americano, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, com Pequim adotando medidas retaliatórias após o início das tarifas americanas de 10%. O carvão e o gás liquefeito terão tarifas de 15%, enquanto petróleo, máquinas agrícolas e veículos terão 10% a partir de 10 de janeiro.

Ata do Copom reforça o crescimento da Selic na próxima reunião

O foco dos investidores está na ata do Copom nesta terça-feira, após a elevação da taxa Selic de 12,25% para 13,25% e um tom mais ameno no comunicado da última reunião. No documento divulgado esta manhã, o Comitê repetiu que o tamanho total do ciclo de aumento da taxa Selic será ditado pelo seu “firme compromisso de convergência da inflação à meta”. Essa sinalização já constava no comunicado da última quarta-feira (29).

O colegiado reiterou o forward guidance (projeção utilizada para influenciar as expectativas do mercado) de mais uma elevação de 1 ponto porcentual nos juros na sua próxima reunião, de março, que levaria a taxa Selic a 14,25%.

Em análise preliminar, Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, considerou o tom da ata “menos hawkish (dura)” do que no comunicado, que, segundo sua visão, pareceu que tinha grandes chances de não ter alta em maio (manter estável). “Já pelo tom da ata, parece que está aberto”, avalia.

  • Com a Selic a 13,25%, confira os oito FIIs com recomendação de compra pelo Itaú BBA

O Copom também citou as projeções de inflação. Ele espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 4,0% no acumulado de quatro trimestres até o terceiro trimestre de 2026, horizonte relevante da política monetária. A estimativa está acima do centro da meta, de 3%, e considera elevação de 3,8% para os preços livres e de 4,6% para os administrados.

O Banco Central (BC) espera que o IPCA encerre 2025 em 5,2%, acima do teto da meta, de 4,5%. A estimativas consideram altas de 5,2% nos preços livres e de 5,2% nos administrados este ano.

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No documento, o BC diz que “é necessária cautela e parcimônia na análise recente de dados de atividade” e que “a desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida”, trechos que não constavam no comunicado.

Commodities: petróleo tem queda acima de 2%

O petróleo opera em queda nesta terça-feira. O barril do tipo WTI cai 0,77%, enquanto o Brent recua 0,08%. O minério de ferro segue sem negociação nos mercados de Dalian, devido ao feriado do Ano Novo Lunar, que mantém mercados fechados na China, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul. Já em Cingapura, a commodity fechou em alta de 0,74%.

As ações da Vale (VALE3) cedem 0,39% na Bolsa brasileira nesta terça-feira. Os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) também sofrem no dia: enquanto os ordinários (PETR3) recuam 1,12%, os preferenciais (PETR4) sofrem baixa de 0,96%.

Mercado brasileiro acompanha guerra comercial no exterior

Os ajustes nos mercados continuam a depender da evolução das negociações sobre tarifas, com a possibilidade de um acordo entre Trump e a China melhorando o clima de negócios.

No entanto, as perdas no petróleo tendem a afetar a Petrobras e o Índice Bovespa hoje, que também reagirá aos dados de produção e vendas da estatal e à sinalização do presidente Lula sobre a liberação dos estudos para exploração de petróleo na Margem Equatorial.

* Com informações de Cícero Cotrim e Fernanda Trisotto, do Broadcast

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