“As autoridades estabeleceram uma barra relativamente alta para a aceleração do processo de flexibilização, ao menos no curto prazo, que exigiria uma reancoragem mais forte das expectativas, uma ampliação mais acentuada do hiato do produto ou uma inflação de serviços substancialmente menor”, destaca o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, em relatório.
Mesquita lembra que, apesar da desaceleração da inflação de núcleos e serviços desde a última decisão do Copom, em agosto, as expectativas de longo prazo continuam acima do centro das metas, o PIB do segundo trimestre surpreendeu para cima, as dúvidas sobre o cumprimento da meta fiscal em 2024 se intensificaram e o real perdeu força em relação ao dólar.
No cenário internacional, os rendimentos dos Treasuries e os preços do petróleo avançaram. Apesar de considerar “prematuro” abrir espaço para uma discussão sobre aceleração do ciclo agora – o que poderia prejudicar o processo de ancoragem das expectativas -, o economista destaca que a esperada desaceleração da economia e a dinâmica mais benigna da inflação de serviços devem permitir aceleração do ritmo de cortes a partir da reunião de dezembro, para a qual o Itaú espera redução de 0,75 ponto porcentual nos juros. O banco prevê queda da Selic a 11,50% no fim de 2023, e espera que ao fim de 2024 a taxa esteja em 9%.