Por outro, falas do governo eleito sobre a política de preços de combustíveis estressaram os mercados locais como um todo, fazendo com que os juros subissem pontualmente. Operadores lembraram, contudo, que o dia foi de liquidez minguada, o que superdimensiona movimentos tanto de alta quanto de baixa.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 passou de 13,433% ontem para 13,450% hoje. O janeiro 2025 foi de 12,711% para 12,695%. O janeiro 2027 recuou de 12,673% para 12,605%. E o janeiro 2029 cedeu de 12,733% a 12,660%. Em termos de liquidez, os contratos acabaram exibindo volumes um pouco mais robustos que a segunda-feira, 26, marcada pelo feriado externo, mas ainda assim baixa para uma quinta-feira. O giro de negócios foi, respectivamente, de 430,4 mil contratos, 436,4 mil contratos, 135,5 mil contratos e 68,7 mil contratos.
O ano marcado pelo ajuste forte dos juros no exterior, pela inflação resiliente decorrente da guerra na Ucrânia e pelo crônico problema fiscal do País foi também de alta das taxas no mercado doméstico. Os retornos subiram em bloco em parte do ano, fazendo com que a curva permanecesse com inclinação negativa. O diferencial entre os contratos de 2023 e 2027 passou de 120 pontos-base no fim de 2021 para 106 pontos-base agora.
Para além da escolha de nomes para o novo governo, o mercado de juros acompanhou declarações de âmbito econômico de membros da próxima gestão. Segundo dois operadores, causou bastante ruído nas mesas – não apenas de juros como também em câmbio e, principalmente, ações – falas do futuro ministro de Minas e Energia, senador Alexandre Silveira (PSD-MG). Ele confirmou que haverá revisão do Preço de Paridade de Importação (PPI), adotado pela Petrobras a partir do governo Michel Temer, em 2016. “PPI tem de ser visto com olhos do novo governo”, disse.
Silveira também não descartou uma nova rodada de desoneração de combustíveis. “Vamos conversar em janeiro com mais segurança sobre a política de médio e longo prazo, com muito critério temos que olhar transição e questão dos combustíveis”, disse o futuro ministro. “Nada está descartado”, completou. A não prorrogação da medida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) foi um fator secundário na queima de prêmios do DI na sessão de ontem.