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Tempo Real

Juros: pressão dos Treasuries estimula realização de lucros e taxas sobem

O avanço das taxas se deu num ambiente de liquidez bastante fraca

Por Denise Abarca

04/12/2023 | 19:29 Atualização: 04/12/2023 | 19:29

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Os juros futuros confirmaram no fechamento da sessão o sinal de alta que prevaleceu nas taxas durante toda a sessão, influenciados pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e pela piora do câmbio. O ajuste global nas curvas refletiu a percepção de que as apostas sobre o ciclo de corte de juros nos EUA estavam muito otimistas e certa cautela com a agenda econômica da semana.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 encerrou a 10,325%, de 10,273% no último ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 não resistiu na marca de um dígito, encerrando a 10,00% (9,90% na sexta-feira). A taxa do DI para janeiro de 2027 terminou em 10,14%, de 10,01%, e a do DI para janeiro de 2029 subiu de 10,46% para 10,58%.

O avanço das taxas se deu num ambiente de liquidez bastante fraca, o que deixa a curva mais suscetível a operações às vezes pontuais. De todo modo, o contexto externo negativo deu respaldo à abertura, com o mercado considerando exagerada a precificação de queda de juro nos EUA já em março e também o orçamento de queda de até 1,25 ponto porcentual até o fim do ano embutido nos ativos. A taxa da T-Note de 2 anos subiu para 4,65% e a de 10 anos, para 4,27%, flertando com os 4,30% nas máximas do dia. O dólar teve valorização generalizada, fechando no Brasil em R$ 4,9487.

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A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, destaca que na semana passada a curva americana chegou a precificar cortes na virada do primeiro para o segundo trimestre, com os juros encerrando o ano entre 4,5% e 4,25%. “Como tem dados do mercado de trabalho nos EUA nesta semana, o mercado está mantendo alguma cautela. Apesar de estarem apontado para desaceleração, na verdade ainda são mistos e vêm mostrando resiliência da economia”, disse. Na sexta-feira, será divulgado o relatório de emprego norte-americano referente a novembro.

Em boa medida, a empolgação do mercado com o ciclo de afrouxamento nos EUA veio da leitura dos discursos de dirigentes do Fed, incluindo o do presidente Jerome Powell. Mas, como destaca o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho: “Powell sinalizou que vai prolongar a taxa e não que vai antecipar a queda”. Para Velho, é natural que, então, o mercado embolse parte dos lucros, esperando os dados da semana. “E, com as altas do yields, os juros aqui acompanham, na ausência de novidades do fiscal”, afirmou.

A agenda econômica no Congresso, porém, deve começar a andar somente após o retorno ao Brasil do presidente Lula, e dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A pesquisa Focus não trouxe mudanças significativas para justificar alteração da percepção sobre a política monetária. As medianas de IPCA oscilaram apenas 1 ponto para 2023 (4,53% para 4,54%) e para 2024 (3,91% para 3,92%), enquanto para 2025 e 2026 continuaram em 3,50%.

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As declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em eventos ao longo do dia foram acompanhadas, mas também sem impacto sobre a curva. Durante a LiveBC, às 14h, ele se ateve ao tema das questões climáticas e suas influências nos mandatos do BC. Mais tarde, falou em evento organizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mas tratando apenas do arcabouço da instituição para prevenção à lavagem de dinheiro.

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