“Se os juros seguirem altos por um período sustentado, esperamos que os investidores realoquem suas carteiras, diminuindo exposições em ações e investimentos alternativos, migrando para a renda fixa”, escreveram os analistas. Eles entendem que “a rentabilidade futura provavelmente irá ser atrativa” com a Selic de dois dígitos. Os analistas também pontuam que a indústria de fundos brasileira continua altamente exposta à renda fixa, com cerca de 40% dos ativos sob gestão investidos em fundos dessa modalidade.
A continuidade da migração de recursos para fundos de renda fixa irá favorecer, segundo o relatório, as gestoras afiliadas aos bancos. “Esperamos que as gestoras afiliadas aos bancos se beneficiem do aumento da aversão ao risco e das altas taxas de juros porque tradicionalmente se especializaram nessas classes de ativos. Em contraste, as gestoras independentes serão mais afetadas diante de tal cenário, uma vez que tendem a ser especializadas em outras classes, especialmente em fundos de ações e multimercados. Gestoras que possuem um mix balanceado de produtos, que operam com diferentes estratégias e aquelas mais especializadas em produtos de renda fixa deverão sofrer menos resgates e defender o seu volume de ativos sob gestão”, diz o relatório.
Lucratividade
O lucro das gestoras com as taxas de administração cobradas dos cotistas tende a seguir pressionado, segundo os analistas. Eles lembram que, com a Selic mais baixa até o ano passado, as gestoras foram pressionadas a diminuir as taxas. “Atualmente, em um ambiente mais competitivo, com fundos passivos e ETFs ganhando participação de mercado, as taxas de administração continuam sob pressão, afetando diretamente a lucratividade das gestoras”, diz o relatório. “Acreditamos que mesmo diante do aumento das taxas de juros, pressões mercadológicas restringem uma elevação nas taxas de administração”, acrescentam os analistas.
O relatório da Moody’s também aponta que as gestoras que apresentarem “captações líquidas negativas sentirão o efeito na lucratividade de forma mais intensa”. Assim, as gestoras sem suporte de uma controladora maior estarão mais vulneráveis ao aumento da competição e, assim suscetíveis a operações de fusão e aquisição, segundo os analistas. “Esperamos alguma consolidação dentro do setor à medida que os gestores de recursos independentes busquem fusões”, diz o relatório.