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O que fez o JPMorgan elevar a recomendação da Bolsa brasileira para compra?

Pausa antecipada no ciclo de alta da Selic e recuperação da China podem ajudar o mercado brasileiro

Por Beatriz Rocha

10/03/2025 | 20:23 Atualização: 10/03/2025 | 20:32

JPMorgan elevou a recomendação da Bolsa brasileira para compra. Foto: Adobe Stock
JPMorgan elevou a recomendação da Bolsa brasileira para compra. Foto: Adobe Stock

O JPMorgan elevou, em relatório divulgado nesta segunda-feira (10), a recomendação da Bolsa brasileira de neutro para overweight (acima da média do mercado, equivalente à compra). O banco entende que o País pode estar mais próximo do que o esperado do fim do ciclo de alta de juros, o que considera um gatilho importante para as ações locais. Além disso, a recuperação da economia chinesa tende a trazer mais recursos para mercados emergentes.

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Os analistas do JPMorgan fazem, no entanto, uma ressalva importante: essa mudança é tática, não estrutural, pois os problemas internos que os levaram a rebaixar a recomendação do Brasil inicialmente ainda persistem. “Mantemos uma alocação defensiva em México e Brasil, mas agora preferimos maior exposição a ações brasileiras bond proxies (que se comportam de maneira semelhante aos títulos de dívidas), em vez de exportadoras. Também gostamos de grandes bancos e do setor de utilities (utilidades públicas)”, destacam.

Entre os fatores que levaram ao aumento da recomendação da Bolsa brasileira, está a possibilidade de o ciclo de alta de juros terminar mais cedo no País. O JPMorgan usa dois argumentos para sustentar esse cenário: o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre veio abaixo das expectativas e o real se valorizou, o que alivia a pressão inflacionária e deve levar a uma revisão para baixo nas projeções do Banco Central (BC).

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“O próximo aumento da taxa de juros está previsto para 19 de março, com uma alta de 1 ponto percentual, conforme sinalização clara do BC. No entanto, há uma possibilidade real de que o ciclo possa ser pausado após esse aumento. Projetamos que os juros atinjam um pico de 15,25% em junho, mas reconhecemos que uma pausa antecipada pode ocorrer”, afirmam os analistas do JPMorgan, destacando que isso seria um gatilho importante para o mercado de ações, pois as expectativas de redução na Selic começariam a ser precificadas quase imediatamente.

Cenário global também deve ajudar a Bolsa local

O “fator China” também pode ser positivo para o mercado acionário no Brasil. Além dos ativos chineses estarem em alta, o JPMorgan elevou sua previsão para o PIB do gigante asiático em 2025 de 3,9% para 4,3%. Embora ainda existam dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação chinesa, o fato é que esse movimento traz mais fluxos para países emergentes, o que beneficia o Brasil.

Em relação aos Estados Unidos, o banco entende que o cenário parece apontar para um crescimento mais lento da economia no país norte-americano e para um dólar mais fraco, o que pode abrir espaço para cortes mais agressivos de juros pelo Federal Reserve (Fed). “Se isso ocorrer sem uma recessão nos EUA, o impacto deve ser bastante positivo para os mercados emergentes – e o Brasil é um dos países com maior sensibilidade a esse cenário”, avaliam os analistas.

No se que refere às políticas tarifárias de Donald Trump, o JPMorgan ainda não tem uma visão consolidada sobre o seu impacto. Para o banco, porém, o México é mais afetado por tarifas do que o Brasil, tanto do ponto de vista macroeconômico quanto de mercado. Por outro lado, novas taxas sobre a China podem pressionar os preços das commodities, o que impactaria negativamente a América do Sul.

Eleições de 2026

Embora as eleições presidenciais de 2026 no Brasil ainda estejam distantes, elas adicionam um fator de atratividade ao País, na visão do JPMorgan. Os riscos até lá, no entanto, não são desprezíveis. O entendimento é de que a corrida eleitoral abre caminho para uma possível mudança de governo. “Ainda é cedo para se posicionar com base nisso, mas a narrativa já existe e cada nova pesquisa eleitoral pode reforçá-la, enquanto a disputa se acirra com o passar do tempo.”

Outro “bônus” do Brasil, segundo o banco, é que o nível de alocação dos investidores locais em ações está no seu menor nível, com posições short (vendidas) alcançando o maior patamar desde, pelo menos, o começo de 2024. “Embora a alocação em ações possa se recuperar rapidamente, a redução das posições vendidas tende a ser mais lenta, mas pode começar a melhorar assim que o ciclo de alta de juros chegar ao fim”, ressaltam os estrategistas do JPMorgan.

Os riscos para a tese de investimentos no Brasil

Do ponto de vista global, na visão do banco, um eventual aumento da incerteza nos mercados poderia gerar um cenário de aversão ao risco, dificultando um bom desempenho do Brasil. Em caso de recessão nos Estados Unidos, os mercados acionários de ambos os países, assim como da América Latina como um todo, provavelmente sofreriam.

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“Para o Brasil, novos ruídos em relação à política fiscal e a possíveis medidas não convencionais para conter a inflação poderiam prolongar o ciclo de aperto monetário, em vez de encurtá-lo. Além disso, uma desaceleração da economia da China combinada com o fim do rali nos mercados acionários chineses poderia ter implicações negativas para a Bolsa brasileira“, completa a equipe do JPMorgan.

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