Diante do desempenho surpreendentemente positivo do varejo e de serviços em fevereiro, Leal já alterou a projeção de queda de 0,50% inicialmente prevista para o primeiro trimestre para alta de 0,40%. No segundo trimestre, o cenário ainda é de queda, de cerca de 0,50%, mas indicadores preliminares apontam que a “economia está voltando”, o que deve provocar revisão para estabilidade.
Mas, segundo Leal, pode estar se formando uma “tempestade perfeita” para uma nova onda de infecções, uma vez que as decisões políticas para a reabertura econômica ocorrem mesmo diante da situação crítica da doença e a vacinação dos grupos de risco só deve terminar em julho, em sua projeção.
“Com essa reabertura que está se intensificando, e os dados da pandemia não apontam para essa liberdade, corremos risco grande de nova onda. Aí é discussão será política de novo. Se vai fechar a economia, e o que vai ser feito para evitar nova queda da atividade, se terão novas rodadas de auxílio emergencial… Vamos viver um limbo fiscal até fim do ano, até a vacinação avançar.”
Citando pressões já existentes no Congresso para a expansão do auxílio emergencial, Leal diz que o risco para novas exceções ao teto de gastos é razoável, sobretudo considerando que o benefício está previsto para acabar em julho, quando pode haver nova piora da pandemia. Mas ele avalia que a reação dos mercados e de agências de classificação de risco deve depender do tamanho do novo gasto, considerando sua necessidade em meio à pandemia.
“Mas, no longo prazo, considerando 2022, um período eleitoral, temos um risco muito grande de ficar em um limbo em que não sabemos se o governo está realmente se importando com o teto de gastos, se vai ser rompido ou não.”