O Banco Safra rebaixou a recomendação da Vale (VALE3) para neutra após alta de 52% desde fevereiro de 2025, mas elevou o preço-alvo para US$ 16, apontando riscos com minério de ferro e menor desconto de valuation. (Imagem: Adobe Stock)
O Banco Safra rebaixou a recomendação da Vale (VALE3) para neutra após forte alta da ação, de cerca de 52% desde fevereiro de 2025. O preço-alvo, porém, foi elevado para US$ 16 o que equivale um potencial de valorização de 13% no comparativo com o fechamento anterior.
Em relatório, o analista Ricardo Monegaglia destaca que a ação negocia com múltiplo de 4 vezes o EV/Ebitda 2026, com fluxo de caixa livre (FCF) yield médio de 10% até 2028 (16% a preços spot). Além disso, a mineradora superou os seus pares e os preços das commodities, o que aumenta o risco de underperformance se os preços recuarem.
“O carry segue atrativo, mas o desconto de valuation diminuiu. Preferimos metais a minério de ferro e não esperamos novos dividendos extraordinários antes de meados de 2027”, disse Monegaglia.
De acordo com o Safra, o rali do minério não tem base sólida e, com isso, o banco estima uma queda nos preços para US$ 94 por tonelada até o fim de 2026, mesmo que ocorram novos ganhos antes de uma tendência de queda.
“As margens dos siderúrgicos chineses estão negativas e vemos espaço limitado para melhorias, a menos que os esforços acelerem, pois esperamos uma queda na demanda por aço, devido a uma deterioração adicional da atividade imobiliária e exportações chinesas em meio a atrasos causados por exigências de licenciamento de exportação em 2026, o que deve pressionar ainda mais o equilíbrio local entre oferta e demanda”, diz o banco. “Globalmente, a oferta adicional (Simandou e principais minas) deve superar um crescimento modesto da produção de aço em 2026.”
O banco também revisou as estimativas de Ebitda para US$ 18 bilhões em 2026 (+8% em relação ao anterior e +11% em relação ao consenso) e US$ 17 bilhões em 2027 (+1% e +8%, respectivamente), refletindo um desempenho mais forte de preços e custos, particularmente em metais de transição energética, destacando a contribuição de subprodutos.