O salário mínimo é o menor valor que um trabalhador formal pode receber mensalmente no Brasil e funciona também como referência para uma série de benefícios sociais, como aposentadorias, seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Por isso, sua definição vai além do mercado de trabalho e tem impacto direto nas contas públicas e no poder de compra de milhões de brasileiros.
Como o salário mínimo é ajustado?
Segundo o Planalto, atualmente, o reajuste do salário mínimo segue uma regra que combina dois fatores centrais: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que pode gerar ganho real acima da inflação.
Essa fórmula busca preservar o poder de compra, evitando que o salário perca valor com a alta dos preços. No entanto, o ganho real vinculado ao crescimento da economia não é automático nem ilimitado.
Com o novo arcabouço fiscal, o governo estabeleceu um teto para esse aumento real, que pode variar entre 0,6% e 2,5% ao ano, mesmo que o PIB cresça acima desse patamar. Na prática, isso significa que o salário mínimo sobe todos os anos pela inflação e pode ter um acréscimo real, mas dentro de limites legais impostos pela política fiscal.
Salário mínimo em 2026
Com base nessas regras, o governo federal confirmou o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621, valor que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026.
O montante representa um aumento de cerca de R$ 103 em relação aos R$ 1.518 pagos em 2025, o equivalente a um reajuste aproximado de 6,79%, combinando a correção inflacionária e o ganho real permitido pelo arcabouço fiscal.
Ao longo de 2025, o valor chegou a ser revisado em diferentes estimativas oficiais, mas foi consolidado nesse patamar após a confirmação dos índices econômicos considerados.
Para os anos seguintes, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 traz projeções que ajudam a entender a trajetória esperada do salário mínimo até o fim da década.
As estimativas indicam um valor em torno de R$ 1.724 em 2027, algo próximo de R$ 1.823 em 2028 e R$ 1.925 em 2029, conforme os parâmetros econômicos do Ministério do Planejamento e Orçamento.
Esses números não são garantias, mas projeções técnicas usadas para orientar o planejamento do orçamento federal, podendo ser ajustadas conforme a inflação efetiva e o desempenho real do PIB em cada ano.
Essa trajetória indica que o salário mínimo deve continuar crescendo de forma gradual, com reajustes anuais que preservam o poder de compra e incorporam ganhos reais modestos, sempre condicionados às regras fiscais. Ao mesmo tempo, cada aumento tem impacto relevante sobre o orçamento público, já que elevação do mínimo significa despesas maiores com Previdência Social, benefícios assistenciais e outros programas indexados.