

As Bolsas de Nova York fecharam em forte queda nesta quinta-feira (3), ainda refletindo ao tarifaço mais agressivo do que o esperado de Donald Trump. O Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram a maior queda diária desde março de 2020.
Dados preliminares mostram que o Dow Jones recuou 3,98%, fechando aos 40.545,93 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 4,84%, para 5.396,52 pontos, e o Nasdaq tombou 5,97%, para 16.550,61 pontos. O movimento negativo também foi visto nos mercados europeus e asiáticos, que encerraram em baixa.
Segundo a Casa Branca, a tarifa geral mínima entra em vigor no dia 5 de abril e as tarifas individualizadas, em 9 de abril. Ao Brasil, será aplicada a taxa mínima de 10%, assim como para Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Chile, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Panamá, Paraguai, Reino Unido, Turquia, Ucrânia e Uruguai.
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Por aqui, o Ibovespa passou boa parte do dia no campo positivo, mas encerrou em baixa de 0,04% aos 131.140,65 pontos. Para Leandro Ormond, analista da Aware Investments, a reação mais contida da Bolsa brasileira ao tarifaço pode ser atribuída, em parte, ao fato de que o Brasil foi submetido a uma taxa considerada moderada em comparação às impostas a outros países. “Essa diferenciação tarifária pode representar uma vantagem competitiva para o Brasil no comércio internacional, especialmente no segmento de commodities”, diz.
Outros países sofrerão com alíquotas maiores. Para a China, as tarifas recíprocas serão de 34% – além dos 20% já anunciados anteriormente –, enquanto os produtos da União Europeia serão taxados em 20%. Para o Japão, Coreia do Sul e Índia, as sobretaxas serão de 24%, 25% e 26%, respectivamente. Importações da Suíça terão uma tarifa de 31%, enquanto os produtos da Venezuela serão taxados em 15%.
Na avaliação de Fernando Marx, contribuidor do TC, as tarifas vieram acima do que o mercado esperava, especialmente para os países da Ásia. “A consequência imediata são mais incerteza na economia global e, logicamente, menos crescimento. O mercado americano deve sofrer no curto prazo, assim como o asiático. A América Latina ficou relativamente mais protegida, mas dificilmente escapará de um movimento de sell off global – venda em massa de ativos financeiros em um curto espaço de tempo”, explica.
Para a Janus Henderson, gestora global com US$ 378 bilhões em ativos sob gestão, o tom duro adotado pelo republicano “cheira à tática de negociação”. “Felizmente, isso significa que há um espaço considerável para a redução das tarifas a partir daqui, embora com um piso de 10% já estabelecido. Já vimos que o governo tem uma tolerância surpreendentemente alta para o sofrimento do mercado, e agora a grande questão é quanta tolerância terá para uma dor econômica real à medida que as negociações avançam”, destaca Adam Hetts, chefe global multiativos da Janus Henderson, em nota.
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No mercado americano, a Apple (APPL), que produz a maioria de seus iPhones na China, liderou a queda das chamadas “Sete Magníficas”, grupo das maiores empresas do setor de tecnologia dos EUA.
Nesta tarde, as ações da empresa tombaram 9,32%, enquanto a Amazon (AMZN) recuou 8,98% e a Tesla (TSLA) cedeu 5,47%. Já Nvidia (NVDA), Meta (META), Alphabet (GOOGL) e Microsoft (MSFT) tiveram perdas de 7,77%, 8,96%, 4,02% e 2,36%, respectivamente.
Ações de petroleiras sofreram na B3
Na Bolsa brasileira, ações de petroleiras sofreram no pregão. Os papéis da Brava Energia (BRAV3) lideraram as perdas do Ibovespa, recuando 7,18%. Ativos da Petrobras (PETR3;PETR4) também se saíram mal: enquanto os ordinários cederam 3,53%, os preferenciais tiveram perdas de 3,23%.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio caiu 6,64%, fechando a US$ 66,95 o barril. O Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), cedeu 6,42%, alcançando US$ 70,14 o barril. A queda da commodity ocorreu devido à percepção de que as medidas de Trump podem gerar uma desaceleração da economia global e consequente reduzir a demanda por petróleo.
Bolsas da Europa também fecharam no negativo
As Bolsas da Europa terminaram o dia no campo negativo após o anúncio tarifário de Trump. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta quinta-feira que a União Europeia está finalizando contramedidas para responder ao tarifaço. Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que reagirá com a “cabeça fria e calma” às medidas.
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Em Londres, o FTSE 100 recuou 1,55%, para 8.474,74 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu 3,08%, fechando em 21.700,36 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, teve queda de 3,31%, encerrando a sessão em 7.598,98 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,08%, para 13.192,07 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, subiu 0,13%, para 6.967,03 pontos. Já o FTSE MIB, de Milão, recuou 3,60%, fechando em 37.070,83 pontos.
O Stoxx 600, índice formado a partir do desempenho de 600 empresas de diferentes portes, fechou em queda de 2,67%.
Bolsas da Ásia têm queda generalizada após tarifas
Na Ásia, o clima dos mercados também foi negativo. O índice japonês Nikkei caiu 2,77% em Tóquio, a 34.735,93 pontos, sob o peso de ações de chips e de bancos, enquanto o Hang Seng recuou 1,52% em Hong Kong, a 22.849,81 pontos, e o sul-coreano Kospi cedeu 0,76% em Seul, a 2.486,70 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto teve perda modesta, de 0,24%, a 3.342,01 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 1,10%, a 1.992,39 pontos. O mercado em Taiwan não operou hoje em função de um feriado. No caso de taiwanês, as tarifas impostas pelos EUA chegam a 32%.
Na Oceania, a Bolsa australiana também ficou no vermelho em reação às tarifas de Trump, depois de acumular ganhos por dois pregões seguidos. O S&P/ASX 200 caiu 0,94% em Sydney, a 7.859,70 pontos.
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*Com informações do Broadcast