

Em uma medida considerada “muito pior do que o esperado” pelo Citi, o governo de Donald Trump anunciou tarifas recíprocas, com impacto “desproporcional” sobre a Ásia, especialmente os países que compõem a chamada “Factory Asia” – rede de produção liderada pela China. Segundo o banco americano, a média ponderada das tarifas dos EUA saltou para 21% após o anúncio, contra expectativas iniciais de 10%. No entanto, para economias asiáticas, o peso é ainda maior: 31% em média.
O Citi destaca que o governo Trump optou por um cronograma agressivo, impondo 10% de tarifa já a partir deste sábado, com aumentos adicionais entrando em vigor em 9 de abril. “Muitos esperavam que tarifas recíprocas fossem enquadradas na Seção 301, o que daria margem para negociações, mas isso não aconteceu”, observa o banco.
A instituição ressalta que países de menor renda, como Camboja (49%), Vietnã (46%), Laos (48%) e Sri Lanka (44%), foram penalizados com tarifas extremamente altas, apesar de terem déficits comerciais insignificantes com os EUA. “É difícil entender a lógica, já que essas nações não representam ameaça à indústria americana, mas são rotas de desvio de comércio da China”, diz a análise.
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Simulações do Citi indicam que o Leste Asiático sofrerá o maior golpe, com Vietnã, Tailândia e China na linha de frente. A isenção do México e do Canadá ameniza o impacto nesses países, mas a desaceleração da economia americana pode contaminar seus parceiros regionais. “Se as tarifas se mantiverem, esperamos maior depreciação cambial e flexibilização monetária na Ásia, com a China possivelmente permitindo mais desvalorização do yuan”, afirma.
Enquanto a Ásia enfrenta turbulência, economias do México, América Central (exceto Nicarágua) e Oriente Médio escaparam com tarifas mínimas. O Citi sugere que a medida visa pressionar a China de forma “maximalista”, fechando rotas alternativas de exportação. No entanto, o banco alerta: “O custo para o crescimento global pode ser alto, e a escalada ainda não acabou”.