A marca mostra a Vale seguindo com o plano anunciado de voltar ao topo entre as maiores exploradoras de minério de ferro do mundo. Em 2018, a produção da Vale foi de 384,6 milhões de toneladas, enquanto a da Rio Tinto em Pilbara foi de 338,2 milhões de toneladas.
No período de 2025, a Vale comercializou 314,358 milhões de toneladas da commodity, alta de 2,5% na comparação com o ano anterior. As vendas de finos de minério atingiram 273,027 milhões de toneladas, alta de 4,9% ante 2024. Já as de pelotas somaram 32,801 milhões de toneladas, com queda anual de 14,4%.
Dividendos seguem no radar para 2026
Gabriel Uarian, analista da Cultura Capital, destaca que a produção de minério de ferro acima das projeções dá conforto para a manutenção de dividendos robustos em 2026, com retorno atrativo se o minério ficar acima de US$ 100 por tonelada. “Não vejo risco de revisão para baixo nos proventos”, afirma. “Os preços do minério seguem como fator principal para determinar isso, mas os números operacionais reforçam resiliência”, acrescenta.
Pletes compartilha de uma leitura semelhante, embora com ressalvas de curto prazo. Para ele, a melhora de margens abre espaço para revisões positivas, mas o câmbio ainda merece atenção. “A prévia do quarto trimestre não muda a leitura sobre geração de caixa livre, mas minha maior preocupação é com o primeiro trimestre de 2026, caso o dólar mais fraco persista sem compensação nos preços do minério”, pondera.
Na leitura da Cultura Capital, o principal gatilho para a remuneração ao acionista, na visão da corretora, é o limite de US$ 15 bilhões em dívida líquida expandida. Se, na avaliação semestral, a companhia estiver abaixo desse patamar ou mostrando uma trajetória de redução, a devolução de fluxo de caixa livre aos acionistas passa a ser o cenário-base. A forma dessa devolução pode variar entre dividendos e recompras de ações.
A discussão sobre dividendos permanece central para os investidores. A Genial ressalta que os desembolsos obrigatórios de fluxo de caixa livre relacionados a Brumadinho, Samarco e à descaracterização de barragens atingem um pico em 2025, mas recuam de forma relevante a partir de 2026, devolvendo flexibilidade financeira à companhia.
O principal gatilho para a remuneração ao acionista, na visão da corretora, é o limite de US$ 15 bilhões em dívida líquida expandida. Se, na avaliação semestral, a companhia estiver abaixo desse patamar ou mostrando uma trajetória de redução, a devolução de fluxo de caixa livre aos acionistas passa a ser o cenário-base. A forma dessa devolução pode variar entre dividendos e recompras de ações.
O que fazer com a ação da Vale agora?
Uarian, da Cultura Capital, avalia que as recomendações devem seguir construtivas para a ação, com os números ligeiramente acima do consenso no relatório de produção e vendas.
A Ágora tem recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 83 para 2026. O JPMorgan também recomenda compra para a ação, mas tem preço-alvo mais elevado, de R$ 100.
“A companhia vem entregando desempenhos positivos, especialmente no negócio de minério de ferro, com produção sólida e uma tendência de queda nos custos, o que sustenta sua perspectiva operacional. Adicionalmente, acreditamos que há um grande descolamento entre o desempenho das ações da Vale e o de seus pares”, destaca o JPMorgan.
A Genial, por sua vez, rebaixou a recomendação da companhia para “manter”, após mais de três anos com indicação de compra. A decisão reflete uma visão mais cautelosa sobre os preços do minério de ferro, a rápida compressão do desconto da ação diante dos fortes fluxos de capital estrangeiro e o fato de o papel da Vale (VALE3) já estar sendo negociado próximo ao valor intrínseco estimado pela casa.
*Com informações de Isabela Ortiz e Beatriz Rocha