No guidance (projeções) do fim do ano passado, a expectativa de produção para 2026 era de 340 milhões a 360 milhões de toneladas. Já em 2030, a estimativa foi mantida em torno de 360 milhões de toneladas. Neste ano, a companhia deve fechar com produção de 335 milhões de toneladas da principal matéria-prima do aço.
Em minérios e aglomerados, a projeção da Vale é de produção de 31 milhões de toneladas este ano, de 30 milhões a 34 milhões de toneladas em 2026 e entre 60 milhões e 70 milhões de toneladas em 2030. Já para a produção de minério de ferro a partir de rejeitos, a estimativa da companhia chega a 30 milhões de toneladas daqui a cinco anos.
Na produção de cobre, a nova expectativa da companhia aponta para 370 mil toneladas este ano, entre 350 mil e 380 mil toneladas em 2026, de 420 mil a 500 mil toneladas em 2030 e de aproximadamente 700 mil toneladas em 2035. Em 2025, a mineradora espera vender cerca de 3,8 mil toneladas de cobre equivalente e, em 2026, em torno de 4,3 mil toneladas.
Já na produção de níquel, o guidance da mineradora fica em cerca de 175 mil toneladas este ano, de 175 mil a 200 mil toneladas em 2026, e entre 210 mil e 250 mil toneladas em 2035.
Custos C1 e all-in: o que muda no novo guidance
O volume de vendas estimado para os produtos de minério de ferro de Carajás Médio Teor (65% de concentração de ferro) e de Pellet Feed China (PFC) é, neste ano, de 33 milhões de toneladas e 26 milhões de toneladas, respectivamente. Em 2026, os volumes devem alcançar 50 milhões de toneladas para o Carajás Médio Teor e 40 milhões de toneladas em PFC.
Com isso, o custo C1 (custo da mina ao porto sem frete) para o minério de ferro deve chegar a US$ 21,3 por tonelada este ano e entre US$ 20 e US$ 21,5 por tonelada em 2026. Já o custo all-in, que inclui royalties e frete, está estimado em cerca de US$ 55 por tonelada até o fim deste mês e entre US$ 52 e US$ 56 por tonelada no próximo ano.
No cobre, o custo all-in estimado pela Vale chega perto de US$ 1 mil por tonelada este ano e de US$ 1 mil a US$ 1,5 mil por tonelada em 2026. Já em níquel, a mineradora espera que o indicador atinja US$ 13 mil por tonelada este ano e entre US$ 12 mil e US$ 13,5 mil por tonelada em 2026.
Fluxo de caixa livre pode chegar a 14% em 2026
A mineradora estima ainda um retorno do fluxo de caixa livre para o acionista (free cash flow yield) variando de 6% até 14% em 2026, segundo projeções da Vale divulgadas hoje. Tendo em vista que a mineradora tem uma política de distribuição que prevê pelo menos 30% de seu fluxo de caixa livre na forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), essa métrica se torna essencial para o investidor de renda passiva.
Em documento enviado à CVM, a empresa destaca que assumiu como premissas uma média anual de preço do minério de ferro (referência de 62% de ferro) variando de US$ 95 por tonelada até US$ 110/t; média anual de preço do níquel (LME) variando de US$ 15 mil/t até US$ 17 mil/t; e média anual de preço do cobre (LME) variando de US$ 9.500/t até US$ 11.500/t.
Para 2030, a previsão é de um retorno de fluxo de caixa livre, em termos reais, variando de 8% até 21%. Nesse caso, a empresa assumiu como premissas uma média anual de preço do minério de ferro (referência de 62% de Fe) variando de US$ 90/t até US$ 110/t; média anual de preço do níquel (LME) variando de US$ 15 mil/t até US$ 20 mil/t; e média anual de preço do cobre (LME) variando de US$ 10 mil/t até US$ 12 mil/t.
A empresa informa ainda que foram descontinuadas as projeções de teor médio de ferro contido para os anos de 2026 e 2030, prêmio all-in no minério de ferro para os anos 2025 e 2026 e retorno do fluxo de caixa livre em 2025.
Investimentos: Vale prevê até US$ 5,7 bi em 2026
A Vale informou ainda que deve investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026 e cerca de US$ 6 bilhões em 2027. Até o fim deste ano, segundo comunicado enviado à CVM, a mineradora deve aportar US$ 5,5 bilhões.
Os recursos dos investimentos da Vale, de acordo com a mineradora, devem ser aplicados para medidas para crescimento e em manutenção, que neste ano estão divididos da seguinte forma: US$ 1,2 bilhão para crescimento e US$ 4,3 bilhões para manutenção.
Em 2026, a divisão prevista é de US$ 1,1 bilhão para crescimento e US$ 4,5 bilhões em manutenção. Já em 2027, serão aplicados US$ 1,4 bilhão para crescimento e US$ 4,5 bilhões para manutenção.
Em relação ao investimento de capital por negócio, a Vale espera aplicar em soluções para minério de ferro US$ 3,9 bilhões este ano, US$ 4 bilhões em 2026 e US$ 3,9 bilhões em 2027.
Já na Vale Base Metals (VBM), os aportes devem girar em torno de US$ 1,6 bilhão este ano, US$ 1,6 bilhão em 2026 e cerca de US$ 2 bilhões em 2027.
Ainda sobre o comunicado de projeção de produção, a Vale (VALE3) também estima que os gastos fixos na operação de Soluções de Minério de Ferro devem girar entre US$ 5,8 bilhões em 2025 e US$ 5,7 bilhões em 2026.
* A versão anterior da reportagem informava incorretamente o valor de investimentos previsto para 2026: de US$ 5,5 bilhões a US$ 5,7 bilhões. Os números corretos, porém, são de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões. O texto foi atualizado com a correção.