Do ponto de vista setorial, a XP identifica varejo, transportes e bancos como os principais beneficiados, por serem diretamente sensíveis ao custo de capital mais baixo, que impulsiona o consumo e o crédito. Já educação, imobiliário, óleo, gás e petroquímicos tendem a ficar abaixo do índice, seja por dependerem de ciclos mais longos, seja por responderem menos à dinâmica da Selic (taxa básica de juros).
No recorte por fatores, o Momentum lidera os retornos no atual ambiente, seguido de Valor e Qualidade, que apresentam desempenho semelhante, ainda que papéis de Valor historicamente superem o Ibovespa em períodos como este. Ações classificadas como baixo risco, por outro lado, não se destacam nesse regime.
A título de exemplo, o mercado costuma observar padrões semelhantes nos ciclos de desinflação e queda de juros dos últimos 20 anos. Entre 2003 e 2007, o Ibovespa saltou de cerca de 11 mil para mais de 44 mil pontos, impulsionado pelo recuo dos juros, desinflação, boom de crédito e avanço das commodities. Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3), bancos e varejo foram destaques do período.
Entre 2016 e 2019, após a recessão, a queda da Selic de 14,25% para 6,5% reativou o apetite por risco e levou o índice de aproximadamente 40 mil para mais de 115 mil pontos. Casos como Magazine Luiza (MGLU3), Localiza (RENT3), bancos e construtoras foram bastante emblemáticos. Esses exemplos ajudam a entender por que o atual ambiente de descompressão macro reacende a discussão sobre ciclos mais lucrativos para a Bolsa, ainda que cada período tenha seus próprios ruídos fiscais e políticos.