A XP vê o cenário de médio prazo ainda limitado (Foto: Adobe Stock)
A XP rebaixou a recomendação da Unipar para posição neutra e fixou novo preço-alvo de R$ 58 por ação para o final de 2026, abaixo dos R$ 62 projetados anteriormente para 2025. A corretora avalia que o valuation perdeu atratividade, já que o potencial de desvalorização é de 4% ante as cotações atuais e o fluxo de caixa livre projetado para 2026 implica retorno de cerca de 4%. O recuo acontece depois de um 2025 marcado por forte avanço de 49% nos papéis. Para retomar fôlego, a XP acredita que a companhia depende sobretudo da recuperação do ciclo petroquímico, com preços e spreads mais saudáveis, e da eventual adoção de tarifas antidumping sobre importações.
A corretora revisou para baixo suas projeções ao incorporar dados mais recentes.
“No total, reduzimos nossas previsões de Ebitda em -28% para 2026 e -13% para 2027. Em termos de fluxo de caixa livre, reduzimos nossas estimativas para R$ 291 milhões (4,2% do valor de mercado) em 2026 e para R$ 676 milhões (9,9% yield) em 2027, este último ajudado por menores investimentos e pagamentos de juros”, apontam os analistas em relatório.
Entre os riscos mapeados estão eventual prolongamento do ciclo de baixa no setor, variações cambiais que afetam a receita dolarizada e novos projetos ou aquisições que possam elevar riscos de execução.
A incerteza sobre o momento de virada do ciclo pesa na análise. Os preços de PVC e soda cáustica, produtos-chave para a Unipar, mantiveram tendência descendente em 2025 e tocaram mínimas de US$ 672 por tonelada e US$ 360 por tonelada, respectivamente, em novembro. A XP vê o cenário de médio prazo ainda limitado, embora reconheça que a companhia tem se mostrado relativamente mais resiliente do que concorrentes.
A distribuição de R$ 700 milhões em dividendos em dezembro de 2025, a R$ 6,48 por ação, fará a Unipar encerrar o ano com alavancagem de 1,9 vez, patamar mais alto desde 2015 e que incorpora 0,5 vez oriunda do pagamento.
“Isso prepara o terreno para que 2026 seja um ano de desalavancagem”, afirmam.
Entretanto, o elevado volume de investimentos e o ambiente operacional pressionado limitam a geração de caixa, estimada em R$ 291 milhões, o que deve restringir o dividendo a cerca de R$ 32 milhões, ou 0,5% do valor de mercado.
Após ciclo intenso de aportes em 2024 e 2025, a XP acredita que os investimentos devem cair para R$ 392 milhões em 2026 – ainda acima dos R$ 250 milhões necessários para manutenção, prolongando o peso sobre o caixa, mas bem abaixo do R$ 1,1 bilhão no ano passado. A modernização concluída na fábrica de Cubatão, que trocou tecnologias de eletrólise por membrana, deve reduzir consumo de energia e acrescentar perto de R$ 100 milhões ao Ebitda anual, além de diminuir resíduos e emissões. Na fábrica de Santo André, a XP projeta aumento de capacidade em 2026: 6 mil toneladas anuais de PVC emulsão no primeiro semestre e 28 mil toneladas de cloro, ou 31 mil toneladas de soda cáustica, no segundo semestre, com a instalação do oitavo eletrolisador.
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