No caso da Vivo, a XP reforça a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 36, e espera mais um trimestre de indicadores operacionais sólidos.
O desafio, porém, está na base de comparação. No quarto trimestre de 2024, a companhia foi beneficiada por ganhos extraordinários ligados à migração do regime de concessão para autorização, o que elevou receitas e resultados de forma pontual. Isso torna o avanço do 4T25, aos olhos do investidor, menos vistoso.
Ainda assim, o banco projeta receita líquida total de R$ 15,5 bilhões, crescimento de 6,4% na comparação anual, com o serviço móvel (MSR) como principal motor. Segundo a XP, a migração contínua para o pós-pago, combinada a adições líquidas robustas, deve levar o MSR a R$ 9,8 bilhões, alta de 6,7% em um ano, sem sinais de desaceleração frente ao terceiro trimestre.
Nos serviços fixos, a expectativa é de R$ 4,4 bilhões em receita, avanço de 5,4% ano a ano, impulsionado principalmente pela fibra óptica até a residência (FTTH), que deve crescer 10,5%, apoiada pela estratégia de convergência de serviços.
Já as receitas de Dados, TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) e Serviços Digitais devem subir 8,2%, embora em ritmo menor que no trimestre anterior, refletindo uma base de comparação mais forte em 2024 após a incorporação da IPNet. As receitas legadas, por sua vez, seguem em trajetória de queda estrutural.
A venda de aparelhos também deve contribuir positivamente. A XP estima R$ 1,3 bilhão em receitas, alta de 7,6%, sustentada por um desempenho forte nas vendas de smartphones.
Apesar do crescimento da receita, o impacto dos efeitos não recorrentes aparece com mais força no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês).
No 4T24, a Vivo contabilizou R$ 531 milhões em outras receitas operacionais, relacionadas à reversão de contingências regulatórias da migração, criando uma base elevada de comparação.
Para o 4T25, a XP projeta Ebitda de R$ 6,38 bilhões, alta de apenas 2,8% ano a ano. Ainda assim, o banco pondera que, ao excluir essas receitas extraordinárias, o Ebitda avançaria 8,5%, apoiado pelo crescimento da receita recorrente e por menores custos comerciais e de infraestrutura.
A pressão comparativa segue abaixo da linha operacional. O resultado financeiro do 4T24 incluiu uma reversão de R$ 406 milhões em atualizações monetárias sobre provisões ligadas à migração.
Diante disso, a XP estima lucro líquido de R$ 1,7 bilhão no 4T25, uma queda de 3,1% na comparação anual. Mesmo assim, o banco reforça que a companhia deve entregar desempenho operacional sólido e forte geração de caixa, apesar do “ruído” contábil.
TIM tem recomendação neutra
Para a TIM, a XP mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 21, e também destaca um cenário de crescimento operacional, embora moderado. A projeção é de receita líquida total de R$ 6,9 bilhões, alta de 4,3% em relação ao 4T24.
O avanço deve ser puxado novamente pelo pós-pago, que tende a crescer 10,8% ano a ano, alcançando cerca de R$ 4,3 bilhões, refletindo a migração contínua para planos de maior valor agregado.
Em contrapartida, o pré-pago segue pressionado, com expectativa de queda de 7,7%, um movimento que reflete mudanças estruturais no consumo e maior competição.
As receitas fixas devem somar R$ 338 milhões, crescimento de 3,1%, sustentadas pela melhora operacional do TIM UltraFibra, que vem reduzindo churn e ampliando a base de clientes.
Já as receitas de produtos devem recuar 4,3%, para R$ 275 milhões, impactadas por uma base de comparação mais forte no mesmo período de 2024.
Do lado da rentabilidade, a XP espera um desempenho relativamente melhor. O Ebitda deve crescer 6,0%, ritmo superior ao da receita, levando a uma margem de 51,3%, sinalizando ganhos de eficiência operacional. O lucro líquido, por sua vez, é estimado em R$ 1,099 bilhão, alta de 4,2%, mas a comparação anual também é afetada por um fator pontual: a alíquota efetiva de imposto excepcionalmente baixa registrada no 4T24.
A XP avalia que Vivo e TIM seguem com fundamentos operacionais saudáveis, apoiados por pós-pago, fibra e disciplina de custos. O ponto de atenção para o investidor está menos na dinâmica do negócio e mais na leitura dos números do 4T25, que será inevitavelmente distorcida por efeitos não recorrentes do ano anterior. O trimestre, portanto, pode parecer mais fraco à primeira vista ainda que, sob a superfície, a operação siga forte.