
As tão temidas tarifas de Donald Trump foram, aparentemente, vistas pelos investidores como mais agressivas do que o esperado: de acordo com o anúncio de ontem, a taxação será de pelo menos 10% a todos os exportadores para os Estados Unidos, com taxas ainda maiores para cerca de 60 nações, incluindo a China, que agora enfrentará uma tarifa bem acima de 50% sobre muitos produtos —assim como a União Europeia, Japão e Vietnã. Como resultado, os mercados acionários são atingidos por uma forte liquidação.
Em outros mercados, o dólar se desvaloriza em mais de 1% frente as principais moedas, atingindo uma mínima de cinco meses, os rendimentos dos Treasuries caem, enquanto as principais commodities, desde petróleo até produtos agrícolas, enfrentam quedas fortes com receio de que as tarifas afetem a demanda global.
Apesar da tarifa adicional de 10% aos produtos brasileiros destinados aos americanos ter ficado abaixo do esperado, esse ambiente externo não é o mais inspirador para uma melhora na percepção de risco por aqui –e de fato, o principal ETF do Brasil negociado em Nova York, o EWZ, já caía quase 1% no pré-mercado. O que pode trazer mais incertezas aos negócios é o fato de que a Câmara aprovou ontem o “PL da Reciprocidade”, que estabelece critérios para que o Brasil responda a “medidas unilaterais” adotadas por países ou blocos econômicos que afetem a competitividade internacional do País -o texto segue agora para sanção presidencial.
Agenda econômica
Brasil
Destaque apenas para o índice de gerentes de compras (PMIs) composto e do setor de serviços (10h).
EUA
Serão conhecidos os dados da balança comercial de fevereiro (9h30) e os pedidos semanais de auxílio-desemprego (9h30). Além disso, dois dirigentes do Federal Reserve discursam: o vice-presidente Philip Jefferson (13h30) e a diretora Lisa Cook (15h30).
Europa
O Banco Central Europeu (BCE) divulga ata da última reunião de política monetária (8h30). Mais cedo, o índice de preços ao produtor (PPI) da zona do euro subiu 3% em fevereiro na comparação anual, abaixo da previsão de 3,1%, mas acelerando em relação a janeiro (1,7%). Na comparação mensal, o índice avançou 0,2%, abaixo da expectativa de 0,3%. Sem os preços de energia, o PPI subiu 0,2% no mês e 1,4% no ano.
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