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Investimentos

Como rebalancear sua carteira em ano de eleições?

Em live do E-Investidor, especialistas avaliam o que o mercado espera em relação ao período eleitoral

Por Isabela Moya

19/01/2022 | 16:37 Atualização: 20/01/2022 | 11:09

2022 é ano eleitoral e os investidores precisam sempre ficar atentos ao cenário político, que impacta diretamente a economia.

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Para saber como fazer um rebalanceamento certeiro da carteira de investimentos, o E-Investidor conversou, em live transmitida pelo Youtube nesta terça-feira (19), com os analistas de investimentos Rodrigo Natali, da Inversa, e Caio Schettino, da Criteria Investimentos.

Para Schettino, haverá uma polarização política muito grande e o Brasil se mostra como um país arriscado para investimentos. Por isso, recomenda que os investidores preservem o capital principal e aproveitem a alta dos juros para usufruir do mercado de renda fixa. “Vimos recentemente ativos AAA, IPCA +6%, CDB 15%. Essa tônica dificilmente será repetida, pois o mundo em que vivemos é deflacionário e o juros no longo prazo é para baixo [ao contrário do cenário mundial atual]”, diz.

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Além disso, o analista orienta ter cautela no rebalanceamento, fazendo uma saída da renda variável para a fixa até o mês de abril de forma gradual. A entrada, acrescenta, também deve ser feita aos poucos. “Comprar quando [a ação] está subindo e vender quando está caindo não é a melhor estratégia. Faça o oposto, não compre na euforia e não venda se o ativo despencar”, complementa Schettino, reforçando que, no cenário atual, é melhor abrir mão de lucro para ter cautela.

Natali, por sua vez, avalia que há um pessimismo alto sobre a bolsa de valores brasileira e que ela se encontra muita barata em comparação ao resto do mundo. “A bolsa não esteve tão barata em relação à americana desde 2001. Estamos voltando a ser destino de capital especulativo de médio prazo, algo que eu não via há muitos anos”, afirma o analista, que enxerga um movimento de investidores externos focando na renda fixa brasileira.

O momento, no entanto, pode ser proveitoso se o investidor souber achar as oportunidades corretas que já se mostraram resilientes. “Temos uma oportunidade rara no Brasil”, diz Natali.

Onde investir?

Diante de um cenário inflacionário e com aumento de juros nos países desenvolvidos, Schettino afirma que os melhores setores para investir em 2022 são aqueles que conseguem repassar os preços da melhor maneira possível.

Ele cita o setor financeiro – focado nos grandes bancos – e também o imobiliário – em especial os fundos imobiliários e as construtoras -, que no longo prazo deve se recuperar, assim como já aconteceu nos Estados Unidos.

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Também aposta no setor de saúde, que ganhou os holofotes com a pandemia e a produção de vacinas e apresentaram excelentes resultados corporativos. “Notredame e Rede D’or, por exemplo, são empresas líderes no setor e com baixo nível de endividamento”, analisa.

Ele destaca também o setor de semicondutores. “Esse mercado possui uma barreira de entrada altíssima. Temos empresas que dominam boa parte do market equity, como a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, maior distribuidora de chips do mundo, e a ASML, holandesa de R$ 600 bilhões de market cap, que faz o maquinário para a produção dos semicondutores”, exemplifica o analista.

Natali complementa avaliando que outros setores que têm maiores chances de superar as baixas da pandemia são o de grandes bancos e o de exportadoras, como JBS e Marfrig, por exemplo.

Ele lembra ainda que empresas com receitas dolarizadas podem ser uma boa aposta, por estarem baratas devido à queda dos preços das commodities, e reforça a importância de olhar para a China. “A China está em deflação, é a única economia no ciclo de aceleração, precisamos vender o que eles compram”, avalia o analista de investimentos da Inversa.

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As empresas públicas, por outro lado, não estão entre as apostas do analista para 2022. “A opinião sobre as eleições vai afetar totalmente essas empresas. Precisa ter uma aposta forte [para investir nelas]. Como não temos opinião sobre qual o candidato que vai ganhar, preferimos ficar longe desse setor tão sensível ao cenário eleitoral”, diz.

Schettino acrescenta que outro setor que deve sofrer com o cenário atual é o de varejo, tendo em vista que “o poder de compra do brasileiro foi dizimado nesses últimos 10 anos”.

O que o mercado espera do próximo presidente?

Para Natali, o candidato que vier com um modelo interessante para o cenário fiscal pode ter grande apoio do mercado.

Schettino concorda que o foco está na situação fiscal e orçamentária do País. “O investidor sempre olha duas variáveis: o nível de juros e a inflação do país. Então ter o [cenário] fiscal controlado, controlar gastos mandatórios – que aumentaram recentemente, e depois é muito difícil diminuir -, é fundamental para estimular a economia e os investidores”, explica, lembrando da importância de ter um Banco Central com credibilidade, que cumpra as metas propostas.

Outras questões importantes para a economia do país, de acordo com o analista da Criteria Investimentos, são as pautas de educação e infraestrutura. Para ele, o próximo presidente precisa apresentar um projeto sério para a educação pública.

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