Liquidação do Master vai completar dois meses e investidores ainda não receberam recursos. (Foto: Adobe Stock)
A liquidação do Banco Master está prestes a completar dois meses e investidores dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) ainda não receberam seus investimentos. Já é o ressarcimento mais demorado da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que vai “devolver” até R$ 250 mil aos donos dos títulos.
Agora, com a espera, investidores estão perdendo dinheiro até para aplicações conservadoras. É o custo de oportunidade. Como o fundo garantidor só paga os rendimentos devidos até o momento da liquidação, os investidores deixam de ter a oportunidade de ver o dinheiro rendendo em outro ativo.
“Custo da oportunidade é a perda da rentabilidade por não poder reinvestir esse dinheiro em ativos que vão render mais ao longo do tempo, como um Tesouro Selic, enquanto os investidores aguardam o pagamento pelo FGC”, diz Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar. “Na medida que a inflação vai avançando, o dinheiro travado começa a perder também poder de compra.”
Quanto maior a demora no ressarcimento, maior é essa desvantagem.
Por exemplo: quem investiu em CDB do Banco Master com remuneração de 120% do CDI em janeiro do ano passado teve um retorno bruto de 14,94% até 18 de novembro. De lá para cá, esse capital ficou parado, sem render juros ou ser atualizado pela inflação, e continuará parado até o ressarcimento, cuja data ainda é incerta.
Se esse mesmo investidor tivesse investido a mesma quantia no título mais seguro da renda fixa, o conservador Tesouro Selic, já teria ganho 14,7% até esta segunda-feira (12), considerando que o dinheiro não pararia de render.
Perde para a inflação também
Com o dinheiro parado, o investidor está perdendo até mesmo para a inflação.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal medida de inflação do País, foi 0,5% entre novembro e dezembro. Uma aplicação de R$ R$ 250 mil, por exemplo, corrigida pela inflação, subiria para R$ 251.276,48.
Se o investidor estivesse em uma aplicação conservadora, um CDB de grande banco que rende 100% do CDI ao mês, ganharia ainda mais. Entre 18 de novembro, data da liquidação do Master, e 12 de janeiro de 2026, os 250 mil virariam R$ 255.009,96.
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Por que o FGC ainda não pagou
Em caso de quebra dos bancos emissores, o FGC garante a devolução de até R$ 250 mil investidos em CDBs, inclusive com a adição dos juros devidos até a data da liquidação. Entretanto, esse processo só começa após o envio da lista de credores pelo banco liquidado ao fundo garantidor.
Até o início de janeiro, o Master ainda não havia enviado a lista de credores ao segurador. Mostramos aqui com detalhes.
Dentro do processo de ressarcimento de valores pelo FGC, a etapa mais demorada é, de fato, o envio da lista de credores pelo banco liquidado. Ainda assim, o prazo de dois meses e “contando”, transcorrido pelo Master, é o mais longo registrado pelo fundo garantidor nos últimos 11 anos. A liquidação do Master também deve ser um marco histórico para o FGC, como a maior com acionamento das garantias.
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Contudo, uma vez com a lista de credores em mãos, o fundo garantidor cruza os nomes listados com os cadastros feitos no aplicativo oficial do FGC e disponibiliza, a cada investidor, o valor do ressarcimento mediante a assinatura de um termo, no próprio app.
Por isso, é importante que todos os investidores se cadastrem já no aplicativo do FGC, mantenham os dados atualizados e fiquem atentos às comunicações feitas pelo fundo garantidor.