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Colunista

Três ações para ficar de olho e investir em 2022

Louise Barsi revela quais são as melhores ações para investir no próximo ano e receber bons dividendos

Por Fabrizio Gueratto

14/12/2021 | 13:05 Atualização: 14/12/2021 | 13:05

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Falando de um ano eleitoral, que tem muita volatilidade, a margem de segurança deve ser maior. Foto: REUTERS/Amanda Perobelli/File Photo
Falando de um ano eleitoral, que tem muita volatilidade, a margem de segurança deve ser maior. Foto: REUTERS/Amanda Perobelli/File Photo

Mesmo com a grande instabilidade que o mercado de ações vem enfrentando nos últimos meses, cada vez mais investidores acabam sendo atraídos por esse tipo de aplicação. No entanto, como saber quais as melhores opções para começar o ano de 2022 com o pé direito? Dessa vez, resolvi chamar Louise Barsi, filha do grande investidor brasileiro Luiz Barsi e conselheira de inúmeras empresas gigantes, para recomendar três papéis para investir no próximo ano.

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No Brasil, existe aquela famosa frase: “Até o passado no País é incerto”. Se a gente olhar os últimos oito anos eleitorais, três deles foram de alta, e os outros de queda e estabilidade. Com isso, não dá para concluir quase nada. Então, ao selecionar as ações para 2022, o investidor precisa ter certeza que está confortável de tê-las nos próximos 10 anos pelo menos. Pode ser repetitivo, mas existem poucos setores e poucas empresas que acabam atendendo a estratégia no país.

Porém, estamos falando de um ano eleitoral, que tem muita volatilidade. Ou seja, a margem de segurança deve ser maior. Se a pessoa pagou caro em uma ação, nem o prazo pode resolver. Ela tem que saber o que a empresa faz para que esteja confortável com o que está comprando. Além disso, às vezes o investidor compra uma ação na pressão, com medo da alta acabar. Aí acaba virando uma espécie de pirâmide. O primeiro que entra sai muito bem, mas o último vai se dar muito mal e ficar machucado no mercado.

Banco do Brasil

Esse é um banco bastante descontado, mesmo sendo público. Além do mais, o mesmo é mais blindado que outras estatais e as decisões são tomadas por pessoas muito competentes. Portanto, é uma instituição que está bem posicionada e praticamente levou o Brasil nas costas no último ano.

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Negociada à 0,6 vezes o seu valor patrimonial, o BB é uma empresa que deve lucrar R$ 20 bilhões este ano, sendo que sua ação está valendo R$ 80. Não dá para saber se vai subir, mas deve vir com um yield de mais ou menos 8% em 2022, estimado nos preços de hoje. Então, pode ser uma boa empresa para se posicionar.

Louise Barsi tem um macete que se chama dividendo inteligente, então ela sabe quando a empresa está prestes a anunciar dividendos, isso porque companhias que normalmente pagam proventos costumam ter um padrão. Portanto, agora no final de novembro, eles acabaram aumentando a exposição a esse ativo.

BB Seguridade

O setor de seguros como um todo ficou muito descontado em 2021. Primeiro, porque existe todo aquele estigma de que vai vir o Open Insurance, ou Sistema de Seguros Aberto, assim como veio o Open Banking. A maioria das pessoas no Brasil não tem seguro de carro por exemplo. Porém, 60% se interessaria em fazer se fosse mais barato. Então, se estamos falando de uma democratização do setor, estamos falando de vender seguros para muito mais gente.

O IRB contaminou um pouco o setor porque ele está passando por uma reestruturação, enquanto o segmento sofre bastante com a sinistralidade de casos de covid, e as resseguradoras nada mais são do que seguradoras das seguradoras. Além do mais, existe uma crise de confiança. A administração nova está muito empenhada em renovar a empresa, mas talvez não seja o momento certo para dividendos.

Agora, a BB Seguridade, que tem uma relação íntima com o Banco do Brasil, se beneficia justamente dessa estratégia que se chama banking shows, na qual você usa as próprias agências bancárias para distribuir os produtos da BB Seguridade. Portanto, tem essa energia comercial muito forte. Inclusive, a Caixa Seguridade entrou na Bolsa para fazer a mesma coisa. Então, ainda não é um modelo obsoleto e o setor sofreu muito com a sinistralidade, que é algo sazonal.

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O segundo ponto que precisa ser observado é a escalada do IGP-M. Como o indicador tem muita influência do dólar, ele acaba escalando primeiro que o IPCA. Isso é um descasamento temporário, mas a empresa teve que ser obrigada a fazer duas sucessivas capitalizações na Brasilprev para que não fosse desencadeada de alguma regras da Susep (Superintendência de Seguros Privados). Consequentemente, sobra menos dinheiro porque o preço alto diminuiu. Ela não estaria barata se não tivesse passando por essa situação. As pessoas geralmente querem comprar boas empresas, a bons preços e com o céu azul, e isso dificilmente vai acontecer. Quando o mercado precifica uma ação é porque sabe de algo.

O preço acabou caindo e a empresa continua comercialmente muito bem, porque o número de prêmios emitidos subiu mais de 20%. Afinal, quando você vai vender seguro, na hora que precisar, ele vai ficar mais caro. Então, esse é o efeito em cadeia que a gente vai ver provavelmente no primeiro semestre de 2022 e vai ser bem positivo para a empresa. O grande carro chefe dela são os seguros agro, de vida e outros. Tem bastante diversificação de receitas, e um bom marketing em todos os segmentos que atua. Se normalizar, a gente está prevendo dividendos de 8% para 2022.

Taurus Armas

A Taurus é uma empresa que subiu bastante nos últimos dois anos. Além disso, ela tem 85% das suas receitas dolarizadas e fabrica a pistola mais vendida nos Estados Unidos. Algumas regiões nas quais  a Taurus vai se instalar em breve, como na Índia, provavelmente vão dar muito certo.

Ainda existe um boato de que a arma dispara sozinha, mas não é a realidade atual. As armas já foram regularizadas e hoje se produz uma arma como se produz um carro. O processo é extremamente controlado.

Portanto, é uma empresa que já saiu de um torn all, conseguiu pagar uma boa parte de suas dívidas, saiu de uma relação dívida líquida de nove vezes para 2,1 e incorporou o capital para zerar o prejuízo líquido que tem no patrimônio líquido (PL). Só tem um motivo para uma empresa fazer isso: pagar dividendos. Afinal, só é possível fazer a distribuição se tiver a linha de prejuízo acumulado no PL. Então, a empresa vai incorporar capital, e estima-se que vai ter até 2% em dividendos. É claro que é importante respeitar a opinião ética de cada um, mas olhando a parte de análise teórica, Taurus pode ser uma boa oportunidade para dividendos e valorização de capital.

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