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Educação Financeira

Como renegociar dívidas após a nova alta da Selic?

Selic mais alta afeta tomador de crédito; veja quais os piores tipos de empréstimos

Por Isabela Moya

05/02/2022 | 5:00 Atualização: 04/02/2022 | 18:02

Alta da Selic faz o tomador de crédito pagar mais caro em empréstimos e financiamentos | Foto: Pixabay
Alta da Selic faz o tomador de crédito pagar mais caro em empréstimos e financiamentos | Foto: Pixabay

A alta da taxa Selic de 9,25% para 10,75% após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira (2), impacta o bolso de milhares de brasileiros. Enquanto investidores da renda fixa se animam com os dois dígitos da taxa básica de juros, aqueles que pretendem tomar algum tipo de crédito sofrem.

Leia mais:
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O mês de dezembro de 2021 fechou com mais de 63,9 milhões pessoas inadimplentes, com um valor médio de R$ 3,9 mil em dívidas por pessoa, segundo dados da Serasa. O volume total de dívidas do mês foi de R$ 252 bilhões.

Como a Selic afeta o crédito?

A planejadora financeira Fernanda Melo, da Planejar (Associação Brasileira do Planejamento Financeiro), explica que quem fez um financiamento há exatamente um ano, em fevereiro de 2021, com a Selic a 2%, em sua mínima histórica, conseguiu um bom negócio. Mas neste ano os juros tornam financiamentos e empréstimos bastante caros e, segunda a especialista, a tendência é aumentar.

As formas mais comuns de crédito, como financiamento de imóveis e de automóveis, por exemplo, têm os juros pré-fixados, ou seja, já estabelecidos de acordo com a Selic da época do empréstimo. Por isso, o aumento ou a redução da taxa básica de juros não afetam essas dívidas, caso já tenham sido tomadas. “O problema aparece para créditos pós-fixados indexados à Selic ou para quem deseja tomar algum crédito a partir de agora”, explica Melo.

Os piores tipos de crédito

A Pesquisa Endividamento 2021, que é realizada anualmente pela Serasa, mostrou que o cartão de crédito é o principal tipo de dívida entre os inadimplentes, com 53% das respostas. Entre os entrevistados, 19% relataram terem contraído dívidas por meio do cheque especial (uso de um valor superior ao disponível na conta corrente). Ambas as formas, juntamente com o empréstimo para negativados, compõem a lista de créditos com as maiores taxas de juros do mercado.

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Melo explica que o parcelamento de faturas do cartão de crédito (ou o atraso do pagamento) e o uso do cheque especial são destinados ao uso emergencial, por curtos períodos, mas por serem fáceis e simples, muitos brasileiros optam por utilizá-los com frequência ou por períodos indeterminados. Nesses casos, se não for possível evitar o empréstimo, o recomendado é escolher formas planejadas e mais baratas, como o crédito consignado, por exemplo.

Como renegociar dívidas?

“Nesse início de ano, existem algumas propostas para renegociação. Essa é uma boa oportunidade para pessoas inadimplentes buscarem quitar suas dívidas”, afirma Melo. Para micro e pequenos empreendedores, o Programa de Regularização do Simples Nacional e o Edital de Transação do Contencioso de Pequeno Valor do Simples Nacional oferecem condições de desconto e parcelamento e permitem a regularização das dívidas com entrada de 1% do valor.

Para pessoas físicas e jurídicas, a Serasa oferece um serviço para limpar o nome através de seu site ou aplicativo. Além da versão on-line, a instituição também organiza ‘Feirões Limpa Nome’, eventos físicos com ofertas para pessoas endividadas quitarem suas dívidas. As datas e locais dos feirões são divulgados por meio das redes sociais da Serasa.

Além disso, outra opção para aqueles que possuem empréstimos ou financiamentos com bancos é negociar diretamente com a instituição financeira melhores condições e, se possível, diminuindo a quantidade de parcelas ou quitando a dívida com um bom desconto.

É possível também realizar a portabilidade da dívida para outro banco. Esta costuma ser uma boa opção para conseguir condições melhores e juros mais baratos, e não há a cobrança de taxas para a transferência, nem a necessidade de abrir uma conta corrente na instituição.

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Melo ressalta ainda a importância de se planejar financeiramente para evitar novas dívidas, ainda mais com a Selic tão alta. Para isso, é fundamental ter uma reserva de emergência e evitar pagar produtos e serviços de forma parcelada.

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