Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 0,77% (US$ 0,87), a US$ 112,41 o barril. Já o Brent para junho avançou 0,68% (US$ 0,74), a US$ 109,77 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
O petróleo chegou a operar em queda pela manhã, após o Axios revelar que Irã e Estados Unidos receberam, no fim da noite de ontem, uma minuta de proposta que prevê um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. Posteriormente, o Irã negou a reabertura do trecho e afirmou que enviou aos EUA suas exigências, com a mídia estatal iraniana informando que Teerã defende o fim permanente da guerra.
A cotação do petróleo ganhou força com as declarações, sobretudo após Trump reforçar nesta tarde que pode atacar o Irã amanhã e derrotá-lo “em apenas uma noite”. O chefe da Casa Branca voltou a dizer, porém, que as negociações com o regime persa “estão indo bem”, mas se negou a comentar sobre um possível cessar-fogo.
Para o analista do MUFG, Lloyd Chan, é provável que os preços do petróleo se mantenham elevados, com os riscos inclinados para novas elevações. “A persistência de ameaças à infraestrutura crítica iraniana mantém elevados os riscos de escalada, sem que haja à vista um caminho crível de redução das tensões”, afirma.
Apesar das negociações, a troca de ataques entre EUA e Israel contra o Irã se mantiveram. Israel atacou hoje uma usina petroquímica no campo de gás natural de South Pars, no Irã, e o complexo petroquímico de Marvdasht. O Irã retaliou com bombardeios em Haifa, Tel Aviv e outros locais de Israel, além de mais uma ofensiva contra os países vizinhos no Golfo Pérsico.
Também pressionando a oferta de petróleo, drones ucranianos de longo alcance atingiram nesta segunda-feira o principal porto russo no Mar Negro para exportação de petróleo.
Na B3, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) subiram na esteira do avanço das cotações do petróleo. As ações ordinárias encerraram com alta de 1,15%, a R$ 53,71, enquanto as preferenciais subiram 1,77%, a R$ 49. A estatal permanece no radar após negar defasagem relevante nos preços dos combustíveis e reiterar sua estratégia comercial. Além disso, a companhia está entre as habilitadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a primeira fase do programa de subvenção ao diesel do governo federal.
Entre as demais petroleiras, o movimento é heterogêneo. A Brava Energia (BRAV3) decolou 5,13%, a R$ 21,52, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) fechou com alta de 1,61% a R$ 13,92. A Prio (PRIO3), por sua vez, recuou 0,32%, a R$ 67,55, em um pregão de ajuste após as altas recentes.
Proposta de cessar-fogo entra no radar
O gatilho para a correção mais cedo veio da informação de que Irã e Estados Unidos receberam, no domingo à noite, uma proposta que prevê um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. A iniciativa teria sido articulada por Egito, Paquistão e Turquia, segundo fontes ouvidas pela Associated Press.
A sinalização trouxe um primeiro alívio ao mercado, especialmente por envolver a retomada do fluxo em Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Ainda assim, a adesão das partes segue incerta, o que mantém o prêmio de risco parcialmente incorporado aos preços.
Apesar da tentativa de mediação, o tom das declarações continua elevado. No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã, afirmando que pode atacar toda a infraestrutura elétrica do país caso o estreito não seja reaberto até terça-feira, às 21h (de Brasília).
Do lado iraniano, autoridades e a Guarda Revolucionária indicaram que eventuais ataques serão respondidos com retaliações mais intensas, reforçando a percepção de que o conflito permanece longe de uma solução definitiva.
O mercado também aguarda a coletiva de Trump prevista para esta tarde, ao lado das Forças Armadas, que pode redefinir expectativas no curto prazo.
Oferta e rotas alternativas ganham relevância
Mesmo com a possibilidade de trégua, os desdobramentos recentes aceleram mudanças estruturais na logística global de energia. Países asiáticos já se movimentam para reduzir a dependência do Golfo.
A Coreia do Sul, por exemplo, planeja enviar ao menos cinco navios ao porto de Yanbu, na Arábia Saudita, nas próximas semanas, buscando estabelecer rotas alternativas via Mar Vermelho. O governo também negocia suprimentos adicionais com países como Omã e Argélia, em um movimento que ilustra a reorganização das cadeias de abastecimento.
Ao mesmo tempo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciou aumento de produção para maio. A medida tende a ampliar a oferta, mas com efeito limitado caso persistam restrições no Estreito de Ormuz.
Escalada global adiciona novo vetor de risco
Em paralelo ao Oriente Médio, o conflito no Leste Europeu volta a pressionar o mercado de energia. Um ataque com drones russos atingiu a cidade portuária de Odesa, na Ucrânia, deixando mortos e feridos, enquanto forças ucranianas miraram infraestrutura estratégica de petróleo na Rússia, incluindo um importante porto de exportação no Mar Negro.
A intensificação dos ataques em regiões-chave para o escoamento do “ouro negro” reforça o risco de interrupções adicionais na oferta global, ampliando a sensibilidade dos preços a eventos geopolíticos simultâneos.
Com informações da Broadcast