

Uma parte significativa dos consumidores no Brasil tem uma percepção errada dos juros cobrados pelo cartão de crédito. É o que mostra uma pesquisa realizada pela fintech Pagaleve, enviada com exclusividade para o E-Investidor.
De acordo com o levantamento que ouviu 360 pessoas de todas as regiões do Brasil nos meses de maio e junho deste ano, do total de consumidores que já atrasaram o pagamento do cartão de crédito ou pagaram parcialmente a fatura, 58% têm uma percepção dos encargos inferior à média cobrada no mercado.
Isso porque 22% dos consumidores informaram que acreditam a taxa de juros cobrada chega até 5%, enquanto outros 36% acham que fica em torno de 5% a 10% ao mês. Já os que não sabem qual o percentual adotado pelas operadores corresponderam a 13%.
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No entanto, os dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostram que a média da taxa de juros praticada pelo mercado é de 13,96% ao mês. No acumulado do ano, pode chegar a 379%.
Com isso, apenas 18% do total de entrevistados que já atrasaram alguma fatura de cartão de crédito têm uma percepção dos encargos dentro da realidade do mercado.
As faturas de cartão de crédito seguem como a principal causa para o endividamento das famílias brasileiras. De acordo com os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), referente a junho de 2022, 86,6% dos brasileiros endividados informaram que possuem alguma pendência financeira relacionada ao cartão de crédito.
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Para Henrique Weaver, CEO da Pagaleve, os resultados da pesquisa revelam a falta de conhecimento sobre os juros cobrados pelos cartões de crédito e a internalização da ideia de que o valor das taxas é pequeno e não faria diferença no fim das contas.
“Isso acontece principalmente em classes sociais menos escolarizadas. É cultural do brasileiro”, ressalta Weaver. “O brasileiro não olha para juros e não faz conta de juros. O brasileiro de classe média sai super prejudicado por não ter esse olhar de educação financeira básica de olhar os juros. Às vezes, é um fardo necessário, mas na maior parte dos casos é algo evitável”, acrescenta o CEO da fintech. Veja dicas de como utilizar o cartão de crédito ao seu favor.
A pesquisa da Pagaleve entrevistou 360 pessoas de todas as regiões do Brasil nos meses de maio e junho deste ano.
Use de forma consciente
O crédito disponível em cartões pode trazer a falsa sensação de que o consumidor tem renda superior ao que possui na conta bancária. Essa ilusão estimula o consumo, o que leva a pessoa em direção ao endividamento quando o uso acontece de forma desenfreada. Para Thiago Holanda, economista e professor universitário, as pessoas precisam ter em mente que o crédito disponível em cartão deve ser utilizado, principalmente, em casos emergenciais.
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“O cartão de crédito deve ser utilizado somente em casos específicos, quando o consumidor necessita de um bem de valor elevado e que precisa adquiri-lo naquele momento”, explica.
Além do mau uso, outro erro comum entre os consumidores consiste no pagamento do valor mínimo da fatura de cartão de crédito. Tal recurso encarece ainda mais a dívida. “Quando você paga o valor mínimo da fatura é como se você estivesse fazendo um empréstimo com a operadora do cartão. Mas esse empréstimo tem juros altos e a multa pelo atraso”, acrescenta Holanda.
No entanto, há formas de utilizar a modalidade de pagamento a seu favor. De acordo com Wandemberg Almeida, economista e membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), atualmente as operadoras de cartão de crédito possuem programas, como os de milhas e de cashback, que podem ajudar o consumidor a economizar por meio das vantagens oferecidas.
Nessa reportagem, o E-Investidor dá dicas de especialistas para fazer a melhor escolha do cartão de crédito pelas vantagens que ele oferece.
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“Tudo está na forma como você utiliza. Se você fizer uma compra, deixe o recurso separado para o pagamento. Adote um limite que você não extrapole nem o deixe empolgado para ir às compras”, alerta Almeida.
Por isso, o especialista sugere que o limite do cartão deve corresponder a até 30% do total da renda do consumidor. “Está aí o grande segredo: respeitar o seu orçamento”, acrescenta.