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Tempo Real

Dólar hoje: moeda sobe 1,63% com aposta em Fed agressivo

Após duas sessões seguidas de queda, o dólar superou a barreira de R$ 5,20 ainda no início da terça-feira (6)

Por juliapestana

06/09/2022 | 18:15 Atualização: 06/09/2022 | 18:15

Notas de dólar 08/02/2021. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo
Notas de dólar 08/02/2021. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

(Antonio Perez, Estadão Conteúdo) — O mercado de câmbio doméstico foi engolfado nesta terça-feira (6) pela onda global de fortalecimento da moeda americana e de escalada das taxas dos Treasuries, após dados do setor de serviços nos EUA aumentarem as apostas em manutenção de uma postura dura pelo Federal Reserve, com as chances de nova alta da taxa básica americana em 75 pontos-base voltando a superar 70%.

Leia mais:
  • Treasuries: juros sobem, após PMI dos EUA e aperto monetário do Fed
  • Cobre: metal sobe 1% após feriado nos EUA, mas permanece misto
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Em alta desde a abertura dos negócios, após duas sessões seguidas de queda, o dólar superou a barreira de R$ 5,20 ainda pela manhã e, com uma arrancada ao longo da tarde, chegou a tocar R$ 5,25 ao registrar máxima a R$ 5,2508 (+1,88%). No fim do dia, era cotado a R$ 5,2381, valorização de 1,63%. Assim, a divisa passou a acumular alta de 0,70% nos quatro primeiros pregões de setembro. A volta da perspectiva de uma alta adicional da taxa Selic neste mês, na esteira de acenos de autoridades do Banco Central, não foi capaz de dar a sustentação à moeda brasileira.

Embora todas as divisas emergentes tenham apanhado hoje, o real, que vinha tendo um desempenho relativo superior a de seus pares, foi quem mais sofreu – movimento atribuído por analistas a questões técnicas, como a maior liquidez da divisa brasileira, e a certa cautela na véspera do feriado do Dia da Independência, dado os temores de acirramento das tensões políticas com eventuais ataques do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal.

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No exterior, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – superou a marca dos 110 pontos e atingiu máxima na casa dos 110,500 pontos, em razão de novo tombo do euro e, sobretudo, de forte depreciação do iene, que caiu ao menor nível na comparação com a moeda americana em 24 anos. Nem a perspectiva de alta de 75 pontos-base do juro básico da região pelo Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira (08) anima o euro, dado que pode aprofundar a perda de fôlego da economia europeia.

O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, atribui à depreciação do real hoje ao movimento de valorização do dólar no exterior diante do aumento das expectativas de nova alta dos juros americanos em 75 pontos-base após a divulgação do ISM de Serviços. “Em falas mais recentes, membros do Fed disseram que vão precisar subir mais os juros e mantê-los em nível elevado por mais tempo para desinflacionar a economia”, diz Lima. “As taxas dos Treasuries acabaram subindo bastante hoje e afetando todas as moedas. Não vejo fator doméstico para a alta do dólar. É um movimento global de reprecificação dos ativos.”

O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços nos Estados Unidos divulgado pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM) subiu de 56,7 em julho para 56,9 em agosto, na contramão da previsão dos analistas, de queda para 55,5. Investidores deixaram em segundo plano a leitura fraca de outro PMI de Serviços dos EUA, divulgado pela S&P Global. Houve recuo de 47,3 em julho para 43,7 em agosto, abaixo da estimativa prévia (44,1) e no menor nível desde maio de 2020.

“A leitura do PMI reforçou a expectativa de um Fed mais agressivo. Estamos vendo um movimento de aversão ao risco que atinge todas as moedas emergentes”, diz a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, ressaltando que o real sofre mais por ser mais líquido. “É óbvio que a incerteza do período eleitoral ajuda a aumentar a percepção de risco e tem impacto no câmbio.”

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A possibilidade de uma eventual alta adicional da taxa Selic, na esteira de declarações de autoridades do Banco Central, não chegou a ter papel relevante na formação da taxa de câmbio, segundo analistas. Ontem à noite, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a “mensagem que continua valendo é a do último Copom, que a gente disse que avaliaria um possível ajuste final”. Ecoando a fala de Campos Neto, o diretor de Política Monetária, Bruno Serra, disse hoje que é preciso “ter muita cautela no eventual encerramento” do ciclo de aperto. “Ainda temos um desafio grande pela frente, a inflação está em quase dois dígitos”, afirmou Serra.

A leitura dos analistas foi de que, mais do que acenar com alta adicional da taxa Selic, Campos Neto e Serra tentaram esfriar as apostas mais contundentes de corte relevante da taxa básica ao longo de 2023. Em tese, juros maiores e por mais tempo levariam a uma apreciação do real, ao contrário do observado na sessão desta terça-feira.

Segundo Lima, da Western Asset, em momentos de aversão ao risco e aumento da volatilidade, o diferencial de juros interno e externo, embora seja levando em conta, não tem papel preponderante na formação da taxa de câmbio. “Não é porque o BC parou de subir que haverá um corte iminente dos juros. É isso que Campos Neto e Serra passaram para o mercado”, diz Lima, para quem uma eventual alta adicional da Selic em 0,25 ponto neste mês, para 14% ao ano, encerrará de vez o ciclo de aperto monetário.

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