Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) que prorroga a desoneração tributária dos combustíveis, que acabaria sábado, 31 de dezembro, mas será estendida por 60 dias. O assunto já havia sido adiantado pelo futuro presidente da Petrobras, senador Jean Paul Prates, pouco antes da posse presidencial. “Queremos garantir que não haverá nenhum movimento traumático, a não ser que seja necessário, por uma emergência”, disse. Segundo Prates, a ideia é fazer qualquer movimento de preços de forma orgânica. “Não é para ter trauma nenhum”, reforçou.
Outro ato assinado por Lula ontem foi o que autoriza ministros a retirarem Petrobras, Correios e Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) do processo de desestatização. Durante seu discurso Lula fez questão de reafirmar que o teto de gastos será revogado, mas justificou dizendo que seus governos anteriores nunca foram caracterizados por indisciplina fiscal.
“A fala de Lula sobre seus planos para a economia não deve agradar os investidores”, indicam os analistas da LCA Consultores em nota. Isso vai depender do que dirá Fernando Haddad que toma posse agora, às 9h, como ministro da Fazenda. Para a LCA, com a MP prorrogando a desoneração dos combustíveis, Haddad aparentemente sofreu sua primeira derrota no governo. “Risco fiscal ficará maior”.
Ao chegar para a posse do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou que medidas de isenção de impostos precisam sempre ser avaliadas sob a forma da exceção. “É importante que isenções sempre sejam analisadas num contexto abrangente e de exceção”, disse, ao ser perguntado sobre a prorrogação da isenção de impostos federais sobre os combustíveis.
No exterior, o quadro econômico na China preocupa e pode derrubar os ativos de risco. Esta semana o foco estará na ata da mais recente reunião do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira e no payroll, que traz os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e será divulgado na sexta-feira.