“Essas instituições têm uma oportunidade bastante especial porque estão muito bem posicionadas para combinar operações de crédito, de garantias, venda de conhecimento e de articulação para atrair o setor privado”, considerou. Esse equilíbrio, de acordo com o vice-presidente do CAF, será um grande desafio para o Brasil e também para a região. Ele salientou que o discurso de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a agenda de distribuição de renda e que a construção de políticas públicas com espaços econômicos muito desiguais é sempre um grande desafio para a região.
“Onde há muita desigualdade, é difícil desenhar políticas públicas. O que é bom para um grupo não é para outro. É difícil encontrar uma agenda de interesse comum porque as demandas e as necessidades são muito diferentes, não apenas entre as pessoas mas entre as empresas”, pontuou.
Em sua primeira entrevista após indicado por Lula como ministro da Fazenda, Fernando Haddad foi questionado pelo Broadcast sobre sua visão para a atuação dos bancos públicos. Apesar de ter dito que Caixa e Banco do Brasil são importantes instrumentos de crédito para o País, a avaliação é a de que o mercado mudou muito nos últimos 20 anos, com a entrada de novas empresas.
Mercado verde – Arbache também salientou que a guerra no leste europeu junto com a agenda do continente para redução de emissão de carbono é um “presente para o Brasil”. “O CAF está entrando de cabeça com muita ênfase na agenda de power shoring”, disse. Segundo ele, com o aumento dos preços da energia e as incertezas de oferta, já há impacto no setor fabril, que fechou portas ou diminuiu a produção em alguns setores.
“Esse cenário favorece um país que tem condições de fornecer energia segura e verde e relativamente barata”, apontou. Para o vice-presidente do CAF, esta será, sem dúvida, a agenda que pautará as discussões entre o Brasil e a União Europeia nos próximos anos.