Os ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra os juros altos e o Banco Central (BC) impediram ontem o mercado local de acompanhar a melhora externa em reação ao discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell. O presidente Lula está sendo aconselhado por ministros do governo a baixar a temperatura nas críticas contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O interlocutores alertaram Lula que o confronto só contribui para aumentar os juros futuros e o dólar.
Ainda no radar dos investidores, a rápida visita do presidente Lula a Washington, na sexta-feira, para encontrar o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, terá como foco a defesa à democracia, após os atos antidemocráticos enfrentados em Brasília.
As Bolsas internacionais operam sem direção única, com os futuros de Nova York em baixa e os índices europeus em alta. O dólar e os juros dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) também recuam, com investidores ajustando posições à espera de novos sinais de política monetária por membros do Fed.
Ontem, as Bolsas de Nova York e os juros dos Treasuries fecharam com ganhos generalizados, enquanto o dólar recuou ante moedas rivais após o presidente do Fed, Jerome Powell, reafirmar que os Estados Unidos estão no início de um processo desinflacionário. O presidente da distrital do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, que fala hoje, disse em entrevista à CNBC que o juro básico dos EUA poderá chegar a 5,4%, ante a atual faixa de 4,50% a 4,75%.
Na temporada de balanços europeus, o Société Générale, terceiro maior banco francês em capitalização de mercado, divulgou lucro trimestral menor, mas que superou as expectativas. Em Paris, a ação do Société registrava alta marginal de 0,04%. No Japão, a Bolsa recuou à medida que as ações de SoftBank e Nintendo sofreram tombos de 5,11% e 7,52%, respectivamente, após divulgarem resultados trimestrais decepcionantes.
Fique de olho
Itaú (ITUB4)
O Itaú Unibanco fechou o quarto trimestre de 2022 com lucro líquido gerencial de R$ 7,668 bilhões, uma alta de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado e 7,4% abaixo do previsto no Prévias Broadcast. Graças a margens mais altas, fruto de uma carteira de crédito mais rentável, o banco conseguiu absorver o impacto de um evento subsequente de um grande cliente corporativo sobre o custo de crédito, cujo nome não foi informado, mas há indicações que seja a Americanas (AMER3).
BR Properties (BRPR3)
A BR Properties teve prejuízo líquido de R$ 70,494 milhões no quarto trimestre de 2022, o que representou uma piora de 49% na comparação com o mesmo período de 2021, quando a empresa teve uma perda de R$ 47,438 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi a R$ 5,241 milhões, um encolhimento de 90%.
Banco Pan (BPAN4)
O Banco Pan registrou lucro líquido ajustado de R$ 191 milhões no quarto trimestre de 2022, ante os R$ 193 milhões do terceiro trimestre e levemente acima dos R$ 190 milhões apurado no mesmo intervalo do ano passado.
Petrobras (PETR4)
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, anunciou o lançamento do que definiu como a maior seleção pública de projetos socioambientais da história da empresa. O programa terá R$ 432 milhões para financiar mais de 50 projetos, segundo informou a companhia.
Marisa (AMAR3)
A Lojas Marisa informou que o diretor presidente, Adalberto Pereira dos Santos, renunciou à presidência da empresa. Interinamente, Alberto Kohn de Penhas, atual vice-presidente Comercial e executivo, assumirá o comando na companhia.
Ecorodovias (ECOR3)
O volume de tráfego consolidado nas rodovias administradas pela EcoRodovias subiu 24,2% em janeiro de 2023 ante o mesmo mês de 2022. O número consolidado passou de 31.957 para 39.687 veículos.
JHSF (JHSF3)
O Conselho de Administração da JHSF aprovou a substituição de um programa de recompra de ações atual por outro com vigência até 7 de fevereiro de 2024, no limite de 28 milhões de ações ordinárias, representando 9,48% do total da empresa em circulação no mercado.
Agenda
A agenda desta quarta-feira traz a participação do diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra Fernandes, em evento em Macaé, no Rio de Janeiro (16h).
No exterior, o dia também é dedicado aos banqueiros centrais. Seis dirigentes do Federal Reserve discursam (10h30, 11h20, 12h, 14h30 e 15h45) e dois do Banco Central Europeu (BCE) participam de coletiva sobre supervisão bancária (6h).
Entre os balanços, saem os números da Klabin e da Walt Disney.