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Investimentos

GeoCapital: Mercado internacional tem muitas oportunidades em 2023

Para o CEO Daniel Martins, posição no exterior deve ser estrutural, mas o momento também é oportuno

Por Luíza Lanza

27/02/2023 | 4:30 Atualização: 27/02/2023 | 17:45

Para Daniel Martins, CEO da GeoCapital, há boas oportunidades de investimento no exterior. (Foto: Divulgação)
Para Daniel Martins, CEO da GeoCapital, há boas oportunidades de investimento no exterior. (Foto: Divulgação)

A partir do dia 3 de abril,  uma nova regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai flexibilizar o investimento no exterior. A instrução CVM 175 vai permitir que investidores de varejo aloquem em fundos de investimento com 100% dos portfólios no exterior – uma classe que até então só é disponibilizada a quem tem mais de R$ 1 milhão em ativos.

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A atualização no mercado brasileiro acontece em um momento em que mais investidores buscam internacionalizar a carteira. Como contamos nesta reportagem, depois da alta das taxas de juros nos Estados Unidos em 2022, a renda fixa americana está com uma oportunidade de retorno que há tempos não se via.

Para quem tem apetite pela renda variável, ainda existem boas oportunidades “escondidas” nas bolsas americanas, defende Daniel Martins, CEO da GeoCapital, gestora focada em fundos no exterior com cerca de R$ 1 bilhão em ativos sob gestão.

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Martins reforça que a posição no exterior deve ser parte estrutural da carteira como uma forma de diversificar os riscos intrínsecos ao mercado brasileiro, mas destaca que o momento também é oportuno para essa alocação.

“Quando o mercado vem de um ano muito negativo, as pessoas começam a procurar por oportunidades que possam estar ‘escondidas’. No nosso ponto de vista, é um bom momento para o brasileiro poder montar ou eventualmente até aumentar a posição para essa classe de ativos”, diz.

Em entrevista ao E-Investidor, o CEO falou sobre o cenário externo e indicou quais empresas devem entrar no radar, considerando que os EUA podem continuar elevando os juros. A resposta incluiu até algumas big techs, que enfrentam um ciclo de demissões em massa. Em sua visão, trata-se de “ajustes naturais e esperados” que não mudam as perspectivas de investimento nessas ações.

Veja a entrevista completa:

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E-Investidor – Há um movimento de investidores interessados em internacionalizar parte do portfólio. Na GeoCapital houve um aumento da procura?

Daniel Martins – Sim. Claro que determinados momentos são cíclicos, mas temos visto uma aceleração desse interesse em investir no exterior. E existem alguns motivos que podem ter levado a isso.

Do ponto de vista de mercado, lá fora, 2022 foi um ano difícil para as equities [ações, em inglês], caindo quase 20% nos principais índices. Quando o mercado vem de um ano muito negativo, as pessoas começam a procurar por oportunidades que possam estar ‘escondidas’. O outro ponto, esse pensando mais no mercado brasileiro, é que estamos em um momento político e econômico difícil. Isso faz com que seja natural que determinados investidores comecem a procurar a diversificação de seus ativos.

Quais são essas “oportunidades escondidas”?

Martins – Nos dedicamos o dia inteiro para encontrar essas oportunidades. Existem empresas com muitas oportunidades de crescimento, mas que ainda não geram o caixa necessário para financiar isso. Para essas, ainda estamos em um mercado mais difícil. Por outro lado, existem aquelas com oportunidade de crescimento, mas já em um estado de maturidade dos seus modelos de negócios e que precisam de menos capital externo para se financiar. É nesse segundo grupo que temos procurado focar os nossos investimentos.

Vou citar alguns exemplos, olhando o nosso portfólio: Visa (V), Alphabet (GOOG), Microsoft (MSFT) e Booking (BKNG). No nosso entendimento, são empresas muito bem posicionadas, porque as concorrentes agora vão ter mais dificuldade.

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E por que o investidor brasileiro deveria olhar para o exterior em 2023?

Martins – O Brasil só representa 3% do PIB mundial. Seja por falta de conhecimento ou por falta de vontade, qualquer decisão de investir apenas aqui é também uma decisão de não investir nos outros 97%. Faz sentido para o investidor brasileiro de qualquer tamanho ter parte dos seus recursos alocados no exterior em qualquer momento, como uma posição estrutural. No nosso ponto de vista, é um bom momento para montar, manter ou eventualmente até aumentar a posição no exterior.

Entra em vigor em abril deste ano uma nova regra da CVM que permite que investidores de varejo acessem fundos 100% alocados no exterior, como os da GeoCapital. Por que os brasileiros deveriam olhar para essa classe de ativos?

Martins – Para o investidor que não conhece ou tem menos familiaridade com essa classe de ativos, tem alguns ângulos que vale a pena explorar, mas no fundo tudo se resume a dois conceitos. Busca de retorno e diversificação de risco. Lá fora tem modelos de negócio, moedas e geografias diferentes para ampliar as possibilidades de retorno da carteira e também não colocar todo o patrimônio em um único tipo de risco.

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Claro que aquele investidor que tem maior familiaridade com o assunto tem a oportunidade de comprar e acessar esses mercados de forma direta. Por outro lado, o benefício de fazer isso via fundos é ter uma casa especializada, que se dedica 100% a escolher, diante de cerca de 70 mil empresas de capital aberto no mundo, aquelas que são bons modelos de negócio e estão sendo negociadas a uma boa relação de risco e retorno. Poder contar com a assessoria de uma empresa especializada é uma boa alternativa, especialmente para os brasileiros que estão começando.

As bolsas americanas terminaram 2022 no campo negativo. O que podemos esperar do desempenho este ano?

Martins – O grande impacto em 2022 foi o aumento de juros para segurar a inflação. Para 2023, existe uma percepção de que esse movimento já foi feito. O ponto agora será ver de que forma isso vai afetar as demais variáveis macroeconômicas e com isso vai afetar cada empresa.

Nosso entendimento é que o mercado de 2023 tem muitas oportunidades, principalmente para uma gestão ativa que se proponha a analisar diferentes modelos de negócios para identificar aqueles que têm maior resiliência e capacidade de repassar pressões inflacionárias.

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As big techs estão enfrentando um momento difícil. As empresas perderam trilhões em valor de mercado em 2022 e anunciaram demissões em massa. Ainda vale a pena investir nessas ações?

Martins – Certamente elas foram muito afetadas no ano passado por conta do aumento de juros. Por mais que sejam resilientes, elas também podem vir a ser impactadas pela questão inflacionária e pela redução da atividade econômica como um todo. Por outro lado, algumas dessas empresas têm determinados bolsões que continuam crescendo muito bem. No nosso entendimento vale investir.

Nesse cenário, com alguns segmentos desacelerando e outros acelerando, vemos com bons olhos quando essas empresas decidem fazer determinados ajustes de alocação de despesa de pessoal. As demissões são as próprias empresas tentando se defender do impacto inflacionário e priorizando aqueles segmentos que têm demonstrado oportunidades maiores de crescimento. São ajustes naturais e esperados.

Então as demissões em massa que vem acontecendo nessas empresas não são um alerta vermelho?

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Martins – Verdade seja dita. Quando o Banco Central aumenta juros, o que ele quer é frear a atividade econômica. E isso também passa pela redução de empregos. Não estou falando pelo lado social da coisa, mas, do ponto de vista macroeconômico, as demissões são parte do ajuste que a autoridade monetária está esperando que ocorra. Diria que é esperado e vem ocorrendo de maneira paulatina em diferentes mercados.

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