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Negócios

Companhias aéreas do exterior voltam a ser queridinhas do mercado

Companhias estão lucrando com o aumento de viagens desde a flexibilização das restrições da pandemia

Por Angus Whitley, WP Bloomberg

03/03/2023 | 18:06 Atualização: 03/03/2023 | 18:09

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Deixadas de lado durante a pandemia, já que suas atividades foram interrompidas quase da noite para o dia, as companhias aéreas que cortaram gastos para sobreviver à crise agora estão com boas previsões de lucros e atraindo de volta os investidores.

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A Virgin Australia, tão debilitada financeiramente com o surgimento da Covid-19 em 2020 que faliu em semanas, passou por uma transformação notável sob o comando da nova proprietária, a Bain Capital. Livre de grande parte de suas dívidas depois de mudar de administração e voltar a operar com uma frota reduzida, a companhia aérea está ganhando dinheiro pela primeira vez em anos. Ela planeja voltar à bolsa de Sydney provavelmente ainda este ano.

Essas companhias aéreas renovadas e, forçosamente mais simples, estão capitalizando com o aumento de viagens desde que as restrições por conta da pandemia foram flexibilizadas. A Organização da Aviação Civil Internacional espera que a demanda dos passageiros se recupere para os níveis anteriores à covid na maioria das rotas neste trimestre e, depois, cresça cerca de 3% acima dos níveis de 2019 até ao fim do ano.

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“A aviação é um lugar para se investir de novo”, disse Jun Bei Liu, gestor de carteiras na Tribeca Investment Partners em Sydney, que supervisiona A$ 1,2 bilhão (US$ 822 milhões) em fundos. “As companhias aéreas asiáticas vão passar por altas gigantescas.”

Um indicador Bloomberg de 29 companhias aéreas de todo o mundo subiu quase 30% desde o fim de setembro.

A reabertura da China, o maior mercado de partida de viagens antes da pandemia, deve gerar uma nova recuperação do tráfego aéreo para destinos preferidos como Estados Unidos, Japão e Cingapura, além de outros. Em Hong Kong, a Cathay Pacific Airways, depois de ser afetada pelas paralisações da China, terá lucros pela primeira vez desde 2019, de acordo com as previsões de analistas.

É uma recuperação extraordinária para um setor que sofreu perdas de quase de US$ 200 bilhões nos últimos três anos. Dezenas de milhares de pilotos, tripulantes, profissionais em solo e da área administrativa perderam seus empregos, enquanto hangares nos desertos da Califórnia e do centro da Austrália ficavam repletas de aeronaves paradas.

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As companhias aéreas vão gerar lucros de US$ 4,7 bilhões em 2023, de acordo com a Associação Internacional de Transportes Aéreos. Embora isso seja uma fração dos US$ 26,4 bilhões alcançados por elas em 2019, os principais índices financeiros indicam que o setor está em sua condição mais saudável em anos.

A capacidade de pagar dívidas usando os lucros, por exemplo, está de volta aos níveis anteriores à pandemia e vai ficar mais forte até 2025, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Isso significa que as companhias aéreas estão mais preparadas para resistir a crises periódicas de demanda, como a que levou a Virgin Australia à falência, e menos propensas à inadimplência.

“Considerando as previsões pessimistas durante a pandemia, o setor está indo muito bem”, disse Volodymyr Bilotkach, professor de gestão da aviação na Universidade Purdue, em Indiana, e autor do livro “The Economics of Airlines” (A Economia das Companhias Aéreas, em tradução livre). “Após as crises, algumas companhias aéreas emergem em melhor forma do que antes.”

A recuperação não tem sido uniforme. A norueguesa Flyr AS entrou com um pedido de falência este mês, menos de dois anos depois de entrar no mercado. Dias antes, a companhia aérea britânica low cost Flybe encerrou suas operações depois de receber interventores administrativos para seus bens.

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As falências estão mais alinhadas estreitamente com a avaliação de Warren Buffett sobre o setor há mais de uma década. “O pior tipo de negócio é aquele que cresce rapidamente, exige capital significativo para gerar o crescimento e, depois, lucra pouco ou nada”, escreveu o presidente da Berkshire Hathaway em uma carta anual para investidores. “Pense nas companhias aéreas.”

O que é diferente agora é a enorme disparidade entre o número limitado de assentos disponíveis e a forte demanda por viagens, que está permitindo às companhias aéreas aumentar suas tarifas.

“A dinâmica de oferta e procura é a mais diferente de toda a minha carreira”, disse o CEO da United Airlines, Scott Kirby, numa divulgação de resultados no mês passado. “Cada dado continua demonstrando isso repetidamente. Acho que as margens, no geral, serão mais elevadas.”

Ao informar receita recorde no quarto trimestre no mês passado, o CEO da American Airlines, Robert Isom, disse que sobreviver à pandemia tornou a companhia aérea mais eficiente – sua frota é mais simples e a rede agora foca nos voos mais lucrativos. “Este é o nosso melhor período de reservas após as festas de fim de ano”, disse ele. “Esperamos que o cenário de forte demanda continue em 2023.”

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O aumento da procura coincide com a oferta limitada de mão de obra. Para muitos passageiros, isso se traduz em longas filas nos balcões de check-in sem funcionários ou esperas maiores na esteira de bagagens. Para os investidores, isso significa que algumas de suas companhias aéreas geram mais do que o dobro de receita por trabalhador do que há dois anos.

A Ryanair, a maior companhia aérea low cost da Europa, voltou a lucrar no trimestre até dezembro e não acha que isso vá parar. “Vamos entregar lucros recordes no ano financeiro atual e esperamos continuar a crescer de forma rentável no próximo ano e depois disso”, afirmou o diretor financeiro Neil Sorahan em uma entrevista.

A companhia aérea com sede em Dublin encomendou dezenas de jatos Boeing Max com baixo consumo de combustível durante o período de desaceleração.

A Virgin Australia oferece talvez o “antes e depois” mais contrastante.

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Durante a maior parte de uma década antes da pandemia, a companhia aérea relatou perdas anuais, torrou o capital dos acionistas a cada ano e, ocasionalmente, pediu mais dinheiro aos investidores.

Depois que passou a ser propriedade da Bain, a Virgin Australia cortou milhares de postos de trabalho, livrou-se dos aviões de longa distância e agora voa apenas com Boeings 737 em rotas mais curtas. A CEO Jayne Hrdlicka – ex-chefe da companhia aérea low cost da Qantas, a Jetstar – limitou os gastos com lounges e reduziu as rotas internacionais.

“A gestão de custos deles é muito superior”, disse Neil Hansford, presidente da consultoria australiana Strategic Aviation Solutions. “A Virgin está mais enxuta.”

Agora, a companhia aérea está planejando o que poderia ser uma das maiores listagens do ano da Austrália. A Bain escolheu os principais gerentes do Goldman Sachs, UBS e Barrenjoey para a possível venda de ações, disse uma pessoa a par do assunto na semana passada.

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Em um e-mail para os funcionários em 31 de janeiro, Jayne disse que a receita foi de aproximadamente A$ 2,5 bilhões no segundo semestre de 2022, com uma margem de lucro de quase 5%. O primeiro lucro da companhia aérea em anos “é sem dúvidas um marco para se comemorar discretamente”, ela escreveu.

Georgina Mckay colaborou com esta reportagem.

Tradução de Romina Cácia

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