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Juros: taxas futuras voltam a cair com negociação da dívida nos EUA em foco

O movimento se deu em linha com a melhora do apetite pelo risco vista no exterior

Por Denise Abarca

26/05/2023 | 18:30 Atualização: 26/05/2023 | 18:30

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

Os juros futuros fecharam a sexta-feira (26) em queda. O movimento de realização de lucros ensaiado pela manhã perdeu força à tarde, com as taxas zerando o sinal de alta e passando a cair, para completar o quarto dia consecutivo em baixa. O movimento se deu em linha com a melhora do apetite pelo risco vista no exterior, na medida em que cresciam as esperanças no fechamento de um acordo para o teto da dívida dos Estados Unidos que precisa sair até o começo de junho para que não haja calote, que também favoreceu o real. Com o noticiário interno hoje esvaziado, a dinâmica do mercado foi conduzida pelo ambiente internacional e ajustes técnicos. No acumulado da semana, a curva perdeu inclinação, pelo recuo consistente dos contratos de longo prazo, refletindo, em boa medida, a aprovação do novo arcabouço fiscal na Câmara.

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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,16%, de 13,18% ontem, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,47% para 11,42%. O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 10,93%, de 10,99%, e a do DI janeiro de 2029 terminou em 11,25%, de 11,32%. Na semana, enquanto a ponta curta fechou perto de 10 pontos-base, os longos caíram 35 pontos.

O mercado chegou a testar uma correção às quedas recentes na primeira parte dos negócios, com ajuda de dados de inflação nos Estados Unidos que superaram o consenso das estimativas e endossaram a aposta de alta de juros na reunião do Federal Reserve em junho. À tarde, na medida em que o dólar ampliou a queda e voltou a cruzar para baixo a linha dos R$ 5,00, os juros zeraram a alta que já era modesta e passaram a cair. Ainda, houve alívio na taxa da T-Note de dez anos.

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O pano de fundo de fundo para a melhora do mercado foi a percepção de que a Casa Branca e a Câmara dos Representantes nos Estados Unidos chegarão logo a um acordo para evitar o default da dívida. O presidente da Câmara, Kevin McCarthy avaliou hoje que as equipes avançaram nas negociações, mas que a questão dos gastos do governo ainda é um grande problema. McCarthy falou em “progresso” várias vezes, ao conversar com a imprensa, mas ainda não há acordo.

É consenso que este acordo vai sair, mas quanto antes melhor, representando assim um fator a menos de incerteza. Por aqui, a incerteza também diminuiu com a votação do arcabouço na Câmara e o mercado agora acompanha a tramitação no Senado. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse querer entregar o texto para sanção presidencial ainda em junho. A economista-chefe da MAG Investimentos, Patricia Pereira, afirma que a busca pelo protagonismo tende a pautar o ritmo de andamento da matéria no Senado. “Ao contrário do que se viu na Câmara, Pacheco quer cumprir os ritos das comissões, mas acho que não teremos alterações em termos de texto. Vão aprovar”, afirmou.

O grande desafio fiscal trazido pelo novo marco é alcançar a arrecadação necessária para acomodar a intenção de gastos sem comprometer o cumprimento das metas estipuladas. Desse modo, o mercado vê com bons olhos o caráter temporário do programa de incentivo ao setor automobilístico anunciado ontem pelo governo. Nesta tarde, em entrevista à GloboNews, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que é algo “tópico”, que não vai se estender para além deste ano. “Estamos falando de um programa que pode durar três ou quatro meses, não é estrutural”, declarou o ministro.

Haddad também afirmou que o programa não deve chegar a um quarto do impacto fiscal estimado pelo mercado, de R$ 8 bilhões. Os cálculos preliminares já foram feitos, porém a equipe econômica precisa fechar a equação seguindo os critérios da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

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O ministro também voltou a falar sobre a meta de inflação, defendendo uma regra contínua que, segundo ele, quando adotada raramente é alterada. “Um único país do mundo adota meta calendário. Definir uma meta contínua para o BC perseguir é melhor”, afirmou. Garantiu que o debate sobre a mudança será técnico. O Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá no fim de junho para discutir o assunto.

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