Uma possível explicação, segundo Luiz Felipe Bazzo, CEO do Transferbank, seria que os impactos da queda dos juros, normalmente, vão muito além do que o mercado projeta. “Por esse motivo, é bem comum ocorrer um mês negativo para a Bolsa no mês posterior ao primeiro corte, mas isso não muda a performance anual”.
Contudo, em sua visão, há um otimismo do mercado em relação à Bolsa. “Historicamente, ciclos de corte de taxa de juros, sempre que bem feitos, impulsionam uma alta no Ibovespa”.
Outro fato que marca a semana é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país. O número mostrou uma alta de 0,12% na inflação em julho, acima da expectativa do mercado.
“Os juros futuros incorporaram uma visão positiva para o IPCA de julho, acompanhando uma indicação de Roberto Campos Neto de que a inflação de serviços veio um pouco melhor, elevando a precificação de queda de 0,75 ponto porcentual na próxima reunião do Copom”, comenta Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.
O dólar e o euro subiram 0,59% e 0,04% frente ao real na semana, atingindo os R$ 4,90 e R$ 5,37, respectivamente. Em Nova York, na semana, S&P 500 e Nasdaq caíram 0,31%, 1,9%, respectivamente, enquanto Dow Jones subiu 0,62%.
As três ações que mais desvalorizaram na semana foram Grupo Soma (SOMA3), Petz (PETZ3) e Méliuz (CASH3).
Grupo Soma (SOMA3): -18,57%, R$ 9,25
O Grupo Soma protagoniza a maior queda da semana. Segundo Bazzo, o movimento ocorre porque, apesar de mostrar números positivos de receita para Soma e Hering, a pressão da margem bruta decorrente da Soma excluindo Hering, foi ruim para “as tendências saudáveis da Hering.”
Contudo, o especialista pontua que a demanda por vestuário, principalmente entre os grupos de renda média, deve se beneficiar da inflação mais baixa, da redução das taxas de juros e da desalavancagem do consumidor. “Acredito que Soma continua bem posicionada em seu portfólio e vemos várias fontes de oportunidades mais abertas”, afirma.
A Grupo Soma está em baixa de 17,7% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 7,68%.
Petz (PETZ3): -15,48%, R$ 5,95
Como a segunda queda da semana, Petz pode ter sido impactada negativamente pela contribuição negativa da Zee.Dog (comprada pela Petz em 2021) no resultado do 2T23, segundo Bazzo. “Mas vejo o resultado reportado pela companhia como bastante sólido, com uma clara evidência da resiliência da Petz apesar do macro desafiador, tanto do lado de crescimento quanto de rentabilidade”, comenta.
A Petz está em baixa de 15% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 4,65%.
Méliuz (CASH3): -12,63%, R$ 8,3
A empresa, que a partir do dia 4 de setembro estará fora do Ibovespa, configura a terceira maior queda da semana. A companhia reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 6,3 milhões no segundo trimestre, o que representa uma melhora de 73% contra o segundo trimestre do ano anterior.
A Méliuz está em baixa de 16,41% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 29,66%.
*Com Estadão Conteúdo